Juremir Machado da Silva

Esquerda (des)unida no RS?

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Esquerda (des)unida no RS?

      Está na hora da onça beber água. Não estou falando da Juma, que sou noveleiro e não perco “Pantanal”. A questão, porém, é a eleição para o governo do Rio Grande do Sul. Intelectuais lançaram nota pedindo união da esquerda, ou das esquerdas: PT, PSB, PDT, PSOL, PCdoB e demais.

O manifesto, conforme a divulgação, conta “com mais de 350 assinaturas, entre elas as do músico Nei Lisboa, do cineasta Otto Guerra, dos escritores José Falero e Jeferson Tenório, da artista plástica Zorávia Bettiol, da atriz Déborah Finochiaro, do agrônomo Darci Campani, da educadora Esther Grossi, do ambientalista Franciso Milanez, do professor Giba Assis Brasil , do ex-reitor da Ufrgs Hélgio Trindade, da escritora e ex-vice-reitora da Ufrgs Jane Tutikian, do vice-presidente Sul da Fenaj José Nunes. da ex-presidente do Cpers Maria Augusta Feldman e do presidente do Sindicato dos Economistas do Rio Grande do Sul, Mark Kuschik”. A iniciativa foi do cineasta Jorge Furtado, da cientista Márcia Barbosa, do ex-reitor da Ufrgs, Rui Oppermann, do professor e escritor Luís Augusto Fischer e do cientista político Benedito Tadeu César. 

            Qual é o cenário atual? Esquerda dividida. O PT vai de Edegar Pretto; o PSB, de Beto Albuquerque; o PDT, de Vieira da Cunha; o PSOL, de Pedro Ruas; o PCdoB vai com o PT. Qual a possibilidade de sucesso dessa maneira? Mínima. Digo mínima por precaução, pois tudo sempre pode acontecer, até a mídia hegemônica gaúcha me recontratar. Um analista mais ousado diria que a chance de êxito é zero. Por que eles não se unem? Porque as mágoas não deixam. O passado recente pesa como uma boa e velha paixão mal resolvida. Diferenças ideológicas também existem. Outro fantasma é o chamado hegemonismo atribuído ao PT gaúcho. Em linguagem de rua, o PT nunca abriria mão da cabeça da chapa. Vai na frente ou não vai.

      Que mágoas são essas que tanto turvam o exercício da básica racionalidade eleitoral? Beto Albuquerque costuma dizer que há mais pontos em comum no passado do que divergências, mas que o PT pegou pesado com Marina Silva depois da morte de Eduardo Campos, durante a campanha à presidência da república em 2014. Já o PT parece não perdoar quem apoiou o impeachment de Dilma Rousseff. Vieira da Cunha, por exemplo, era lavajatista de carteirinha. Há pouco, disse que Lula levou Jair Bolsonaro ao poder. O bombardeio de Ciro Gomes a Lula e ao PT no plano não ajuda no terreno regional. Outro dia, em Fernanda Melchionna, em live comigo, especulou sobre a possibilidade de o PT apoiar Pedro Ruas. Concluiu que isso não rolará por causa do já citado hegemonismo petista. Pois é.


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      Ninguém quer abrir mão das suas aspirações e apostas. Lula, entretanto, deu um recado claro, em Porto Alegre, olhando para Paulo Pimenta, presidente do PT gaúcho, e Manuela D’Ávila (PCdoB): “Juntem-se”. Ele mesmo deu o exemplo juntando-se com Geraldo Alckmin. A análise fria do potencial eleitoral de cada um e do perfil do eleitorado gaúcho indica que a chapa mais promissora seria esta: Beto Albuquerque (governador), Edegar Pretto (vice), Manuela D’Ávila ou Pedro Ruas (senado).

Por que não rola? Pelo que já foi desenhado acima e outras coisinhas mais. Petistas têm muitas reservas a Beto Albuquerque, que se vê como mais bem posicionado para vencer e já disse que não apoia quem não o apoia. Observador minúsculo e gelado, ainda mais com este inverno brutal, posso dizer o seguinte: se ficarem separados, como tudo ainda indica, melhor queimar uma etapa e começar desde já a fazer campanha por Eduardo Leite contra Ônyx Lorenzoni ou Luís Carlos Heinze. Fica a dica.

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