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UFRGS dá a largada para primeira eleição paritária da reitoria

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UFRGS dá a largada para primeira eleição paritária da reitoria Nomeação de novo reitor da UFRGS deve ocorrer até setembro | Foto: Tiago Medina / Matinal

O processo sucessório na reitoria da UFRGS tem início neste sábado e com novidades. Pela primeira vez, a disputa terá votação paritária, ou seja, com os votos de professores, alunos e técnicos tendo o mesmo peso no momento da apuração. Três chapas se inscreveram para a posição. Após a consulta à comunidade acadêmica, a eleição para a reitoria será realizada no âmbito do Conselho Universitário (Consun), instância máxima da instituição. Depois, três nomes serão encaminhados para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faça a nomeação de um – o que deve ocorrer em setembro. 

São candidatos pela chapa 01 Liliane Ferrari Giordani e Carlos Alberto Gonçalves; pela chapa 02 são Ilma Simoni Brum da Silva e Vladimir Pinheiro do Nascimento; já a chapa 03 é composta por Márcia Cristina Bernardes Barbosa e Pedro de Almeida Costa. Todos são professores e doutores na UFRGS, um requisito para os cargos de reitor e vice-reitor. A próxima gestão irá dirigir a universidade entre 2024 e 2028.

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Na comparação com os processos eletivos anteriores, a principal diferença está na votação paritária, aprovada pelo Consun em 24 de maio. “Era uma discussão que vinha de gerações”, afirma o presidente da Comissão de Consulta Informal (CCI), Gabriel Focking. “Com o cálculo paritário, tu coletas a opinião através da ponderação de um terço, peso de cada uma das categorias – docentes, alunos e técnicos”, explica. A partir dos resultados será aplicado um parâmetro para formar o índice, que constará no resultado.

Até a última consulta, o peso dos votos dos professores era de 70%, o que, para Focking, reduzia a opinião das demais classes que compõem a comunidade acadêmica. “A votação paritária é uma forma mais democrática de realizar a consulta do que a outra”, assevera ele, que atua como técnico na UFRGS. 

• Fórmula para a votação paritária:

Cabe à Comissão de Consulta Informal a organização desta primeira etapa. Órgão externo ao Consun, o colegiado também é uma novidade deste processo. O grupo é composto por representantes indicados pelas entidades de representação dos segmentos da comunidade universitária que estejam vinculados à UFRGS, como DCE, Adufrgs, Assufrgs, Andes, Associação de Pós-Graduandos e Associação de Antigos Alunos. 

De acordo com a CCI, mais de 43 mil pessoas estarão aptas a participar da consulta acadêmica. São 37.854 alunos, 2.970 docentes e 2.337 técnico-administrativos em educação. Na última votação, em 2020, 15,7 mil votaram – o que já representa mais que o dobro do processo anterior, em 2016, que teve a participação de 7,7 mil pessoas. A expectativa da presidência da CCI para este ano é que o número de eleitores cresça ainda mais.

Para efeitos de comparação, o colégio eleitoral da UFRGS é maior do que a população de 447 dos 497 municípios do Rio Grande do Sul.

Campanha terá um mês, com previsão de cinco debates

A campanha eleitoral teve início oficialmente à 0h01 deste sábado e se estende até as 23h59 de 14 de julho. Neste período, a Comissão de Consulta Informal anuncia que promoverá cinco debates, um em cada campi da universidade, com transmissão online.

A consulta está marcada para 15 de julho, entre 7h e 22h, via sistema da UFRGS. A expectativa da comissão é de que o resultado seja conhecido ainda no mesmo dia. O período para recursos será entre 16 e 17 de julho. No dia 18, o resultado será encaminhado ao Consun, que fará a eleição e formará uma lista tríplice, a qual será encaminhada ao Ministério da Educação. Ao fim, é prerrogativa do presidente da República indicar o futuro reitor da universidade. 

Bolsonaro quebrou tradição de escolher mais votado

Normalmente, ainda que a escolha seja livre, o presidente indica a candidatura mais votada para a reitoria. A tradição, no entanto, foi quebrada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, em 2020, nomeou Carlos Bulhões como reitor da UFRGS. Bulhões havia sido o menos votado dentre as três candidaturas postulantes à época. Em protestos da comunidade acadêmica, é comum que ele seja referido como “interventor”.

Ao longo de sua gestão, Bulhões foi alvo de dois requerimentos para a sua destituição aprovados pelo Consun. No entanto, o primeiro, em 2021, foi negado pelo MEC, e o segundo, aprovado em dezembro do ano passado, aguarda um retorno de Brasília desde então. O mandato de Bulhões termina em 20 de setembro. 


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