Parêntese, Revista Parêntese

Editorial: Parêntese 16

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Editorial: Parêntese 16 ACASOS, ROTEIROS, COMBINAÇÕES Uma cidade vive de coisas imediatas, como pessoas, empregos, produção, lixo, ruas, instituições, água, esgoto. Mas também depende de coisas muito menos óbvias, como história, lendas, impressões, reputações.  Porto Alegre, com suas limitações, tem o que dizer e o que fazer tanto no plano das coisas físicas quanto no das metafísicas. Temos virtudes e problemas em abundância, o que de resto, pensando bem, acontece com qualquer parte do mundo habitada por gente interessante.  Nesta semana, a Parêntese – eu digo e penso “a” Parêntese, porque ela é uma revista – aciona alguns desses elementos, os traz para o centro do palco e os avalia, na mesma medida em que oferece ao leitor a possibilidade de olhar e pensar.  A reportagem foi atrás do que há e do que pode haver com a Usina do Gasômetro. Símbolo físico da cidade, ela já foi uma usina propriamente dita, que produzia energia a partir de carvão.  O nome “Gasômetro” sugere que se tratava de usina a gás, mas não. Ocorre que ali naquela ponta da cidade havia, antes da Usina, um gasômetro, um depósito de gás, motivo de aquela região ser conhecida, depois de 1874, como “Ponta do Gasômetro”. Depois veio a energia elétrica, na usina a carvão. (Pode-se dizer que essa nomeação é apenas uma das muitas armadilhas da cidade, que são encantadoras em sua dissimulação.) Fechada como usina, a Usina virou um escombro até ser refuncionalizada em Centro Cultural, que por bons anos teve funcionamento por assim dizer energético, até perder força, como uma lâmpada que perde luz. Agora, o que vai acontecer com ela? Estamos em ano de eleição, e ela, por si mesma ou como símbolo, é um excelente tema para indagação sobre a cidade. Na entrevista, fomos desta vez ouvir um senhor que tem já uma dimensão legendária, profissional influente por mais de uma geração, economista que, por artes da história, não realizou no poder o que se preparou para fazer. É Cláudio Accurso, um homem de 90 anos em plena vitalidade, com planos de publicar um importante livro logo. Ele conta sua história e com ela repassa o tempo que vem dos anos 50 até agora. Sem combinação prévia, tanto o novo capítulo da história da música em Porto Alegre, que o Arthur de Faria está produzindo, quanto uma originalíssima crônica de Marta Orofino e Gabriel Madeira relatando experiência de acompanhar uma figura humana singular pela cidade, os dois mencionam o romance Estrychnina, publicado em 1897 numa Porto Alegre bem menor que a nossa. O que eles têm em comum?  Para quem gosta de pensar a cidade como uma série de roteiros por onde escorre nossa vida diária, esse texto da Marta e do Gabriel faz par com a memória de José Falero, que revisita exemplarmente o sentimento cotidiano do medo, talvez de modo inesperado. A memória de Richard Serraria traz sua história pessoal em dimensão geográfica: um artista que carrega o nome do bairro em seu nome está significando algo relevante.  A crônica […]

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ACASOS, ROTEIROS, COMBINAÇÕES Uma cidade vive de coisas imediatas, como pessoas, empregos, produção, lixo, ruas, instituições, água, esgoto. Mas também depende de coisas muito menos óbvias, como história, lendas, impressões, reputações.  Porto Alegre, com suas limitações, tem o que dizer e o que fazer tanto no plano das coisas físicas quanto no das metafísicas. Temos virtudes e problemas em abundância, o que de resto, pensando bem, acontece com qualquer parte do mundo habitada por gente interessante.  Nesta semana, a Parêntese – eu digo e penso “a” Parêntese, porque ela é uma revista – aciona alguns desses elementos, os traz para o centro do palco e os avalia, na mesma medida em que oferece ao leitor a possibilidade de olhar e pensar.  A reportagem foi atrás do que há e do que pode haver com a Usina do Gasômetro. Símbolo físico da cidade, ela já foi uma usina propriamente dita, que produzia energia a partir de carvão.  O nome “Gasômetro” sugere que se tratava de usina a gás, mas não. Ocorre que ali naquela ponta da cidade havia, antes da Usina, um gasômetro, um depósito de gás, motivo de aquela região ser conhecida, depois de 1874, como “Ponta do Gasômetro”. Depois veio a energia elétrica, na usina a carvão. (Pode-se dizer que essa nomeação é apenas uma das muitas armadilhas da cidade, que são encantadoras em sua dissimulação.) Fechada como usina, a Usina virou um escombro até ser refuncionalizada em Centro Cultural, que por bons anos teve funcionamento por assim dizer energético, até perder força, como uma lâmpada que perde luz. Agora, o que vai acontecer com ela? Estamos em ano de eleição, e ela, por si mesma ou como símbolo, é um excelente tema para indagação sobre a cidade. Na entrevista, fomos desta vez ouvir um senhor que tem já uma dimensão legendária, profissional influente por mais de uma geração, economista que, por artes da história, não realizou no poder o que se preparou para fazer. É Cláudio Accurso, um homem de 90 anos em plena vitalidade, com planos de publicar um importante livro logo. Ele conta sua história e com ela repassa o tempo que vem dos anos 50 até agora. Sem combinação prévia, tanto o novo capítulo da história da música em Porto Alegre, que o Arthur de Faria está produzindo, quanto uma originalíssima crônica de Marta Orofino e Gabriel Madeira relatando experiência de acompanhar uma figura humana singular pela cidade, os dois mencionam o romance Estrychnina, publicado em 1897 numa Porto Alegre bem menor que a nossa. O que eles têm em comum?  Para quem gosta de pensar a cidade como uma série de roteiros por onde escorre nossa vida diária, esse texto da Marta e do Gabriel faz par com a memória de José Falero, que revisita exemplarmente o sentimento cotidiano do medo, talvez de modo inesperado. A memória de Richard Serraria traz sua história pessoal em dimensão geográfica: um artista que carrega o nome do bairro em seu nome está significando algo relevante.  A crônica […]

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