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Botos que vivem em regiões costeiras do Sul entram na lista de espécies em perigo de extinção

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Botos que vivem em regiões costeiras do Sul entram na lista de espécies em perigo de extinção Espécie atua em fenômeno raro no mundo: a pesca em cooperação com humanos (Foto: Ceclimar UFRGS/Divulgação)

População está presente no Rio Tramandaí, local para onde está prevista nova ponte questionada por ambientalistas 

Dos 219 animais incluídos na atualização da lista de ameaçados de extinção no Brasil, pelo menos um é também uma espécie há pouco reconhecida como tal no Brasil: o boto-de-Lahille (Tursiops gephyreus). Até 2016, ele era confundido com o golfinho nariz de garrafa (Tursiops truncatus), mas hoje já se sabe que se trata de uma outra população, de distribuição restrita.

Adaptado a ambientes costeiros, ele vive basicamente na zona de rebentação, até 10 metros de profundidade, e pode ser encontrado no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – mais especificamente na Lagoa dos Patos (RS), no estuário de Laguna (SC) e no canal do estuário do rio Tramandaí (RS) –, além de Uruguai e Argentina. Estima-se que existam apenas 600 exemplares adultos no mundo inteiro, segundo Ignacio Moreno, professor da UFRGS e coordenador do projeto Botos da Barra.

Em 2019, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) já havia classificado o boto-de-Lahille como “vulnerável à ameaça de extinção”. Agora, conforme portaria publicada neste mês pelo Ministério do Meio Ambiente, o estado brasileiro também reconhece oficialmente o risco desse grupo desaparecer. No País, são dez espécies de cetáceos (baleias, botos e golfinhos) ameaçadas. Para Moreno, a inserção da espécie na lista de animais em perigo de extinção “gera dois sentimentos”. “Um é bastante triste e preocupante, porque confirma que, de fato, a espécie pode desaparecer para sempre. A outra questão é que, ao entrar na lista, teoricamente garantem-se proteções legais”, explica. 

Esse novo mecanismo legal interessa a Moreno e outros ativistas que questionam o projeto de uma nova ponte que liga Imbé a Tramandaí e que avançava sem estudo de impacto ambiental conforme reportagem publicada pelo Matinal em janeiro. A matéria mostra como a obra poderia afetar a área habitada por botos-de-Lahille e conhecida pela interação cooperativa em que os cetáceos e pescadores se ajudam na pesca de tainhas, fenômeno raro e considerado patrimônio de relevância cultural do Estado desde 2020.

Com a classificação da espécie como em perigo de extinção, o professor Moreno e outros ativistas que atuam pela proteção dos botos na região esperam ganhar novos argumentos no debate em torno da nova ponte. “No momento em que temos mais uma espécie ameaçada de extinção que vai ser diretamente impactada pelo empreendimento, acende-se mais uma luz vermelha. É mais um elemento que mostra que temos que ter cautela. Será que essa ponte é realmente necessária? Se sim, é preciso ter estudos muito bem justificados que sustentem isso. Mas fica a pergunta: por que vamos realizar algo que pode colocar em risco tanta biodiversidade?”

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