Ensaio

João Cândido, o Almirante Negro

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João Cândido, o Almirante Negro João Cândido (Foto: Domínio Público)

Barcos dos mais diferentes tamanhos fazem gemer suas sirenes. O imenso encouraçado responde de imediato. O dia 17 de abril de 1910 está perfeito: sol macio e poucas nuvens. A bombordo do Minas Gerais, o Pão de Açúcar parece retrato de calendário. Tinha que surgir do lado do coração, pensa João Cândido, o timoneiro. O povo amontoa-se nas praias, no alto dos morros, muitas pessoas sacudindo lenços brancos e pequenas bandeiras verde-amarelas. O marinheiro manobra com imenso cuidado. O navio chegando dos estaleiros da Inglaterra é a estrela principal daquela constelação marinha.

Ancorado o Minas Gerais nas proximidades do Arsenal, sua tripulação entra em forma para receber as autoridades.  O Almirante Alexandrino de Alencar, Ministro da Marinha, abre caminho para o Presidente Nilo Peçanha. 

Por um desses insondáveis mistérios do destino, João Cândido, ali perfilado junto ao timão do Minas Gerais, tinha entrado na Escola de Aprendizes Marinheiros de Rio Grande pelas mãos do então Comandante Alexandrino, também gaúcho e seu padrinho de batismo. Assim, num rasgo democrático, o Ministro apresenta o gigantesco marinheiro ao presidente. E João Cândido, com dedos trêmulos, desembrulha um pequeno quadro e o mostra a Nilo Peçanha, também um afrodescendente como ele. O Presidente sorri, mas não leva o presente. Dirigindo-se ao Ministro da Marinha, profere as palavras que os jornais irão destacar no dia seguinte:

– Traga o timoneiro ao Catete. Eu o receberei em audiência particular.

Nunca na História do Brasil um Presidente da República tinha honrado tanto um simples marinheiro, mas o impacto popular da chegada do Minas Gerais, tão perfeitamente manobrado por aquele gigante negro, deve ter sido responsável por sua atitude.

[Continua...]

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