Crônica

Invasão de domicílio

Change Size Text
Invasão de domicílio Primeiro eu preciso dar uma informação: a casa dos meus pais vive com a porta aberta, ou vivia, desde o ocorrido. Aberta que digo é aberta mesmo, não é destrancada, é aberta, quem passa na rua olha lá pra dentro e vê tudo. Então tá. Essa semana, estavam meu pai e minha mãe em casa, tudo normal, porta aberta, ela vendo TV, então de costas pra porta de entrada, meu pai foi lá pros fundos, pro pátio, fazer não sei o quê, o cachorro foi junto. Daí ele começa a ouvir gritos chamando o nome dele, era minha mãe. Ele foi prontamente atender, afinal, ela está com os dois pés quebrados, sim, conseguiu a façanha, disse ela que o chão faltou, a culpa foi DO CHÃO, e o resultado foi esse. Então ele entrou rápido, o cachorro junto, e se deparou com a cena: minha mãe sentada e um homem estranho dentro de casa, aquela fração de segundo ele tentando entender a cena, ela pergunta: “Quem é esse cara?” Ele responde: “Eu que te pergunto!” Aí começou um falatório em voz alta, pois a minha mãe, pra completar, tem problema de audição, o cachorro latia, até que meu pai, que me narrou o ocorrido, só lembra de ela ter dito no meio do falatório “Acho que ele quer uma água”. Gente, era um ladrão. Agora tu pensa na situação: ele entra numa casa, deve ter falado algo pra essa senhora, ela não ouviu, mas também não se assustou, apenas resolveu chamar o marido pra que ele visse qual que era o propósito do moço ali (“Quem é esse cara?”, lembram?), aí eles aplicam o método do atordoamento, que consiste em ficar um falando em cima do outro sem parar, num tom de voz altíssimo, o ladrão ali olhando, aí minha mãe resolve a situação dizendo que ACHA QUE ELE QUER UMA ÁGUA. Quer dizer: pra ela ok ter um estranho dentro de casa, do nada, no fim da tarde, o que importa é matar a sede dele. Porque não se nega água pra uma pessoa. Mas isso quando a pessoa tá pedindo água. Ele não queria água, ele só queria roubar. Foi no clímax do método utilizado que o cara pensou: “Eu só preciso sair daqui”. Então ele arrecadou um celular que tava em cima da mesa e picou a mula, saiu que era um raio, pulou o portão muito rápido e correu lomba acima (por que não lomba abaixo, que seria mais fácil?). E vou dizer mais: foi só pra não perder a viagem que ele se atinou de levar pelo menos um celular. Mas perdeu, tu pensa num treco velho, até colado com durex tava. É verdade. Agora tu imagina ele voltando pra quebrada e contando pros dos meu dele o resumo do trabalho do dia.  Olha, seu moço gatuno, tem dias que é assim mesmo, relaxa, toma aquela água que minha mãe queria te dar, amanhã vai ser melhor. E aprende aqui com a tia: quando a […]

Quer ter acesso ao conteúdo exclusivo?

Assine o Premium

Você também pode experimentar nossas newsletters por 15 dias!

Experimente grátis as newsletters do Grupo Matinal!

Primeiro eu preciso dar uma informação: a casa dos meus pais vive com a porta aberta, ou vivia, desde o ocorrido. Aberta que digo é aberta mesmo, não é destrancada, é aberta, quem passa na rua olha lá pra dentro e vê tudo. Então tá. Essa semana, estavam meu pai e minha mãe em casa, tudo normal, porta aberta, ela vendo TV, então de costas pra porta de entrada, meu pai foi lá pros fundos, pro pátio, fazer não sei o quê, o cachorro foi junto. Daí ele começa a ouvir gritos chamando o nome dele, era minha mãe. Ele foi prontamente atender, afinal, ela está com os dois pés quebrados, sim, conseguiu a façanha, disse ela que o chão faltou, a culpa foi DO CHÃO, e o resultado foi esse. Então ele entrou rápido, o cachorro junto, e se deparou com a cena: minha mãe sentada e um homem estranho dentro de casa, aquela fração de segundo ele tentando entender a cena, ela pergunta: “Quem é esse cara?” Ele responde: “Eu que te pergunto!” Aí começou um falatório em voz alta, pois a minha mãe, pra completar, tem problema de audição, o cachorro latia, até que meu pai, que me narrou o ocorrido, só lembra de ela ter dito no meio do falatório “Acho que ele quer uma água”. Gente, era um ladrão. Agora tu pensa na situação: ele entra numa casa, deve ter falado algo pra essa senhora, ela não ouviu, mas também não se assustou, apenas resolveu chamar o marido pra que ele visse qual que era o propósito do moço ali (“Quem é esse cara?”, lembram?), aí eles aplicam o método do atordoamento, que consiste em ficar um falando em cima do outro sem parar, num tom de voz altíssimo, o ladrão ali olhando, aí minha mãe resolve a situação dizendo que ACHA QUE ELE QUER UMA ÁGUA. Quer dizer: pra ela ok ter um estranho dentro de casa, do nada, no fim da tarde, o que importa é matar a sede dele. Porque não se nega água pra uma pessoa. Mas isso quando a pessoa tá pedindo água. Ele não queria água, ele só queria roubar. Foi no clímax do método utilizado que o cara pensou: “Eu só preciso sair daqui”. Então ele arrecadou um celular que tava em cima da mesa e picou a mula, saiu que era um raio, pulou o portão muito rápido e correu lomba acima (por que não lomba abaixo, que seria mais fácil?). E vou dizer mais: foi só pra não perder a viagem que ele se atinou de levar pelo menos um celular. Mas perdeu, tu pensa num treco velho, até colado com durex tava. É verdade. Agora tu imagina ele voltando pra quebrada e contando pros dos meu dele o resumo do trabalho do dia.  Olha, seu moço gatuno, tem dias que é assim mesmo, relaxa, toma aquela água que minha mãe queria te dar, amanhã vai ser melhor. E aprende aqui com a tia: quando a […]

Quer ter acesso ao conteúdo exclusivo?

Assine o Premium

Você também pode experimentar nossas newsletters por 15 dias!

Experimente grátis as newsletters do Grupo Matinal!

RELACIONADAS

Escolhe um dos combos

Pagamento exclusivo via cartão de crédito