Crônica

A crise na Sogipa

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A crise na Sogipa

Me chamo Gabriela, tenho 27 anos e sou sogipana desde 1994. Minhas primeiras lembranças são de quando aprendi a nadar na piscina térmica com minha irmã e minha mãe. Foram muitos carnavais, festas juninas, oktoberfests e natais iluminados. Muitas aventuras no matinho de taquara da sede escoteira com minhas irmãs. No clube também aprendi inglês e descobri minha maior paixão, a patinação, esporte que pratico até hoje. Lembro de chorar, em 2013, vendo a fumaça do incêndio que atingiu o clube da sacada da minha casa. Poucos lugares me provocam tantas emoções quanto a Sogipa.

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Me chamo Gabriela, tenho 27 anos e sou sogipana desde 1994. Minhas primeiras lembranças são de quando aprendi a nadar na piscina térmica com minha irmã e minha mãe. Foram muitos carnavais, festas juninas, oktoberfests e natais iluminados. Muitas aventuras no matinho de taquara da sede escoteira com minhas irmãs. No clube também aprendi inglês e descobri minha maior paixão, a patinação, esporte que pratico até hoje. Lembro de chorar, em 2013, vendo a fumaça do incêndio que atingiu o clube da sacada da minha casa. Poucos lugares me provocam tantas emoções quanto a Sogipa.

Há poucos anos, quando meu pai se tornou conselheiro do clube, tive acesso a informações que não são de conhecimento da maioria dos associados. Algumas más decisões da administração e o infortúnio do incêndio, que acometeu a sede social do clube, levaram a Sogipa a um crescente endividamento, a partir de 2013. Comecei a questionar a diretoria, mas falta transparência, e muitos projetos importantes só são levados ao conhecimento do conselho deliberativo no dia da votação. Aqui abro um parêntese: o tal conselho deliberativo, que deveria representar os sócios, é composto por mais de 97% homens, com idade média de 68 anos. 

Eis que algumas semanas atrás iniciou-se um debate para alienação do patrimônio do clube. A área em questão é a sede do primeiro grupo de escoteiros do Brasil, com mais de cem anos, o George Black. Uma oferta milionária de um grande investidor que tentaram manter em segredo. Seria o nosso grande salvador. Até quando? O clube está em déficit operacional há meses; será mesmo que essa é a solução para nossos problemas? 

Obviamente muitos boatos começaram a circular entre os sócios e, na falta de um comunicado oficial do clube, eu decidi que não ia mais ficar calada: criei o movimento Nem Um Metro a Menos. Em tempos de pandemia, marquei uma reunião online, e circulei o convite pelos diversos grupos de whatsapp do clube. Busquei dar uma informação de qualidade, sem fake news, para que os associados pudessem se mobilizar. Eu queria que, apesar das diferenças e interesses pessoais, pudéssemos colocar a Sogipa em primeiro lugar.

Hoje são cerca de 500 assinaturas em um abaixo-assinado pedindo auditoria externa no clube, e mais de 220 associados dialogando diariamente em um grupo de whatsapp em busca de soluções para que não percamos nenhum milímetro da nossa amada Sogipa. Não há mais volta, o sócio acordou e quer participar, está comparecendo nas assembleias com faixas que pedem “Nem Um Metro a Menos”. 

Depois de toda essa mobilização dos últimos dias, me dei conta que a solução para os problemas da Sogipa é simples: pessoas. A diretoria e o conselho deliberativo têm que ouvir o associado, facilitar o diálogo e a renovação dos nossos representantes. Em áudio amplamente divulgado no whatsapp, o presidente do clube menciona que o clube não é a Grécia para fazemos uma assembleia com todos os sócios, mas, como bem falou a chefe dos escoteiros, Unamiara Heberle da Silveira, a Sogipa tampouco é uma Monarquia, onde poucas pessoas devem se perpetuar no poder e tomar decisões tão importantes nos bastidores. 

Hoje o conselho está longe de ser representativo. Há poucas mulheres e não há jovens. Precisamos de diferentes pontos de vista, de conflito de ideias, de debate. Somos uma sociedade, e a comunicação e a transparência são fundamentais para a convivência harmoniosa.

A administração da Sogipa está falhando com os associados, e na calada da pandemia tentam se desfazer de uma parte da nossa história. Hoje eu estou aqui para pedir, pelas futuras gerações de sogipanos, que vocês se reinventem, acolham os jovens, as mulheres e os associados nessa gestão. Mudamos agora, ou em breve seremos história.


Gabriela Boff é mestre em relações internacionais. 

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