Crônica

Porto Alegre já foi tri legal

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Porto Alegre já foi tri legal

“É hora da mudança. O povo tem de ser sujeito da política, não um objeto dela.” Olívio Dutra

A minha geração vivenciou outra Porto Alegre, que tinha interesse, vontade política e investimento para a agenda ambiental da cidade. Também para a agenda cultural, porque não se pode pensar em uma sem a outra. As boas práticas na administração de uma cidade requerem ainda a participação popular, e assim se conclui o tripé. Não há nada mais importante do que o cidadão, seu bem estar e sua proteção, e a esfera pública funciona como educadora. É muito triste lembrar daquela Porto Alegre que se desmanchou. Hoje, temos um protagonismo neoliberal “inovador e disruptivo” que abandona o sistema de prevenção contra inundações e o esgoto pluvial da cidade, e sonha com roda-gigante. Em 2024, fazem vinte anos que os ventos mudaram por aqui, alguns dizem que foi o vento negro… mas ele foi só o primeiro de outras borrascas. 

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Como designer gráfico, tive a oportunidade de participar e contribuir com algumas daquelas conquistas. Porto Alegre teve um Atlas Ambiental que serviu de modelo a outras cidades pelo mundo. As Semanas do Meio Ambiente da SMAM provocavam a discussão sobre gestão ambiental através de conferências, seminários e workshops – na prática, existia uma política de cuidado, acompanhamento e manejo da arborização das ruas, parques e praças. A cidade também editou e publicou o Manual do Ciclista, muito antes das ciclovias virarem realidade. Sediou por vários anos o Fórum Social Mundial, reforçando a sua vocação para o bem social e disseminando a experiência do orçamento participativo. As Conferências Municipais de Cultura promoviam a descentralização cultural, integrando e dando identidade para as manifestações populares. Porto Alegre criou um fundo para o financiamento cultural, o Fumproarte, e recuperou a edificação da Usina do Gasômetro – demonstrando respeito com sua memória e significado – transformando-a em um centro cultural de grande relevância para a comunidade. Tantas coisas tri legais aconteceram que nos enchem de orgulho e satisfação.

Fica a esperança de que a capital gaúcha recupere a sua verdadeira vocação para as boas práticas públicas. Ficam os registros gráficos que ajudam a recuperar toda essa memória. 


Flávio Wild, designer gráfico 

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