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Porto Alegre é a segunda pior capital em qualidade de moradia, segundo o Índice de Progresso Social do Brasil

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Porto Alegre é a segunda pior capital em qualidade de moradia, segundo o Índice de Progresso Social do Brasil Foto: Ramiro Sanchez / @outroangulofoto

Antes mesmo da enchente histórica deste ano, Porto Alegre já apresentava problemas graves de habitação social. O primeiro relatório do Índice de Progresso Social do Brasil (IPS Brasil) aponta Porto Alegre como a segunda pior capital do país em termos de moradia adequada com serviços básicos – à frente apenas de Macapá (AP). A categoria tem como indicadores domicílios com coleta de resíduos, iluminação elétrica, paredes e pisos adequados. Com 78,56 pontos, a capital gaúcha está 16 pontos atrás da primeira colocada, João Pessoa (PB), e nove pontos abaixo da média nacional (87,74). Dos 12 componentes analisados no estudo, a moradia apresenta a média mais alta no país.

Com milhares de desabrigados após as chuvas de maio, o tema da moradia digna ganhou força no debate sobre o futuro da cidade. O Centro Histórico chegou a ter cinco ocupações, sendo três de pessoas afetadas pela enchente. A Ocupação do MTST no edifício do INSS completou um mês e negocia com a União a possibilidade de o edifício de 240 apartamentos se tornar um local de moradia popular.

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Outro tema que está sob holofotes desde a tragédia climática é o meio ambiente. Mais uma vez, a Porto Alegre figurou entre as piores capitais, ficando em 24ª posição no quesito que considerou as áreas verdes urbanas, emissões de CO2 por habitante, índice de vulnerabilidade climática, entre outros indicadores. A capital gaúcha também está entre as 10 piores em outras duas categorias: Acesso ao Conhecimento Básico (23ª) e Inclusão Social (20ª). Por outro lado, a cidade se destaca nos quesitos Acesso à Informação e Comunicação (2ª), Liberdades Individuais (3ª), Água e Saneamento (4ª), Acesso à Educação Superior (4ª) e Direitos Individuais (7ª).

Com 66,9 pontos, a capital gaúcha é a 13ª colocada no ranking geral das 27 capitais – que tem Brasília, Goiânia e Belo Horizonte nas três primeiras posições. A lista revela desigualdades entre as regiões brasileiras, com preponderância das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul nas primeiras colocações da lista. Entre as capitais dessas três regiões, somente o Rio de Janeiro, em 14º lugar, tem nota pior (66,41 pontos) do que Porto Alegre.

Na pontuação das 27 unidades federativas, o Rio Grande do Sul aparece em 7º lugar, com 62,28 pontos, atrás de Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Goiás, que lideram o ranking.

Sobre o estudo – Publicado no começo de julho, utilizando dados a partir de fontes secundárias para avaliar os 5.770 municípios do país, o primeiro relatório do IPS Brasil foi realizado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e instituições parceiras. Desenvolvido pela Social Progress Imperative, o índice IPS Global é publicado anualmente desde 2014, abrangendo 170 nações, tendo como base o conceito de progresso social, entendido como “a capacidade da sociedade em satisfazer as necessidades humanas básicas, estabelecer as estruturas que garantam qualidade de vida aos cidadãos e dar oportunidades para que todos os indivíduos possam atingir seu potencial máximo”.

A nota nacional no IPS Global 2024 atingiu 68,90 pontos, situando o Brasil na 67ª colocação do ranking internacional – em 2014, o país estava em 46º lugar. Entre os países sul-americanos, o Brasil é considerado o quarto melhor país para viver – atrás de Chile (78,43), Argentina (77,19) e Equador (69,56). O relatório completo pode ser acessado aqui.

Foto: Ramiro Sanchez/@outroangulofoto

Veja a íntegra da Matinal News desta terça-feira, 9 de julho.

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