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Aldo Mellender de Araújo: Design Inteligente

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Aldo Mellender de Araújo: Design Inteligente Por Aldo Mellender de Araújo “Design Inteligente” não é Ciência! Nos tempos que vivemos hoje, onde o Estado voltou a se unir à Religião, para infortúnio dos brasileiros (respaldado por um militarismo ativo), é necessário deixar claro alguns aspectos conceituais e teóricos sobre o tema. É o caso da proposta do recém empossado Presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Benedito Guimarães Aguiar Neto, de introduzir no currículo das escolas de nível fundamental o ensino do chamado design inteligente (DI), ou planejamento inteligente, em paralelo às noções de evolução biológica. Então, o objetivo desta nota é esclarecer o que é uma coisa e a outra, e que a suposta paridade explicativa entre ambas é falsa. A teoria da evolução frequentemente está associada ao nome de Charles Robert Darwin, naturalista inglês que publicou, entre outras obras, A Origem das Espécies (1859). Nele, defendia a ideia de que não apenas as espécies se originavam pelo processo que ele denominou “seleção natural”, como também as adaptações dos organismos ao ambiente em que viviam. Nas suas próprias palavras: “Esta preservação de variações favoráveis e a rejeição das variações injuriosas, eu chamo de Seleção Natural” (pág. 81, Cap. IV do original em inglês, 1859). Ao mencionar “variações”, Darwin quer dizer que na natureza os organismos de uma mesma espécie não são iguais, apresentam diferenças morfológicas, comportamentais e outras. Algumas destas variações ajudam o organismo a sobreviver ou a reproduzir mais do que outros na mesma população; por outro lado, há variações que são “injuriosas”, isto é, prejudicam tanto a sobrevivência como a reprodução de um organismo que as possua. A definição apresentada acima se refere a estes dois tipos de variação. Um ponto importante, entretanto, é que Darwin propôs sua teoria da modificação dos seres vivos ao longo do tempo com base em uma enorme quantidade de dados que coletou (por exemplo, na viagem do navio Beagle, que durou quase 5 anos, ao redor do mundo, incluindo o Brasil e América Latina), bem como pela análise das respostas a muitas cartas que escreveu a horticulturistas (cultivadores de plantas comestíveis e ornamentais) e a criadores de animais domésticos. Cerca de 100 anos depois do famoso livro, a teoria da evolução estava bem mais ampliada, mais robusta e com capacidade explicativa maior do que a original. Esta teoria, denominada Síntese Evolutiva (de acordo com alguns historiadores da ciência, ela sintetizou o darwinismo tradicional com a genética que surgira no início do século XX e com a genética de populações, criada por volta da década de 1920), propôs quatro processos (causas) básicos da evolução: mutação (fonte de novas variações, baseadas nos conhecimentos da genética), seleção natural (reconfigurando o conceito de Darwin, mas mantendo as bases), fluxo gênico (conhecido popularmente como migração, o cruzamento entre indivíduos de populações diferentes da mesma espécie) e deriva genética (um fenômeno de mudança na frequência das variações – agora traduzidas como mutações), esta devida, simplesmente, ao acaso. É o conceito mais difícil de entender, mas imaginemos um dado e […]

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Por Aldo Mellender de Araújo “Design Inteligente” não é Ciência! Nos tempos que vivemos hoje, onde o Estado voltou a se unir à Religião, para infortúnio dos brasileiros (respaldado por um militarismo ativo), é necessário deixar claro alguns aspectos conceituais e teóricos sobre o tema. É o caso da proposta do recém empossado Presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Benedito Guimarães Aguiar Neto, de introduzir no currículo das escolas de nível fundamental o ensino do chamado design inteligente (DI), ou planejamento inteligente, em paralelo às noções de evolução biológica. Então, o objetivo desta nota é esclarecer o que é uma coisa e a outra, e que a suposta paridade explicativa entre ambas é falsa. A teoria da evolução frequentemente está associada ao nome de Charles Robert Darwin, naturalista inglês que publicou, entre outras obras, A Origem das Espécies (1859). Nele, defendia a ideia de que não apenas as espécies se originavam pelo processo que ele denominou “seleção natural”, como também as adaptações dos organismos ao ambiente em que viviam. Nas suas próprias palavras: “Esta preservação de variações favoráveis e a rejeição das variações injuriosas, eu chamo de Seleção Natural” (pág. 81, Cap. IV do original em inglês, 1859). Ao mencionar “variações”, Darwin quer dizer que na natureza os organismos de uma mesma espécie não são iguais, apresentam diferenças morfológicas, comportamentais e outras. Algumas destas variações ajudam o organismo a sobreviver ou a reproduzir mais do que outros na mesma população; por outro lado, há variações que são “injuriosas”, isto é, prejudicam tanto a sobrevivência como a reprodução de um organismo que as possua. A definição apresentada acima se refere a estes dois tipos de variação. Um ponto importante, entretanto, é que Darwin propôs sua teoria da modificação dos seres vivos ao longo do tempo com base em uma enorme quantidade de dados que coletou (por exemplo, na viagem do navio Beagle, que durou quase 5 anos, ao redor do mundo, incluindo o Brasil e América Latina), bem como pela análise das respostas a muitas cartas que escreveu a horticulturistas (cultivadores de plantas comestíveis e ornamentais) e a criadores de animais domésticos. Cerca de 100 anos depois do famoso livro, a teoria da evolução estava bem mais ampliada, mais robusta e com capacidade explicativa maior do que a original. Esta teoria, denominada Síntese Evolutiva (de acordo com alguns historiadores da ciência, ela sintetizou o darwinismo tradicional com a genética que surgira no início do século XX e com a genética de populações, criada por volta da década de 1920), propôs quatro processos (causas) básicos da evolução: mutação (fonte de novas variações, baseadas nos conhecimentos da genética), seleção natural (reconfigurando o conceito de Darwin, mas mantendo as bases), fluxo gênico (conhecido popularmente como migração, o cruzamento entre indivíduos de populações diferentes da mesma espécie) e deriva genética (um fenômeno de mudança na frequência das variações – agora traduzidas como mutações), esta devida, simplesmente, ao acaso. É o conceito mais difícil de entender, mas imaginemos um dado e […]

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