Nando Gross

Brasil: Uma Ausência Alarmante no Cenário Global do Futebol Feminino

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Brasil: Uma Ausência Alarmante no Cenário Global do Futebol Feminino Torcedores lotam a Neo Química Arena na final da supercopa feminina. Créditos: Divulgação / CBF

O Brasil, conhecido mundialmente como o país do futebol, enfrenta uma triste realidade quando se trata do futebol feminino. Com mais de 100 milhões de mulheres, o país não consegue se destacar no cenário global, em uma comparação que nos deixa à margem do jogo. Um recente mapa mundial criado pela FIFA destaca essa disparidade de forma gritante: o Brasil simplesmente não aparece. Enquanto os Estados Unidos lideram com mais de 100 mil atletas profissionais registradas, nós estamos praticamente invisíveis nesse panorama. E se isso não fosse suficiente, a Conmebol, nossa confederação continental, está anos-luz atrás de outras regiões, investindo apenas uma fração do que é despendido pela UEFA, por exemplo.

O contraste é ainda mais chocante quando olhamos para os números: com menos de 12 mil atletas registradas, o Brasil contribui com apenas 0,01% da participação feminina no futebol profissional. Se aplicássemos o índice da Noruega a todos os países, teríamos quatro vezes mais jogadoras profissionais em todo o mundo.

Mas há esperança. Segundo dados recentes, o Brasil é o terceiro maior mercado mundial para o futebol feminino. No entanto, para capitalizar esse potencial, precisamos de investimentos estruturais e um esforço coletivo para atrair mais mulheres para jogar, trabalhar e assistir futebol em nosso país. O faturamento do esporte profissional feminino no mundo está crescendo exponencialmente, alcançando US$ 1,3 bilhão em 2024, um aumento impressionante de 88% desde 2022. E com mais de 1 bilhão de fãs do futebol feminino globalmente, esse número só tende a aumentar nos próximos anos.

Então, qual é o futuro do futebol feminino no Brasil?

Para começar, precisamos acelerar os investimentos, implementar campanhas de marketing eficazes e garantir uma representação mais equitativa das mulheres em cargos de liderança na CBF, nas federações e nos clubes. Os patrocinadores têm um papel crucial a desempenhar, pois possuem os recursos e o poder para impulsionar o futebol feminino como um produto de marketing atrativo. Além disso, devemos destacar nossas atletas femininas como verdadeiras impulsionadoras do esporte para todas as faixas etárias. Precisamos incentivá-las a serem ícones, inspirando crianças, jovens e adultos a participar e apoiar o futebol feminino.

A prática esportiva desempenha um papel fundamental na formação e por isso, precisamos incentivar mais meninas a praticar o esporte desde cedo. E não podemos esquecer do público masculino. Pesquisas mostram que homens jovens assistem mais futebol feminino que mulheres maduras e a diferença entre mulheres e homens na audiência geral é pequena na média, portanto, um produto para todos.

É preciso entender o sucesso do futebol feminino nos Estados Unidos e o fator-chave está no alto número de meninas em idade escolar praticando a modalidade. Precisamos replicar essa abordagem aqui no Brasil, garantindo que o futebol feminino seja acessível e incentivado em todas as esferas da sociedade.  O futuro do futebol feminino no Brasil é promissor, mas só será alcançado com esforço conjunto, investimentos adequados e uma mudança de mentalidade em relação ao esporte.

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