Desapaga POA

O que é o Desapaga POA

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O que é o Desapaga POA Desapaga POA é o podcast que surge para desapagar os apagados da história de Porto Alegre: negres, indígenas e periferias.

O “Desapaga POA” é um novo canal de podcast, criado para desapagar a história negra, indígena e das periferias às vésperas da cidade completar 250 anos.

Os áudios trazem histórias como as lendas do escravo Josino, da Maria Degolada e da índia Obirici, entre outras que marcam a história do centro e a evolução das periferias da cidade.

Os áudios em podcast estarão disponíveis a partir de 30 de abril nos diversos agregadores.

Financiado com recursos da Lei Aldir Blanc e selecionado em edital organizado pela Secretaria Estadual da Cultura e Fundação Marcopolo, o DESAPAGA POA se propõe a “desapagar” a história de negros, indígenas e periferias, às vésperas da cidade completar 250 anos de sua data oficial de fundação.

No seu primeiro episódio, o podcast destaca os perímetros antigos da cidade, lembrando que Porto Alegre possuía um portão localizado aproximadamente onde hoje está a praça Argentina e que o primeiro mapa definindo o arruamento inicial, desenvolvido pelo Capitão Alexandre José Montanha, em 1772, está desaparecido. Em 1940, o historiador Paranhos Antunes publicou o que seria um esboço dessa planta original, com algumas das ruas principais, paralelas ao cais do porto – como a rua da Praia, a Rua da Ponte (atual Riachuelo) e a Rua da Igreja (atual Duque de Caxias) – cortadas por outras transversais no sentido cais em direção ao alto do morro da atual Catedral e do Palácio Piratini. Desde então, transgredindo o planejamento do Capitão Montanha, surgiram os becos e as ruas secundárias – o lugar onde viviam os mais pobres – e uma primeira divisão segregadora entre cidade alta e cidade baixa – entre uma Porto Alegre “intramuros” e outras que se estabeleceu nas áreas mais alagadiças do seu entorno antigo.

O episódio no 1 do Despaga POA – que tem como foco o tema as “periferias da cidade” – destaca também a lenda da Maria Degolada, a santificada personagem vítima de um feminicídio em 1899, no Morro da Conceição, finalizando com uma análise sobre os contextos em que apareceram as expressões “favelas”, no Rio de Janeiro, e “malocas”, em Porto Alegre, associados à lugares marginalizados em relação à cidade formal.

“A Porto Alegre da virada do século XIX para o XX é uma cidade que está inserida no contexto da revolução técnico-científica, quando surge o primeiro sistema de iluminação à gás, os bondes com tração animal e depois os elétricos, as primeiras redes de água e esgoto, o telégrafo, o telefone, a fotografia o cinematógrafo, transformações que causam grande impacto em cidades como o Rio, São Paulo e Porto Alegre, que passam, então por um processo de reformas urbanas marcadas por uma visão das elites republicanas, que queriam inserir o Brasil no capitalismo internacional.” Explica o professor da PUCRS e doutor em história social Charles Monteiro, em depoimento ao podcast, salientando que estas reformas que criaram ruas e praças para a sociabilidade das elites de então, dos cafés e restaurantes, expulsou os que viviam nos cortiços e porões do centro para a periferia e para as partes mais baixas junto ao rio, enquanto as elites ocupavam a linha alta do morro da Independência. Estabeleceu-se, desde então, pelo menos duas cidades: a do centro e a da periferia.

Nesta primeira fase, o DESAPAGA POA vai produzir 10 episódios no formato podcast abordando temas relacionados a personagens, fatos, lendas e instituições da história de negros, negras, negres, indígenas e periferias na construção da cidade. A cada semana será divulgado um episódio com duração de mais ou menos 50min. Além de estarem disponíveis gratuitamente nos diversos agregadores de podcast (Spotify, Cast Box, Deezer, iTunes, entre outros), os áudios serão reproduzidos todos os sábados, às 9h, pela Rádio FM Cultura (107,7).

“O podcast é como um programa de rádio que você pode ouvir no celular, no mesmo lugar onde você costuma ouvir música – com narração das histórias, depoimentos de especialistas e trilha sonora que ambienta a narrativa – que se pode ouvir enquanto fazemos um serviço doméstico, em casa; nas caminhadas ou na academia de ginástica; num trajeto de carro ou no ônibus, com fone de ouvido,” explica Vítor Ortiz, coordenador do projeto. A escolha dos temas abordados e a pesquisa para produção dos roteiros é realizada por um grupo de 20 pesquisadores formado por historiadores, museólogos e antropólogos.

O segundo e o terceiro episódios da série vão focar nas histórias dos negros e dos indígenas na Capital. A lenda do escravizado Josino – que teria rogado uma praga que atrasou em cem anos a conclusão da Igreja das Dores ao ser enforcado por uma falsa acusação de roubo; a história da irmandade do Rosário e dados que demonstram que a maioria da população da Vila Madre de Deus de Porto Alegre era negra, nas primeiras décadas do século XIX, são temas do podcast no 2 do projeto.

No podcast no.3 da série, o roteiro procura desvendar quem eram os povos indígenas que viviam na região onde surgiu a Freguesia do Porto dos Casais. Entre os destaque está a lenda da Obirici, a índia cujas lágrimas teriam formado o arroio Passo D’Areia e que tem uma estátua e um movimentado viaduto com seu nome. O projeto procura demonstrar a diversidade dos indígenas que habitaram o Rio Grande do Sul e o Uruguai – e que estavam presentes no momento da colonização – e sua incorporação na sociedade que adotou um modelo europeu de existência e edificou cidades como Porto Alegre.

A trilha sonora dos podcasts do Desapaga POA é toda ela original, contando com a direção, criação e montagem de Bebeto Alves e participação do professor de canto e dança guarani Arlindo Kuarai.

PARCERIA COM MATINAL JORNALISMO

Todos os roteiros para leitura, bibliografia e uma seleção de imagens organizada pela equipe de pesquisadores do projeto estará disponível no site matinaljornalismo.com.br/desapagapoa

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