Juremir Machado da Silva

Lula pode ganhar no primeiro turno?

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Lula pode ganhar no primeiro turno? Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

Há pesquisas para vários gostos e ideologias, mas não para todos. João Dória e Simone Tebet, por exemplo, lambem o rodapé da tabela nos levantamentos de todos os institutos. A mais recente sondagem, da Genial/Quaest, mostra Lula em primeiro lugar (46% das intenções de voto), Jair Bolsonaro em segundo (29%), Ciro Gomes (7%), João Dória e André Janones (3%), Simone Tebet (1%). Trocando em números quentes essas estatísticas frias, Lula tem mais do que a soma dos demais candidatos. Se isso for parar nas urnas, ganha no primeiro turno. Além disso, a tendência é engolir os votos de Ciro Gomes.

Imaginemos o seguinte cenário: uma semana antes da eleição Lula continua roçando a vitória no primeiro turno. O que faz o eleitor de Ciro Gomes? Migra para Lula. Afinal, para quem se vê do centro para a esquerda, a missão primordial é liquidar o capitão de malícias.

O principal inimigo de Jair Bolsonaro são os números. Manchetes de jornal como esta podem levá-lo a beijar a lona antes de um segundo turno com potencial de embolar o jogo: “Com inflação alta, produtos da cesta básica sobem até 18% em abril”. É a economia, estúpido!

A inflação anda nas nuvens. Se o presidente não fosse adotado pelo clube dos mais ricos, um processo de impeachment já estaria em curso. Crimes de responsabilidade não faltariam para embasar uma demissão rápida, necessária e juridicamente inquestionável.


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Bolsonaro, contudo, também manipula números como se fossem armas: os 400 reais do Auxílio Brasil são a sua munição mais robusta para tentar virar o jogo. Até agora, como se sabe, nunca assumiu a ponta em qualquer pesquisa. Em contrapartida, não perde o segundo lugar. A terceira via deu com os burros n’água faz tempo. Vive à espera de um milagre. Nem santo Merval Pereira consegue salvá-la.

Para quem possa não saber, Merval Pereira é colunista de O Globo e, mesmo sem obra, presidente da Academia Brasileira de Letras. Ele amava Sérgio Moro, que amava a ideia de ser presidente da República, mas, por não ser do ramo, atrapalhou-se nas suas estratégias pífias e vazou a jato da condição de candidato. No Podemos ele dizia “sim, eu posso”. No União Brasil ele ainda procura um cargo para chamar de seu e não ficar desempregado. Por seu turno, desamparado e desesperado, Merval Pereira quer três candidatos em segundo turno. Como não haverá virada de mesa por agora, não vai rolar essa ideia safadinha.

Safada mesmo foi a ideia de um orçamento secreto com verba pública na era bolsonarista. A manchete diz tudo: “Relator do Orçamento e mãe de Ciro Nogueira são os campeões de verba política”.


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Quantos votos teve a mãe de Ciro Nogueira para o senado? Zero. Ela está lá por ser suplente do filho, que virou ministro, como chefe do centrão, para salvar o governo de Jair Bolsonaro do naufrágio.

Salvação tem preço, mesmo com o governo afundado.

Tabela de verbas das emendas do relator

(campeões de bilheteria):

Márcio Bittar (União Brasil-AC) R$ 460,2 milhões
Eliane Nogueira (PP-PI) R$ 399,2 milhões
Arthur Lira (PP-AL) R$ 276,8 milhões
Rodrigo Pacheco (PSD-MG) R$ 180,4 milhões
Fernando Bezerra (MDB-PE) R$ 143 milhões

Bom filho, Lira mandou dinheiro para o município administrado pelo pai. Barra de São Miguel ganhou R$ 6 milhões. Não se pode negar que o deputado é homem de família. A mãe e o pai que o digam.

No Rio Grande do Sul, o senador Luis Carlos Heinze aparece na televisão apresentando-se como pré-candidato ao Piratini tendo como companhia, parceiro, avalista, o capitão Jair Bolsonaro.

Deus nos livre e guarde!

Em nome da democracia, da ciência, da diversidade e da sensatez.

Qualquer um, de qualquer partido e qualquer ideologia, que não seja negacionista nem invoque o negacionista Bolsonaro, pode ser.

É só uma questão de princípios.

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