Juremir Machado da Silva

Mínimas do Máximo

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Mínimas do Máximo Foto: Gayatri Malhotra / Unsplash

Pouco conhecido nas redes sociais por viver numa praia do sul do mundo onde nem sempre tem sinal de internet, Máximo é autor de mínimas anotadas à mão, que podem ser usadas em agendas, especialmente nas agendas virtuais de quem não tem compromissos urgentes. Máximo tem acompanhado a invasão da Ucrânia pela Rússia do jeito que pode.

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Toda ocupação de um país pela força é um ato de fraqueza moral.

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Agressor é aquele que, não tendo levado o primeiro soco, pode continuar negociando em posição de defesa. O resto é justificativa.

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Schopenhauer disse “o destino baralha as cartas, e nós jogamos”. Putin corrigiu: “Eu baralho as cartas e jogo”. O Ocidente discorda.


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Karl Kraus era otimista do seu jeito: “O mal nunca prospera melhor do que quando lhe põem um ideal à frente”. Na hipermodernidade, o mal nunca prospera melhor do que quando lhe põem um louco no comando.

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Tolstoi fez refletir, em “Guerra e paz”, antes de os jovens generais russos e austríacos jogarem-se na derrota de Austerlitz: “A gente muito moça gosta de fugir às notas batidas, prefere exprimir seus sentimentos de maneira sua própria e que não lembre as coisas convencionadas, e por vezes hipócritas, da gente mais velha”. Máximo discorda por razões que não faz a mínima de explicar. Para ele, não há conflito de gerações, nem Napoleão à espreita, mas Putin, o que já é uma maneira de reduzir a história a uma nota de rodapé cheia de sangue.

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A velhice é uma invenção recente fadada ao desaparecimento.

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A juventude é a eternidade entre alguns aniversários.

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Tem dias que o sol do amanhecer é a única luz no fim do túnel.

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Na época das utopias, quando tudo era possível em tese, um amigo poeta dizia: “Eu me contradigo, sim, por que meu sangue nunca coagula”. Nestes tempos pragmáticos ele é aconselhado a procurar atendimento.

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Ideologia é o nome que se dá à teoria dos outros.

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Digital: quando os dedos já não deixam marcas em papel.

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(In)temporais: a opinião pública é a mais terrível das ditaduras. O homem que luta contra ela, suicida-se. O homem que a ela se submete, torna-se escravo. Eis a prova de que a liberdade de expressão silencia por medo. A opinião pública nas redes sociais não perdoa: cancela.

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Acidez: capacidade de falar mal com o bom tempero.

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Liberdade é tudo: por isso só temos um pouco.

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A força das estruturas é impiedosa e acachapante. Maior do que ela só a força dos indivíduos excepcionais, que mudam a história.


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Putin que pariu.

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