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A palavra é… ANTIVAX

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A palavra é… ANTIVAX

“Já tô vendo a dor de cabeça se a vacina que der certo for alguma com ‘sino’ no nome. Além do movimento antivax regular, ainda virá o movimento político. Se já negam máscara, que não ‘é chinesa’, que vão fazer com vacina?’ (@oatila, no Twitter, em 21 de julho)

“Queria saber o que os antivax estão achando da pandemia porque essa é uma amostra grátis de como seria o mundo se não houvesse vacina de nada.” (@karinejours, no Twitter, em 21 de julho)

“Os antivax ansiosos pela vacina da covid são o equivalente dos terraplaners esperando que o tempo passe logo e chegue o fim da quarentena? ou é tudo uma coisa só?” (@GuilermeNoronha, no Twitter, em 19 de julho)

“Tem um círculo do inferno só pro pessoal antivax.(@pbicudo, no Twitter, em 27 de julho)

O que é: 

  • Antivax, ou movimento antivacina, é uma oposição mais ou menos organizada à vacinação pública. Iniciativas desse tipo existem desde as primeiras campanhas de vacinação, mas ganharam fôlego nos últimos anos graças a teorias da conspiração difundidas pela Internet e à disseminação de hipóteses sem comprovação científica consistente.  
  • Em 2019, o movimento antivax foi citado por um relatório da Organização Mundial de Saúde como um dos 10 maiores riscos à saúde mundial. Segundo o relatório da OMS, o movimento é perigoso porque ameaça progressos obtidos no combate a doenças como a poliomielite e o sarampo.

Quem usou: 

“Enquanto grande parte do mundo está torcendo por uma vacina contra o coronavírus, a alemã Lilia Löffler já decidiu que seus três filhos não serão vacinados. Löffler formou sua nova opinião a respeito de vacinas lendo textos na Internet durante a pandemia. A possibilidade de o movimento antivax da Alemanha conquistar novos adeptos como Löffler tem preocupado as autoridades de saúde alemãs. Isso porque a pandemia parece estar unindo diferentes grupos resistentes à perspectiva de uma vacina – de simpatizantes da extrema-direita às mães hippies. A Alemanha já contava com um atuante movimento antivax, ancorado em um ceticismo histórico em relação ao controle governamental e em uma difundida simpatia pela medicina alternativa. Agora, especialistas em saúde alertaram que, mesmo que uma vacina contra o coronavírus seja aprovada, as recusas podem abrir caminho para o ressurgimento do vírus, além de ameaçar os esforços para manter outras doenças sob controle. ‘Com uma pandemia tão grave em curso, houve pessoas que chegaram a acreditar que isso levaria os antivaxers a acordar e perceber como as vacinas são importantes’, afirmou Heidi Larson, diretora do Vaccine Confidence Project, com sede em Londres. ‘Mas, na verdade, tem acontecido o oposto.’ Grupos antivax se tornaram altamente ‘ativos e agressivos’, disse ela. ‘Acho que estamos em um ponto vulnerável agora.’ Na Alemanha, abundam as teorias da conspiração sobre uma vacina. Attila Hildmann, chef vegana, tornou-se uma das principais vozes antivax, acusando o ministro da Saúde de promover um estado de vigilância e um programa de vacinação forçada, a pedido do bilionário Bill Gates.” (The Washington Post, em 3 de julho)   

“Como socióloga que estuda o movimento antivax há mais de uma década, trabalho para entender o medo das vacinas e como os pais tomam decisões a respeito dos cuidados de saúde de seus filhos. Sempre que leio artigos em que autoridades prometem uma vacina contra o coronavírus para breve, me preocupo com a forma como essas mensagens serão recebidas pelos antivaxers mais antigos e pelos recém-chegados. Entendo o desejo de acalmar um público ansioso por boas notícias, mas, para que uma vacina seja amplamente aceita, devemos entender as dúvidas que impulsionam o ceticismo em relação à vacina. Os motivos dos pais para rejeitarem vacinas variam. Alguns não estão convencidos de que as vacinas são necessárias ou acreditam que o sistema imunológico de seus filhos seria mais forte se eles contraíssem uma doença e se recuperassem, citando frequentemente o estilo de vida e a boa saúde de suas famílias. Muitos não confiam que as empresas farmacêuticas estão testando adequadamente as vacinas e não acreditam que as agências governamentais as estejam vigiando antes de licenciá-las. Os pais que desconfiam das vacinas geralmente argumentam que a imunização é uma escolha individual que deve ser acatada por aqueles que acreditam que as vacinas são úteis e jamais uma imposição.” (Jennifer Reich, na Vox, em 28 de julho) 

“O campeão mundial da Fórmula 1 Lewis Hamilton esclareceu seus pontos de vista sobre uma possível vacina contra o coronavírus após compartilhar um post antivax em suas mídias sociais. O piloto da Mercedes, de 35 anos, enfrentou críticas ferozes na segunda-feira após postar um vídeo que acusa o fundador da Microsoft, Bill Gates, de mentir sobre os testes de vacinas contra o coronavírus. Na publicação de Hamilton, já excluída e originalmente publicada pelo produtor de conteúdo King Bach, Gates é entrevistado na CBSN sobre o progresso de uma vacina para combater a Covid-19. Durante a conversa, o magnata da computação descartou alegações sobre os efeitos colaterais que foram relatados durante os ensaios clínicos e sugeriu que deseja incorporar chips de rastreamento nas vacinas. King Bach escreveu em sua legenda: “Lembro-me de quando contei minha primeira mentira”. Depois da reação negativa ao repost, Hamilton declarou que foi “mal interpretado”, acrescentando que não era contra vacinas.  (…) ‘Não sou contra uma vacina e, sem dúvida, será importante na luta contra o coronavírus, e espero que seu desenvolvimento ajude a salvar vidas’, escreveu ele. ‘No entanto, depois de assistir ao vídeo, senti que mostrava que ainda há muita incerteza sobre os efeitos colaterais mais importantes e sobre financiamento’. Hamilton terminou dizendo: ‘Talvez nem sempre acerte’, mas estou aprendendo’ “.  (CNN, em 28 de julho) 

Assista a um vídeo da Vox sobre a origem do movimento antivax:


Cláudia Laitano é jornalista, com especialização em Economia da Cultura. É mestranda em Literatura pela UFRGS, com pesquisa sobre Carlos Reverbel. É autora de “Agora eu era” e “Meus livros, meus filmes e tudo o mais”, ambos pela L&PM.

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