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Dilemas éticos envolvidos nos “passaportes imunológicos”

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Dilemas éticos envolvidos nos “passaportes imunológicos” Essa é a íntegra da entrevista com Nythamar de Oliveira, professor de Filosofia na PUCRS, concedida para ao artigo Bioética e Covid-19: como tomar decisões que afetam vidas? Por Felipe Schroeder Franke*  “A universalização efetiva da saúde pública no Brasil através do SUS (…), é a meu ver, uma das maiores e incondicionais prioridades de nossas políticas de Estado.” Nythamar de Oliveira é professor de Filosofia na PUCRS. Intelectual extremamente ativo, integra diversos grupos e iniciativas acadêmicas, entre as quais se destacam uma parceria com o Instituto do Cérebro, da mesma universidade, e sua presença como membro do Comitê de Bioética Clínica do Hospital São Lucas. Nesta conversa, feita por email, falamos sobre as contribuições da filosofia para a sociedade em termos de pandemia, dilemas éticos envolvidos nos “passaportes imunológicos” e os desafios do Brasil, em sua desigualdade e complexidade, na pandemia. 1. Para iniciar nossa conversa e situar nosso leitor, gostaria que você nos falasse um pouco sobre suas atividades acadêmicas. Sei que você se ocupa bastante com as áreas da filosofia moral, ética e política. Você também tem uma aproximação com o Instituto do Cérebro (São Lucas/PUCRS) e mantém um seminário (muito interessante, aliás) sobre filosofia e neurociências. Você poderia nos falar, brevemente, sobre suas atividades e principais interesses de pesquisa? Desde 1994, tenho desenvolvido projetos de pesquisa em Ética e Filosofia Política, apoiado pelo CNPq (Bolsista de Produtividade em Pesquisa). Iniciei com um programa de pesquisa em teorias da justiça (autores contemporâneos como John Rawls, Jürgen Habermas, Seyla Benhabib, Axel Honneth e representantes da chamada Escola de Frankfurt) e nos últimos 10 anos tenho desenvolvido um programa de pesquisa sobre normatividade e naturalismo. Após 5 anos como professor de Ética e Filosofia Política na UFSC, iniciei minhas atividades de ensino, pesquisa e extensão na PUCRS em 1999, onde fui coordenador do PPG em Filosofia (nos últimos 10 anos, avaliado com nota 6 da CAPES, sempre entre os 5 melhores do País) e sou atualmente Editor-Chefe da revista Veritas (criada há mais de 60 anos), membro do Comitê de Bioética Clínica (Hospital S. Lucas) e membro da comissão coordenadora do Centro Brasileiro de Pesquisas em Democracia (que fundei em 2009). Fui convidado pelo fundador e Diretor do Instituto do Cérebro (InsCer), Dr. Jáderson da Costa, atual vice-reitor da PUCRS, a iniciar e coordenar um grupo de pesquisa interdisciplinar em Neurofilosofia (filosofia da neurociência) e desde 2012 tenho oferecido um seminário de pós-graduação nessa área (website: nythamar.com/neurophilosophy) em inglês (mas também com discussões em português) e desenvolvemos atividades de pesquisa, em torno do tema “Cérebro Social”, tendo organizado vários workshops, colóquios e seminários internacionais apoiados pelo CNPq, CAPES, FAPERGS, CDEA (Centro de Estudos Europeus e Alemães) e Fundação Humboldt (da qual fui bolsista na Alemanha em 2004-05). Nossa pesquisa atual busca identificar e reparar os déficits fenomenológicos da Teoria Crítica (reconstrução normativa da Escola de Frankfurt) e do naturalismo (na chamada neurociência cognitiva social), reformulando o que seria uma abordagem fenomenológico-analítica capaz de responder aos desafios normativos de modelos […]

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Essa é a íntegra da entrevista com Nythamar de Oliveira, professor de Filosofia na PUCRS, concedida para ao artigo Bioética e Covid-19: como tomar decisões que afetam vidas? Por Felipe Schroeder Franke*  “A universalização efetiva da saúde pública no Brasil através do SUS (…), é a meu ver, uma das maiores e incondicionais prioridades de nossas políticas de Estado.” Nythamar de Oliveira é professor de Filosofia na PUCRS. Intelectual extremamente ativo, integra diversos grupos e iniciativas acadêmicas, entre as quais se destacam uma parceria com o Instituto do Cérebro, da mesma universidade, e sua presença como membro do Comitê de Bioética Clínica do Hospital São Lucas. Nesta conversa, feita por email, falamos sobre as contribuições da filosofia para a sociedade em termos de pandemia, dilemas éticos envolvidos nos “passaportes imunológicos” e os desafios do Brasil, em sua desigualdade e complexidade, na pandemia. 1. Para iniciar nossa conversa e situar nosso leitor, gostaria que você nos falasse um pouco sobre suas atividades acadêmicas. Sei que você se ocupa bastante com as áreas da filosofia moral, ética e política. Você também tem uma aproximação com o Instituto do Cérebro (São Lucas/PUCRS) e mantém um seminário (muito interessante, aliás) sobre filosofia e neurociências. Você poderia nos falar, brevemente, sobre suas atividades e principais interesses de pesquisa? Desde 1994, tenho desenvolvido projetos de pesquisa em Ética e Filosofia Política, apoiado pelo CNPq (Bolsista de Produtividade em Pesquisa). Iniciei com um programa de pesquisa em teorias da justiça (autores contemporâneos como John Rawls, Jürgen Habermas, Seyla Benhabib, Axel Honneth e representantes da chamada Escola de Frankfurt) e nos últimos 10 anos tenho desenvolvido um programa de pesquisa sobre normatividade e naturalismo. Após 5 anos como professor de Ética e Filosofia Política na UFSC, iniciei minhas atividades de ensino, pesquisa e extensão na PUCRS em 1999, onde fui coordenador do PPG em Filosofia (nos últimos 10 anos, avaliado com nota 6 da CAPES, sempre entre os 5 melhores do País) e sou atualmente Editor-Chefe da revista Veritas (criada há mais de 60 anos), membro do Comitê de Bioética Clínica (Hospital S. Lucas) e membro da comissão coordenadora do Centro Brasileiro de Pesquisas em Democracia (que fundei em 2009). Fui convidado pelo fundador e Diretor do Instituto do Cérebro (InsCer), Dr. Jáderson da Costa, atual vice-reitor da PUCRS, a iniciar e coordenar um grupo de pesquisa interdisciplinar em Neurofilosofia (filosofia da neurociência) e desde 2012 tenho oferecido um seminário de pós-graduação nessa área (website: nythamar.com/neurophilosophy) em inglês (mas também com discussões em português) e desenvolvemos atividades de pesquisa, em torno do tema “Cérebro Social”, tendo organizado vários workshops, colóquios e seminários internacionais apoiados pelo CNPq, CAPES, FAPERGS, CDEA (Centro de Estudos Europeus e Alemães) e Fundação Humboldt (da qual fui bolsista na Alemanha em 2004-05). Nossa pesquisa atual busca identificar e reparar os déficits fenomenológicos da Teoria Crítica (reconstrução normativa da Escola de Frankfurt) e do naturalismo (na chamada neurociência cognitiva social), reformulando o que seria uma abordagem fenomenológico-analítica capaz de responder aos desafios normativos de modelos […]

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