Juremir Machado da Silva

Racismo no futebol

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Racismo no futebol O colorado Edenilson (D) denunciou jogador do Corinthians por xingamento racista (Foto: Ricardo Duarte/Inter Divulgação)

Rafael Ramos, jogador do Corinthians, chamou o meio-campista negro Edenilson, do Internacional, de macaco. A vítima denunciou na hora a agressão racista. O árbitro da partida deixou rolar. Como não ouvira, entendeu que nada lhe cabia fazer no momento. O jogo seguiu “normalmente”.

O futebol continua sendo um dos ambientes mais reacionários, racistas, machistas, homofóbicos e tristemente imutáveis do planeta.

Edenilson prestou queixa e Ramos foi preso. Na mesma noite, acabou liberado com pagamento de fiança. Responderá processo em liberdade.

O agressor precisa ser punido pelas justiças comum e desportiva.

Há alguns anos o Grêmio foi punido com perda de pontos no famoso caso do goleiro Aranha, o jogador santista alvo de racismo de uma torcedora. O mesmo precisa acontecer com o Corinthians e com qualquer clube que tenha manifestações racistas de um dos seus jogadores em campo ou dos seus torcedores nas arquibancadas. Tolerância zero com racismo.

Durante décadas o racismo no futebol foi encoberto até pela mídia. O mundo mudou. Não se pode mais acobertar atos infames e ignominiosos.

Mas o futebol continua no seu atoleiro. Se jogadores negros brilham nos gramados, ainda são poucos os treinadores negros. Presidentes de clubes de primeira e segunda divisões, então, nem sei se existem.

O comando do futebol permanece como espaço do homem branco. Quando surge uma mulher empoderada, como no Palmeiras, o incômodo é geral.

Há poucos dias um clube brasileiro apresentou a primeira médica a atender atletas durante um jogo. Que mundo é esse? Que loucura é essa?

Há gays em todos as atividades: nas forças armadas, na Brigada Militar, em tudo. Menos entre jogadores de futebol das primeiras divisões. Que mistério é esse? Que exceção é essa? A homofobia parece que fala alto.

Negros são estrelas em campo. Quanto são os comentaristas negros nas grandes emissoras do Rio Grande do Sul? Jogam, mas não comentam?

O fanatismo clubista leva torcedores a querer punir adversários e a passar pano para o racismo dos seus. É necessário ser implacável.

Edenilson fez a coisa certa: denunciou, prestou queixa, exigiu pedido de desculpas. Rafael Ramos teria insistindo que o colorado ouviu errado. Ele teria dito apenas “Mano, caralho”, como reaç˜ão ao treinador do Inter.

O futebol tem muito a aprender para se tornar respeitável.

A sociedade brasileira também.

O racismo anda solta nos estádios de futebol, nas ruas, por toda parte. Há pouco uma defensora pública chamou um rapaz de macaco. No Distrito Federal, uma mulher fez o mesmo com o atendente de um quiosque. Espaço de ascensão social econômica para jovens pobres, o futebol precisa se tornar também um lugar de plena cidadania e respeito à diversidade.

Dá-lhe, Edenilson.

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