Juremir Machado da Silva

Um desastre chamado Bolsonaro

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Um desastre chamado Bolsonaro Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Faz tempo que o Brasil foi para o brejo e atolou. Exatamente três anos e meio. O tempo em que tem sido governado pelo mais despreparado dos seus presidentes, o capitão, refugo do exército, Jair Bolsonaro. O resultado dessa aventura impulsionada pela mídia, pela Lava Jato, pelo mercado e pela classe média é acachapante: inflação alta, desemprego, fome, militarização do governo, declarações golpistas a todo momento e deterioração da imagem do país no exterior. Bolsonaro é um desastre.

O mercado, no entanto, ainda pensa em reelegê-lo. Foi o único setor a não dar logo um pio depois da reunião do presidente da República para falar mal do sistema eleitoral brasileiro e de três ministros do Supremo Tribunal Federal a embaixadores convidados. Um vexame. O lema do mercado brasileiro é rasteiro: se dá dinheiro, vale a pena. Se vale a pena, dá dinheiro. Não há moral nem princípios. A democracia é um detalhe. Vale lembrar que o mercado apoiou a ditadura midiático-civil-militar de 1964 e sempre foi apaixonado pelo regime de Augusto Pinochet, no Chile.

O Brasil voltou ao mapa da fome, a inflação está descontrolada, os pedidos de impeachment avolumam-se nas gavetas de Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, a quem Bolsonaro entregou parte do governo para não ser defenestrado do poder, e as regras mínimas do decoro são quebradas todo dia. Em desespero, Bolsonaro e o centrão inventaram um Estado de Emergência para driblar impedimentos de ano eleitoral e aprovar polpudos recursos com o objetivo de recuperar a imagem em queda livre do candidato a novo desastre, no que se pode chamar de PEC da demagogia, PEC da vergonha nacional ou, segundo alguns, PEC da compra de votos.

Nada há de positivo nos quase quatro anos de aventura de um incompetente na presidência da República. A educação está em choque. O negacionismo do presidente durante a pandemia ainda ressoa nos ouvidos de quem perdeu familiares para a covid-19. Nunca se ouviu tanta bobagem sobre vacinas, remédios ineficazes contra o vírus e previsões sem qualquer fundamento. Se fosse necessário escolher uma imagem para sintetizar a triste figura de Bolsonaro no poder, como um flagrante do absurdo que ele constitui, seria aquela em que ele oferece cloroquina para uma ema. Ali está Bolsonaro de corpo inteiro: falastrão, ignorante, bravateiro, indiferente à ciência, provocador barato, estúpido, boçal.


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Durante muito tempo historiadores, com o devido distanciamento das décadas, perguntarão: como foi possível? Como foi que o Brasil elegeu um homem tão inadequado para seu governante máximo? Sim, prevaleceu o antipetismo. Mas, no primeiro turno da eleição de 2018, havia um leque de opções de centro esquerda e centro direita. Parece que um mistério orientou o eleitor a escolher o pior, o mais escrachado, conhecido por suas declarações machistas, racistas, homofóbicas, seus elogios ao torturador Brilhante Ustra, sua nostalgia da ditadura militar, seu horror à democracia, sua falta de cultura, de pudor, de educação e bom senso.

A vitória de Bolsonaro parece ter sido uma vingança de ressentidos, uma banana para a democracia, para o politicamente correto, para a ideia de inclusão, para o combate a preconceitos e para o século XXI. Não existe democracia em que militares façam controle paralelo de apuração eleitoral. Em democracia consequente, militares da ativa ficam nos quartéis, não em ministérios. Bolsonaro enxovalhou o Brasil. Apesar disso, quer mais e ainda tem quem julgue razoável dar-lhe mais um mandato.

Tudo indica que ele será derrotado pela inflação.


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Até agora ninguém se reelegeu contra inflação alta.

Só a inflação pode salvar o Brasil de Bolsonaro.

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