Juremir Machado da Silva

Cem anos dos 18 do Forte de Copacabana

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Cem anos dos 18 do Forte de Copacabana 18 do Forte de Copacabana. Foto: Zenóbio Couto / Correio da Manhã, Biblioteca Nacional
Tudo poderia se repetir em 2022? Há cem anos, em 5 de julho de 1922, durante o governo de Epitácio Pessoa, aconteceu um levante militar no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro. A história é simples como um bom filme: durante a campanha eleitoral o jornal “Correio da Manhã” publicou cartas ofensivas ao poderoso marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente da República, e aos militares, atribuídas ao candidato mineiro Arthur Bernardes, que negou e ganhou as eleições, mas não acalmou a fúria dos insatisfeitos. O exército estava tomado de dores por seu ídolo, o marechal Hermes, que não pouparia críticas aos donos do poder e seria preso. Foi o grão de pólvora que faltava. Bernardes e Epitácio eram a cara da República Velha, que o tenentismo trabalharia para sepultar, o que aconteceria finalmente em 1930. Alguns estados não quiseram reconhecer o resultado das urnas. Era comum nessa época de votação em cédulas de papel. A eleição ocorria em 1º de março. A posse, em 15 de novembro. Muita água rolava por baixo da ponte até o eleito assumir. O vice eleito, Urbano Santos, morreu no meio do caminho. Dava tempo até para pegar em armas. Euclides Hermes da Fonseca, filho do Marechal Hermes, levantou o Forte de Copacabana. Há sempre um filho ou alguns filhos nas tramoias políticas brasileiras. A organização do levante vazou, como tudo no Brasil, o governo se antecipou, os Estados deram para trás, dos 301 militares aquartelados no Forte de Copacabana, 272 ajoelharam no grão de milho oferecido pelo governo. O capitão Euclides mostrou a cara e foi preso. Os restantes optaram por não bombardear a cidade, como previsto, e saíram em marcha suicida pelas areias de Copacabana. Só dois, Siqueira Campos e Eduardo Gomes, sobrariam para contar aquela história de violência e coragem. Siqueira morreria afogado no Rio da Prata, em 1930, devido a um acidente aéreo, quando voltava para casa depois de ter tentado dissuadir Luís Carlos Prestes de aderir ao comunismo. Eduardo Gomes seria o mais amado representante da direita por três décadas, perdendo eleições para Getúlio Vargas e encarnando o espírito que hoje está no bolsonarismo. Um ponto relevante: os militares revoltosos daquela época estavam do lado certo. O Rio Grande do Sul também. Os bravos do Forte morreram para matar a república corrupta. Um civil, o gaúcho Octavio Correia, juntou-se aos militares rebelados e morreu com eles. Há cem anos quem denunciava fraude na contagem de votos era a oposição. A situação, que controlava a máquina, era a beneficiária das fraudes. Agora se reclama antecipadamente do contrário.Como as coisas mudam! Publicidade Tambor tribal (Tornozeleira e medalha da Biblioteca Nacional) O deputado bolsonarista de coldre e carteirinha Daniel Silveira deve ser um caso único no mundo, merecedor até de entrar para o famoso Guinness Book pelas seguintes incríveis razões objetivas: só ele ganhou num mesmo ano uma tornozeleira eletrônica, uma condenação a oito anos e nove meses de prisão por agressões verbais a ministros do Supremo Tribunal Federal e por “tentativa de […]

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