Nando Gross

O Conflito de Valores na Seleção Brasileira

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O Conflito de Valores na Seleção Brasileira Yan Couto afirma que a CBF o orientou a não manter o cabelo rosa Vitor Silva/CBF

A Seleção brasileira sempre foi um símbolo de orgulho nacional, mas esta relação sofreu enormes desgastes nos últimos anos, culminando com a decisão de Neymar de fazer campanha política para Jair Bolsonaro pouco antes da Copa do Mundo, fato que acabou afastando uma enorme parcela do povo brasileiro da sua seleção, afinal não mais se sentia representado pelos seus jogadores e pelo seu melhor atleta. Daniel Alves seguiu o mesmo caminho fazendo campanha política e só foi levado para a Copa do Mundo, porque, segundo o técnico Tite, tratava-se de uma liderança positiva no grupo. Todos sabem onde está Daniel Alves agora, preso por estupro na Espanha.

Neste momento, acompanhamos uma série de decisões questionáveis da Confederação Brasileira de Futebol, gerando controvérsia e levantando questões sobre as prioridades da entidade.  Enquanto a CBF impõe regras estritas sobre a aparência dos jogadores, proibindo cabelos coloridos, brincos e colares, e até mesmo o uso de fones de ouvido, ela parece menos preocupada com questões mais graves que afetam o esporte. O caso de Yan Couto, obrigado a mudar a cor (rosa) de seu cabelo, serve como um símbolo das prioridades distorcidas da entidade.

A imposição dessa medida não apenas restringe a liberdade individual do jogador, mas também revela uma mentalidade retrógrada e discriminatória. Ao ceder a uma norma que parece mais preocupada com a aparência do que com o caráter ou habilidades de um atleta, a CBF expõe sua falta de sensibilidade em relação às questões de diversidade e inclusão.

Mais preocupante ainda é a aparente incoerência nas políticas da entidade. Enquanto Yan Couto é repreendido por sua escolha de coloração nos cabelos, a entidade parece disposta a fechar os olhos para casos mais graves, como a presença de um jogador acusado pela Federação Inglesa de Futebol, de envolvimento em esquemas de apostas. Ao mesmo tempo que se ocupam em policiar a aparência dos atletas, parece haver uma negligência alarmante em relação à integridade do esporte. Teve que uma mulher, Leila Pereira, quando estava como chefe da delegação brasileira, repudiar a atitude de Daniel Alves, já que a entidade se calou.

Essa contradição compromete os valores fundamentais do futebol. Em um momento em que o esporte deve se esforçar para ser inclusivo, a CBF parece estar ancorada em práticas ultrapassadas e discriminatórias. Em vez de focar em questões estéticas, a entidade deveria direcionar sua atenção para questões mais importantes, como a integridade do jogo e a promoção da diversidade. Somente assim a Seleção Brasileira poderá se reaproximar do povo brasileiro, afinal de contas, a impressão atual é de que ela está ficando cada dia mais distante.

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