Crônica

Barcelona

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Barcelona

Eu ia começar do começo, mas preciso dar esta informação antes: resolvi, depois de muita pesquisa na internet e várias dicas de pessoas, que teria que dedicar um tempo a Barcelona, não dava pra ser coisa muito rápida, daí que me organizei pra 8 dias na cidade. E comecei a gostar dela só no segundo ou terceiro dia. Aí no quinto dia já me decepcionei mais um pouco, mas isso de manhã, porque de tarde já tava amando de novo.

Acontece que no dia que cheguei, carregando todas as tralhas, saindo na estação do metrô indicada pelo mapa, aquela desgraça: chovia muito, e eu tinha que caminhar uns 800 metros até minha hospedagem. Se o mapa do Google fosse honesto, teria me mandado fazer uma baldeação e eu teria descido quase na esquina. Bom, saí caminhando arrastando duas malas mais uma bolsa enorme, guarda-chuva eu tinha, não tinha era mão pra ele, porque uma era pra uma mala, outra pra outra mala e outra pro celular com o mapa, então fiquei tal qual as mariposas dando vorta em vorta da lâmpida, só por deus. Não conseguia me achar, a cidade tem uma coisa assim: uma praça enorme que dela saem não sei, três, quatro avenidas. Fora os “becos”.

E o mapa tem uma coisa interessante, ele te diz assim: “Siga na direção noroeste para Carrer dels Amics Catalans”. Primeiro que eu não trouxe meu astrolábio, como faziam nos tempos das Grandes Navegações, nem sequer uma bússola, mesmo que feita em casa, com rolha e agulha, pra saber qual é a direção noroeste. Depois, se eu soubesse qual é a direção da coisa dels amics catalans, talvez eu não precisasse consultar um mapa, e também não sou obrigada a saber que numa cidade se diz “calle” e na outra, no mesmo país, se diz “carrer” pra “rua”. Por isso que eu arrodeava. Saía do monumento na direção 1, o mapa recalculava. Taca eu voltar pro ponto de partida. Aí tentava outro lado, também não era. Só que antes que me achem uma anta, eu quero dizer que nenhuma das direções que eu ia era a noroeste. Resolvi sair a perguntar na rua, foi o que me fez chegar. O mapa tava doidão sim. Na real, nesse ponto que eu tava não existia a direção noroeste, concluí assim para o bem-estar da minha falta de senso de direção.

Como me parecia que Barcelona seria um agito constante, eu tinha pensado assim: quem sabe eu fico num hostel, porque daí vou conhecer gente, de repente arrumo umas amigas pra sair, essas coisas. Consciente de que estaria fazendo aproximação com uma juventude, mas e daí? Tá: partiu hostel, pela primeira vez na vida. Quando eu entrei naquele lugar… Eu tinha direito a uma cama, dentro do quarto tinha banheiro, porém a ducha tu cruzava pela recepção pra ir lá depois da cozinha e eram 4 chuveiros. Sim, fui direto tomar um banho, tava completamente molhada e um frio do cão. A ducha é aquelas torneiras que tu aperta, sai água e em 15 segundos para. Tu tem que ficar apertando, a água para. Foi aí que eu pensei: não vai dar. Minha mala não cabia no armário, o quarto tinha cheiro de presunto e eu pensei que se nem na juventude eu tinha ficado num lugar desses, o quê que eu tava fazendo?

[Continua...]

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