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Melo diminui restrições e acena com “tratamento precoce” contra a Covid-19

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Melo diminui restrições e acena com “tratamento precoce” contra a Covid-19 Reprodução Facebook

Melo traz empresários à mesa, diminui restrições e acena até com “tratamento precoce” contra a Covid-19

A nova gestão da Prefeitura de Porto Alegre indicou que dará uma guinada nas ações de combate ao coronavírus. Em consonância com o discurso de campanha – a defesa de que “saúde e economia caminham juntas” – Sebastião Melo (MDB) apresentou ontem o primeiro decreto sobre o assunto, o qual diminui as restrições e aumenta as flexibilizações, além da criação de colegiados internos, colocando na mesma mesa empresariado, representantes da saúde e de universidades.

Conforme o texto, shoppings, mercados e farmácias podem receber ocupação máxima, ainda que autorizados apenas a operar com 50% de capacidade de seus trabalhadores. Missas e cultos não têm mais tempo máximo de duração e bares e restaurantes podem abrir a hora que decidirem – antes era permitido somente a partir das 6h. Mesmo eventos, antes proibidos em locais fechados, agora poderão ser liberados. Antes, no entanto, o interessado deverá pedir autorização da Prefeitura, que se compromete a responder em sete dias.

O novo secretário da Saúde, Mauro Sparta, fez coro à defesa das novas medidas. Para ele, empresários e comércio já estão “educados” para respeitar protocolos. O foco deve ser conter as aglomerações – ainda que não tenha havido anúncio sobre ação neste sentido. “A aglomeração desorganizada é que vai trazer consequências que a gente não quer”, opinou Sparta, que comemorou não ter havido, ao menos ainda, um salto de casos em razão das festas de fim de ano. Na primeira segunda-feira do ano, Porto Alegre chegou a marca de 1.872 óbitos relacionados à Covid-19, enquanto 302 pessoas estavam em tratamento intensivo em razão do coronavírus.

Outra marca da virada no combate ao coronavírus em Porto Alegre será a adoção do “tratamento precoce”  (🔒) – ação que não tem respaldo da Organização Mundial da Saúde. Melo evitou adiantar se o remédio a ser disponibilizado será a cloroquina e se é a favor ou contra a medida. Porém, justificou que o tratamento é adotado por diversos municípios. “Se o médico receitar e o paciente concordar, compete ao gestor disponibilizar”, resumiu.

Saiba mais: No ano passado, o Matinal publicou uma reportagem que explicava a pressão sobre as prefeituras que oferecem o “kit-Covid” e alertava sobre os perigos do uso indiscriminado desses medicamentos.


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O que mais você precisa saber

Porto Alegre quer liderar movimento por subsídio da União para o transporte coletivo – Criado ontem, o Grupo de Trabalho (GT) sobre mobilidade na Capital terá 10 dias para apresentar novo plano para o transporte público da cidade (🔒). O grupo é liderado pelo secretário municipal de Mobilidade Urbana, Luiz Fernando Záchia, e reúne representantes das empresas de ônibus. São estudadas a redução de isenções e descontos em passagens que não sejam constitucionais. Sobre a possibilidade de voltar a debater a eliminação de cobradores em alguns horários e rotas – proposta já encaminhada na gestão passada e rejeitada na Câmara de Vereadores –, Záchia afirmou que vai priorizar alternativas que não afetem os trabalhadores neste momento. O secretário afirmou ainda que o prefeito Sebastião Melo quer liderar um movimento de prefeitos de Capitais de todo o Brasil para envolver a União no tema, especialmente na redução de impostos. Em entrevista à Rádio Gaúcha no dia 29, Záchia afirmou que “transporte coletivo é para aquele cidadão que não tem condições financeiras de ter outro transporte”.

Melo questiona superávit anunciado por Marchezan – O prefeito Sebastião Melo afirmou que seu antecessor, Nelson Marchezan Jr. (PSDB), manipulou as finanças da cidade ao comemorar superávit. Em entrevista à Rádio Guaíba, o emedebista disse que “tem maquiagem grande” na contabilidade do tucano. “Aquele superávit não é verdadeiro. Não vou dar detalhes ainda, pois a equipe da Fazenda está levantando os dados. Mas posso dizer que, ali, tem maquiagem grande. Vamos convocar uma entrevista coletiva para tratar da pauta até quarta-feira”, prometeu. Na semana passada, Marchezan afirmou que o novo prefeito teria “mais facilidade para governar”, já que assumiria o Paço Municipal com pelo menos 201 milhões de reais em caixa. Em outubro do ano passado, reportagem do Matinal mostrou como o tucano, ao longo de sua gestão, ocultou receitas, exagerou nas despesas e pecou na transparência das finanças do Município, estratégias que levaram o ex-prefeito a condenações na Justiça.

Bagé recebe bandeira preta pela segunda vez no distanciamento controlado – O primeiro mapa definitivo de 2021 do distanciamento controlado no Rio Grande do Sul, que passa a valer hoje, deu à região de Bagé a bandeira preta, cor que representa risco altíssimo para a contaminação com o coronavírus. Após a decisão do governo, a prefeitura de Bagé afirmou que vai adotar o sistema de cogestão para seguir com os protocolos de bandeira vermelha. A alegação da administração local é de que os números de casos e internações estão em redução. Esta é a segunda vez que a cidade recebe a bandeira preta. A primeira vez ocorreu em dezembro de 2020, na 32ª rodada do distanciamento controlado.

Recorde de mortes em dezembro no RS – Em todo o Estado, dezembro foi o mês com mais mortes por Covid-19, com 1.857 óbitos. O RS já ultrapassou a marca dos 9 mil vítimas. Os dados da Secretaria Estadual da Saúde contabilizaram ontem mais 64 óbitos entre 10 de dezembro e ontem, além de 976 novos casos da doença. O número de infectados chegou a 455.326 e a taxa de ocupação de leitos de UTI está em 78%.

Outros links:


Cultura

A arte exuberante de Beatriz Milhazes por inteiro

Beatriz Milhazes. Foto: Vicente de Paulo/Divulgação

Um dos nomes brasileiros mais prestigiados na arte contemporânea internacional, com telas arrebatadas por milhões de dólares em concorridos leilões, Beatriz Milhazes conversou com Roger Lerina sobre a megaexposição retrospectiva Beatriz Milhazes: Avenida Paulista, que reúne cerca de 170 obras da artista carioca no Itaú Cultural e no MASP. “A nossa história da arte já está sendo revista e reconhecida sua importância internacionalmente. O Brasil, hoje, faz parte do mundo, e a nossa arte está junto nesse movimento”, afirma Milhazes. Leia a entrevista.

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Você viu?

Durante a cerimônia de posse dos eleitos na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, os cinco parlamentares negros Karen Santos (PSOL), Matheus Gomes (PSOL), Laura Sito (PT), Bruna Rodrigues (PCdoB) e Daiana Santos (PCdoB) decidiram não se levantar para a execução do Hino do Rio Grande do Sul, o que gerou polêmica e incômodo entre os membros da Casa. A justificativa para a atitude dos parlamentares negros foi de que o hino possui um trecho racista e que nenhum deles têm a obrigação de cantar a frase “povo que não tem virtude acaba por ser escravo”. Em carta, Matheus Gomes explicou o contexto histórico em que a canção foi elaborada. Recordou que o Rio Grande do Sul vivia o regime escravocrata e que os Farrapos, mesmo se utilizando de combatentes negros na Revolução Farroupilha, decidiram eliminá-los no Massacre dos Porongos, negando a liberdade que lhes fora prometida. Sobre o assunto, o colunista Paulo Germano cita o procurador Jorge Terra, presidente da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra da OAB-RS. Segundo Terra, deve ser considerado o conteúdo de um hino e o que ele gera nas pessoas. A canção serve para celebrar a união de conterrâneos e representar todos que decidem cantá-lo. Foi o que fez a Austrália, que decidiu mudar o hino nacional para reconhecer a importância do povo indígena. Conforme o primeiro-ministro Scott Morrison, a modificação de um pequeno trecho da letra vai acrescentar muito à nação.

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