Entrevista | Parêntese

Maurício Cruz: Arca de Noé, nau dos insensatos, zepelim para o futuro

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Maurício Cruz: Arca de Noé, nau dos insensatos, zepelim para o futuro Lopere: uma construção pra lá de inusitada, em Morro Redondo, município próximo a Pelotas (Foto: Renata Requião)
Artista plástico Maurício Cruz (à direita) constrói, com o irmão Murilo, um observatório lúdico que ao mesmo tempo auxilia na produção local de insumos Quem me apresentou para o fato foi a Renata Requião, professora de Artes da UFPel, doutora em Literatura, formada em Arquitetura e em Letras, ex-secretária de cultura de Pelotas. Sabendo que tinha diamante pra mostrar, ela mandou uma foto por whatsapp antecedida da seguinte legenda: “Cuida que máximo isto:”. E veio a foto do – como chama isso mesmo? Bagulho? Coiso? Renata: “Maurício e o irmão estão construindo o lopere: uma utopia em torno de uma ideia maravilhosa: “Observatório científico para a economia baseada em recursos”. Era ainda dezembro. Eu perguntei a ela se ela não queria escrever para a Parêntese, ou se a gente deveria pensar em alguém de Pelotas – essa construção está erguida no Morro Redondo, antigo distrito de Pelotas, emancipado há pouco. Enchi a Renata de perguntas sobre o caso, o negócio, o lopere. (Lopere?) A invenção conta com uma cadeira para observar estrelas. Foto: Maurício Cruz As informações não paravam de surpreender. “Ele fez uma cadeira para observar as estrelas. E conseguiu do Ministério um selo de produtor ecológico e tem um café com produtor locais: negrinho do pastoreio! É sem fim!!!” Fui atrás. E acrescentou: “É uma mistura da arca de Noé com a nau dos insensatos!”, disse ela, lembrando o mito bíblico conhecido e essa outra figura mitológica europeia do barco que reunia os loucos (ou os tidos como tal) e andava pelos rios e mares sem jamais parar em porto algum – foi motivo de pintura para Bosch e de narrativas variadas, até a análise já clássica de Michel Foucault em sua História da loucura. A Renata mandou mais fotos do Lopere e da defesa do TCC do Maurício no curso de Artes Visuais, feita à sombra da estarrecedora geringonça.  A cadeira é de 2016 e “pode-se dizer que foi inspirada em Leonardo da Vinci”, sim, exemplo da “simplicidade das coisas complexas”, diz Maurício, que tinha visto o desenho original alguma vez na vida, anos atrás, e voltou a ela para estudá-la. A cadeira foi um jeito de “explorar ao máximo as capacidades de trabalhar com madeira, no momento”. A cadeira não foi propriamente um gatilho para o LOPERE, mas ele é uma continuação dela, e ainda não está concluído – está em estudos avançados um elevador.  Pedi o contato do Maurício e comecei uma longa conversa com ele, sempre via whatsapp. Eu procurei esclarecer ao máximo as minhas próprias dúvidas. Deu logo pra ver que o Maurício Cruz é uma figura ótima, um Thoreau do pampa, um pensador roots, um artesão com os melhores no tempo do artesanato, que era também o tempo da delicadeza. Um, apenas mais um comentário me permito aqui, remetendo logo o leitor para a entrevista e para o artigo feito pela Renata. O Lopere, com tudo que ele já carrega e com tudo que ele ainda vai implicar, não sei se é arte, […]

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