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Em meio ao caos na saúde, Leite ainda desmente Bolsonaro

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Em meio ao caos na saúde, Leite ainda desmente Bolsonaro Itamar Aguiar / Palácio Piratini

Leite desmente Bolsonaro sobre repasses federais – Em um momento em que o Brasil completou 40 dias com média móvel superior a mil mortes diárias relacionadas ao coronavírus, 19 governadores assinaram uma carta para rebater o presidente Jair Bolsonaro. No domingo, o presidente fez uma publicação acerca dos repasses aos estados sugerindo, erroneamente, que a União estava disponibilizando recursos suficientes no combate à pandemia. Os gestores estaduais salientaram que os repasses são uma obrigação constitucional do Planalto. Em Porto Alegre, o governador Eduardo Leite (PSDB) foi ainda mais além. Convocou uma entrevista coletiva para explicar e detalhar os dados. Na oportunidade, mirou em Bolsonaro de forma mais contundente: “A intenção do presidente é causar confusão, e é a narrativa oficial de quem quer se esquivar das responsabilidades por um quadro dramático que se apresenta no nosso país, pela negação da ciência e da gravidade dessa doença”, afirmou ele, acusando, de forma literal, Bolsonaro de gerar mortes que poderiam ser evitadas. No PSDB, o posicionamento do gaúcho foi visto como um diferencial na sua disputa com João Doria (🔒) para concorrer ao Planalto no ano que vem.

Após Porto Alegre, o RS – Dias depois do esgotamento do sistema de saúde de Porto Alegre, a rede hospitalar do Rio Grande do Sul apresenta sinais de colapso, beirando os 100% de ocupação de leitos de UTI no geral – em sete regiões, essa marca já foi inclusive superada. Na prática, esse esgotamento significa que o atendimento dos pacientes depende de lista de espera e que é realizado com algum grau de improvisação. E a situação deve seguir no limite por pelo menos mais três semanas, conforme estimativas de profissionais a GZH. Isso caso as restrições da bandeira preta sejam mantidas: “Deixar a transmissão mais devagar já não é suficiente. Precisamos parar de forma abrupta e significativa a circulação do vírus. Se seguirmos como está, a situação ficará ainda mais dramática”, analisou a epidemiologista Jeruza Neyeloff, da diretoria médica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Só na Capital, mais de 500 pessoas estão em leitos de UTI por causa da Covid-19. 

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Prefeitura articula compra de vacinas em meio a pedidos de lockdown – A Prefeitura de Porto Alegre solicitou à Câmara autorização para adquirir vacinas contra a Covid-19. A Capital integra um consórcio organizado pela Frente Nacional de Prefeitos, no último sábado. A tramitação deverá ser rápida e ocorre em um momento em que 11 centrais sindicais chegaram a cobrar a determinação de um lockdown na Capital. O grupo acabou convidado para participar do comitê que debate ações no enfrentamento à pandemia. O pedido dos sindicatos também foi motivado pelo número crescente de pacientes internados nas UTIs de Porto Alegre, onde, em uma semana, a quantidade de casos graves saltou 43%. Até locais criados especialmente para acolher pacientes com a Covid-19 já estão próximos de lotação. O anexo do Hospital Independência, gerenciado pelo Divina Providência, já atendeu cerca de mil pessoas desde junho e atualmente está com 80% da capacidade de ocupação. Na tentativa de aliviar o sistema de saúde, a Unimed montou uma unidade temporária para testes e o atendimento inicial de pessoas com suspeita da doença. A estrutura funcionará a partir de hoje, em uma área na sede da Amrigs. E com toda essa situação caótica, o Centro da Capital teve movimentação e algumas lojas foram flagradas abertas. 

Piratini recorre da decisão da Justiça e pais dividem-se sobre suspensão das aulas infantis – A mais recente decisão judicial que suspendeu as aulas presenciais nas escolas públicas e privadas do Rio Grande do Sul gerou uma série de mobilizações. O Governo do Estado optou por recorrer. No recurso, a Procuradoria-Geral salientou que o alerta máximo contra a Covid-19 só admite atividades remotas e as exceções são para a Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental. A norma, no entender do órgão estadual, reduz a movimentação de pessoas no ambiente escolar. A discordância da decisão da juíza Rada Maria Metzger Kepes Zaman não ficou apenas com o Executivo estadual. Representantes das escolas particulares da Educação Infantil realizaram uma manifestação. Os participantes organizaram uma carreata e pediram a reabertura das instituições de ensino. No lado oposto, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul manifestou apoio à magistrada, principalmente depois que ela sofreu ataques nas redes sociais a partir da suspensão. A Ajuris classificou o julgamento do tema como coerente, uma vez que as escolas passaram muito tempo fechadas e não deveriam abrir justamente no pior momento da pandemia, quando o Estado inteiro está sob bandeira preta. 

Depois de seleção anulada, Prefeitura lança edital para o POA Em Cena – A Prefeitura de Porto Alegre abriu ontem o período de inscrições para empresas interessadas em elaborar e formatar projetos culturais para a Secretaria Municipal da Cultura. Entre os principais eventos do calendário da cidade está o POA em Cena. No ano passado, o Município anulou a seleção da entidade que organizaria a edição 2021 do evento após denúncia publicada no Matinal Jornalismo, em dezembro. A associação que havia vencido o edital foi fundada por um CC da SMC. Relembre o caso.

Outros links:


Aula de surf

Uma pausa nas notícias para dar um pouco de risada com mais um texto da Ana Marson:

“Primeira aula, aprender os movimentos ali na areia mesmo. O hômi já tinha me colocado naquelas roupas de borracha, sob a alegação de que a água tava fria, então no alongamento e na parte teórica eu já tava colocando os bofes pra fora de tanto calor, entrei cansada no mar, tudo que queria era aquela água gelada. Quase desmaiei. Aí depois de muita luta, de onda na cara, de entrar em desespero quando vem onda grande, eu consegui, por cerca de 0,3 segundo, ficar de joelhos na prancha. E cair, me embolando de todo jeito que se pode imaginar.”

Leia a crônica completa aqui.


Cultura

Encarando o medo e a angústia com riso

Foto: Stella Carvalho/Divulgação

A ansiedade causada pela vida contemporânea – especialmente na geração millennial – dá o tom da comédia dramática brasileira Depois a Louca Sou Eu (2019), dirigida por Julia Rezende. O filme é protagonizado por Débora Falabella no papel de Dani, jovem publicitária com ambições literárias que tem de lidar com ataques de pânico e instabilidades emocionais desde a infância. O roteiro assinado por Gustavo Lipsztein adapta o sucesso literário homônimo e autobiográfico da escritora Tati Bernardi, lançado em 2016. No livro, a autora lança mão do humor e do exagero para narrar como atividades cotidianas acabam se tornando desafios exasperantes para uma jovem que lida diariamente com medos e angústias paralisantes. Leia a resenha de Roger Lerina.

Agenda 

O projeto Sementes da Retomada apresenta a liveDiálogos Musicais entre Artistas Indígenas e Não Indígenas, às 19h. Participam da conversa Renata Tupinambá, cofundadora da Rádio Yandê; Arthur de Faria e Lucas Kinoshita (produtores musicais do projeto); os músicos Marcelo Argenta e Romário Werá Xunun; e o cacique da retomada Mbya-Guarani Tekoa Ka’aguy Porã, André Benites.

Às 21h, o Sarau Elétricoconvida a escritora e ex-candidata a prefeita Manuela D’Ávila, que está lançando o livro Sempre Foi sobre Nós, para um bate-papo sobre o protagonismo das mulheres. A canja é do músico Duca Leindecker.

E mais.

Veja a agenda completa


Você viu?

coletivo autônomo Mães da Periferia, que atua com mulheres em situação de vulnerabilidade social em comunidades de Porto Alegre, Viamão e Alvorada, busca voos maiores em 2021. Uma vaquinha foi criada para a compra de um terreno que receberá um centro cultural, com espaço de acolhimento e biblioteca. O local servirá como referência para quem busca suporte e ajudará na qualificação do atendimento, já que atualmente ele é feito porta a porta. A meta é arrecadar 10 mil reais, valor referente à parcela de entrada para o pagamento do lote, que custa 25 mil reais. A ação social surgiu há pouco mais de um ano, a partir do trabalho sobre saúde coletiva da estudante do curso de Enfermagem Letícia do Nascimento.

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