Reportagem

Com enchente histórica, prefeitura isola Centro e 4º Distrito

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Com enchente histórica, prefeitura isola Centro e 4º Distrito Guaíba subiu mais de um metro entre a noite de quinta e a tarde de sexta | Foto: Giulian Serafim / PMPA

Porto Alegre revive nesta sexta-feira o caos da inundação histórica de 1941. Desta vez, porém, sem uma informação oficial. Desde a madrugada, a régua que faz a medição do Guaíba quebrou e, até o meio da tarde, não existia certeza quanto ao nível das águas. O dado só foi conhecido por volta das 15h30, quando uma medição manual foi feita e apontou que o nível estava em 4,58m – praticamente um metro acima desde a noite anterior, quando capital já estava sob a segunda maior enchente desde a sdaua fundação. 

Esta foi a primeira vez no século que o Guaíba superou os 4 metros de altura. Na anterior, na histórica enchente de 1941, as águas chegaram a 4,75m. 

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Para se ter uma noção da calamidade, a cota de inundação do Guaíba na região central de Porto Alegre é de 3m. O muro da Mauá garante outros 3m de proteção, ainda que ocorram falhas em suas comportas, como já registrado ao longo do dia, fazendo com que ruas próximas à orla e que a rodoviária ficasse debaixo d’água. Dali, a água avança sobre a avenida Voluntários da Pátria e ao Centro Histórico. Autoridades ainda tentam levar um tanque do Exército para o local a fim de conter o fluxo. 

A situação, contudo, é pior na região das Ilhas, onde a inundação começa com 2,20m. Melo fez um apelo para que os moradores da área deixem suas casas e procurem abrigos. Segundo ele, houve comunicação e pedidos para isso aos moradores. “As pessoas têm muita dificuldade para sair das zonas de emergência. Não querem perder móveis, têm medo de furtos. Mas não foi por falta de alerta: tenho tranquilidade em dizer”, afirmou. “Todos que quiseram sair, saíram.” Operações de resgate, com apoio de bombeiros e Forças Armadas, permanecem na região. 

Reportagem da Matinal ontem coletou relatos de moradores das regiões periféricas da capital. Entre temores de deslizamentos ou alagamentos, o grupo contou sobre a rapidez da água. 

Transferência de abrigo

Até o fim da manhã, quase 450 pessoas procuraram abrigos da prefeitura. O transtorno, porém, seguiu mesmo após o deslocamento para boa parte. Por conta do avanço das águas, a prefeitura precisou transferir as pessoas que haviam ido para o Pepsi On Stage, o maior dos abrigos, ao quartel da Brigada Militar, no bairro Partenon. Ontem à noite, outros dois abrigos, na Ponta Grossa e na Restinga, estavam recebendo a população. 

De acordo com Melo, a prefeitura deve colocar à disposição logo um novo abrigo no CETE, no bairro Menino Deus, e possivelmente abrir outros, conforme a demanda – um deles seria no Gigantinho. 

Em função das chuvas, oito unidades de saúde também não estavam funcionando. Seus profissionais foram distribuídos para outros locais e aos abrigos provisórios. 

Ainda pela manhã, por conta dos alagamentos, a prefeitura fechou os acessos ao Centro Histórico e ao 4º Distrito. Pouco antes do meio-dia, a EPTC registrava 46 ocorrências em aberto, sendo 29 com bloqueio total de via por acúmulo de água e sete com acúmulo de água ocasionando bloqueio parcial, um por postes/fios caídos na via com bloqueio total.

Falta d’água

Boa parte da população de Porto Alegre também pode estar prestes a se deparar com a falta de abastecimento de água. De acordo com o Dmae, foi necessário suspender a operação do Sistema de Abastecimento de Água do Moinhos de Vento, em razão da inundação do local. Desta forma, os bairros Auxiliadora, Azenha, Bela Vista, Bom Fim, Centro Histórico, Cidade Baixa, Farroupilha, Floresta, Independência, Jardim Botânico, Menino Deus, Moinhos de Vento, Mont’Serrat, Partenon Petrópolis, Praia de Belas, Rio Branco, Santa Cecília, Santana, São João e Três Figueiras poderão sofrer falta d’água. 

Sebastião Melo advertiu para o consumo consciente e considerou que a situação possa se repetir no sistema São João, ampliando o público afetado. 

Mapa de danos

Foto: Carol Disegna

Com a proximidade da atual enchente com a de 1941, integrantes do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS montaram um mapa com cenários de inundação, considerando que o Guaíba chegue a 5m, 5m50 e 6m. A análise considera possível que a cheia “ultrapasse qualquer registro histórico” e cita a necessidade de evacuações de regiões. 

“Trata-se de condições extremas, mas é preciso considerar que é uma possibilidade iminente. O ideal não é entrar em pânico, mas considerar esse cenário com seriedade. Recomendamos, por segurança, se preparar para evacuar essas áreas se o Guaíba atinja o nível 5m, pois, em caso de falha do sistema (ou seja, se o nível do Guaíba ultrapassar 6m), a região inundaria rapidamente”, diz a nota do IPH, enviada às 9h desta sexta. 

O estudo comparou como seria o impacto da enchente de 1941 na Porto Alegre de hoje e, neste cenário – que já é bem próximo – apontou que o impacto se daria a 140 mil pessoas, a maioria delas no bairro Sarandi. As águas atingiriam 77.101 domicílios e 63.975 edificações. Os cálculos foram elaborados com base nos dados do Censo 2022 e do cadastro da prefeitura. 


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