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Humilhação e tortura: relatos da “salinha” do Carrefour

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Humilhação e tortura: relatos da “salinha” do Carrefour Foto: Juan Ortiz
Vítima e funcionária do Carrefour relatam humilhação e tortura em “salinha” Em 2018, dois anos antes de João Alberto Silveira Freitas ser assassinado por seguranças da unidade do Carrefour no Passo D’Areia, a publicitária Regina Ritzel Ferreira, 37 anos, negra, foi acusada injustamente de furto e humilhada por seguranças do hipermercado no bairro Partenon, na zona leste de Porto Alegre. Foi forçada a tirar a roupa, tudo em frente às filhas.  O caso foi parar na Justiça e, em setembro de 2019, o Carrefour foi condenado a pagar R$ 35 mil à Regina e às filhas em indenizações por danos morais. Na decisão, a juíza Nelita Teresa Davoglio deixa evidente que o caso não foi isolado. A empresa recorreu da decisão.  Esta é uma das histórias narradas pelo repórter Juan Ortiz e que reforçam a tese de que há um histórico de agressões nos estabelecimentos da rede francesa de supermercado. Funcionários ouvidos pelo Matinal confirmam casos de agressões e tortura na “salinha”.  “Ali guardam barra de ferro e outras coisas. Teve um dia que a gente ouviu uns gritos, gritos, gritos. Foi horrível”, contou uma funcionária da unidade do Partenon, sentada em um meio-fio durante seu intervalo no Dia da Consciência Negra, um dia após João Alberto ser assassinado na saída da loja do Passo D’Areia.  Já o líder do caixa no Partenon, Murillo Romero, negou que lá ocorressem agressões. Em nota protocolar enviada à imprensa, a rede alegou que “o Carrefour repudia todo e qualquer ato de violência, intolerância e discriminação”. Leia mais relatos na reportagem completa O que mais você precisa saber Novo ato em frente ao Carrefour e queda nas ações da rede – A semana iniciou com novo ato por justiça para o caso Beto. Manifestantes reuniram-se em frente à unidade do Carrefour no Partenon. Em outra região da cidade, no Passo D’Areia, a loja onde Beto foi espancado até a morte na noite de quinta-feira reabriu, com baixo movimento e sem sinal do pequeno memorial que havia se formado no local. A segunda-feira também foi marcada pela queda de 6,18% nas ações do Carrefour, enquanto o índice Ibovespa das principais ações registrava alta de 0,85%. Enquanto isso, um grupo de 11 multinacionais comprometeram-se a combater o racismo e publicar um plano de ação “em parceria com organizações e especialistas que possuem conhecimento legítimo dessa causa” (). O Carrefour, por sua vez, anunciou a criação de um fundo de 25 milhões de reais para combater o racismo.  Polícia investiga se morte de Beto foi crime de racismo – Investigadores buscam evidências que confirmem se o espancamento que levou João Alberto à morte por dois seguranças brancos se enquadra ou não no crime de racismo – recusar atendimento ou impedir acesso a estabelecimento comercial – ou ainda injúria racial, que é a ofensa à dignidade de alguém por causa da sua cor. Para o diretor da Divisão de Homicídios da Capital, delegado Eibert Moreira Neto, “a questão do racismo estrutural está muito evidente neste caso. Mas, para chegar no final do inquérito e indiciar os envolvidos […]

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