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Acionistas cobram explicações da Fraport antes de “socializar custos”

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Acionistas cobram explicações da Fraport antes de “socializar custos” Foto: Mauricio Tonetto / Secom

A organização alemã Dachverband Kritische Aktionäre (Articulação de Acionistas Críticos) – que compra ações de empresas listadas na Bolsa de Frankfurt para fazer cobranças às companhias – exige explicações da Fraport sobre avaliações prévias da empresa em relação à inundação do Aeroporto Salgado Filho, fechado desde 3 de maio e com projeção de voltar a operar apenas no fim do ano.

“Nos contratos de concessão habituais no Brasil, que a Fraport assinou com o Estado brasileiro, ‘força maior’ só é considerada uma razão se não for verificável que possa haver algo pelo qual a operadora possa ser responsabilizada. Portanto, exigimos primeiro um inventário honesto e implacável, antes de os custos serem socializados e após os lucros terem sido privatizados” (tradução livre), questiona o jornalista Christian Russau, integrante da articulação, em comunicado divulgado em 27 de maio, dia anterior à Assembleia Geral Anual de 2024 da empresa. “A Fraport deve divulgar quais análises de risco e precauções contra danos foram tomadas no local do aeroporto de Porto Alegre, propenso a inundações, e por que elas falharam tão inegavelmente”, demanda a organização.

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Desde 2019 a articulação de acionistas monitora a atuação da Fraport em Porto Alegre. Na assembleia geral da empresa naquele ano, Russau cobrou duramente o CEO da Fraport, Stefan Schulte, sobre a remoção dos moradores da Vila Nazaré para ampliação da pista do terminal, concluída três anos mais tarde. Em julho daquele ano, Russau visitou Porto Alegre para acompanhar o caso e concedeu entrevista coletiva em português.


Nos últimos dias, a Fraport estimou em 1 bilhão de reais a recuperação do aeroporto e solicitou revisão do contrato firmado com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Apuração do jornalista Leandro Demori informa que, no contrato assinado entre Fraport e Anac, “eventos de força maior” estariam sob responsabilidade da empresa. Segundo o Sul21, que também teve acesso ao contrato, a cobertura do seguro, incluindo casos de inundações, contemplaria o limite máximo do acordo, cerca de 2,9 bilhões. Já a Fraport alega que o valor do seguro contra enchentes seria de 130 milhões.

RS vai contar com novo radar, mas precisa aprimorar “cultura da meteorologia”

Chegou hoje ao Brasil o novo radar meteorológico que será instalado em Montenegro, no Vale do Caí, a 63 quilômetros da capital. O equipamento, que promete mapear chuvas com maior precisão e rapidez, tem sido citado pelo governo de Eduardo Leite (PSDB) como uma das providências tomadas após os eventos extremos de 2023. Mas para além de aprimorar a qualidade e agilidade dos dados meteorológicos, o estado precisa aprimorar a “cultura meteorológica”, defende Marcelo Schneider, coordenador do distrito de meteorologia de Porto Alegre do Inmet. Em entrevista à Agência Pública, ele destaca como a tragédia evidenciou a necessidade de ampliar o alcance das informações e qualificar a compreensão dos alertas pela população e pelos gestores públicos. “Há espaço para a comunicação chegar de forma ainda mais rápida e efetiva”, afirmou.

Ao longo do mês de maio, a Matinal apontou diversas falhas nos alertas feitos pelo poder público. Reportagem do dia 29 mostrou que ​​apenas 0,17% da população da capital recebe alertas da Defesa Civil por celular. Outras matérias revelaram problemas nos avisos emitidos pelo município, como os atrasos no dia 6 de maio – quando a Cidade Baixa e o Menino Deus foram inundados após o desligamento da casa de bombas que atende a região e antes do aviso da prefeitura – e no dia 23 – quando moradores de várias regiões da capital foram surpreendidos com novos ou inéditos alagamentos. Na esfera estadual, houve ainda o caso do alerta da Defesa Civil do Estado que causou pânico na população ao informar que áreas altas, como o entorno da Catedral, corriam risco de alagar – o documento, no entanto, não considerava a topografia das regiões. O post acabou removido das redes sociais do órgão e do governo do estado.

Veja a íntegra da Matinal News desta quarta-feira, 12 de junho.

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