Ensaio

O Novo Significado

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O Novo Significado

1- Densos e sutis

Na Índia, tem um ensinamento que é muito massa e que faz com que eu fique observando as pessoas, principalmente os velhinhos. Conforme a vida vai passando, ou tu vira denso (sthula), ou tu vira sutil (sukshma). A grosso modo: ou o idoso fica emburrado e grosseiro, ou fica generoso, sábio e amoroso, até a morte. São inúmeras as razões para essa diferença de atitude frente à vida e a seus contratempos. Quando a pessoa é jovem, principalmente quando quer se casar, ainda consegue esconder seu real ser, por um certo tempo. Mas, depois de uma certa idade, a chutação de balde é geral, e alguns velhinhos muito brabos viram o terror dos asilos e das famílias. Um intestino sofrido, enfezado por uma má alimentação e uma digestão precária, pode ser uma das grandes causas desse mau humor eterno. O intestino (nosso segundo cérebro), quando desequilibrado, também é um dos grandes responsáveis pela depressão, ansiedade e insônia reinantes. Contudo, muitos médicos alopatas ainda acham esta conversa sem sentido. Paciência. 

2- Revolução no ensino e na política

A boa nutrição, baseada na alimentação funcional e natural, tem que ser ensinada desde o ciclo fundamental nas escolas. Assim como aulas de yoga, compostas por posturas, respirações e meditação. Quando estes ensinamentos começarem a enriquecer a infância dos brasileiros, vai começar uma mudança no comportamento dos pequenos, provocando uma verdadeira revolução na educação. Tudo que é ensinado na escola tem que carregar um significado explícito, que leve à evolução do ser e da sociedade em que vivemos. O ensino de finanças básicas tem que ser estimulado. O estudo da ética é fundamental para o resgate da moral dos brasileiros. Quando as noções do respeito e da honestidade foram perdidas no Brasil? De que escolas saíram estes pseudopolíticos que sequestraram nosso País? Resgate urgente da boa educação e dos bons costumes! A catástrofe já está posta na mesa, principalmente nas mesas hospitalares. As pontas soltas têm que começar a ser amarradas, ou não vamos mais para a frente. A política também tem que ser estudada nas universidades, e deveria haver concursos sérios para qualquer cargo público existente que mexa com recursos que são de todos. Temos que voltar também ao ensino clássico, com aulas de filosofia e lições de tolerância. 

3- Verde-oliva da esperança

Uma vez que o Brasil, felizmente, não está numa linha de batalha há 80 anos, desde a Segunda Guerra Mundial, os militares têm que se ocupar da salvação do Brasil. Sim, o exército tem que estar sempre preocupado com uma invasão estrangeira, mas, enquanto ela não chega, seu efetivo deve estar cuidando da segurança eficaz da Amazônia, por exemplo. Nosso bem mais precioso, a floresta, tem que ficar livre dos mineradores e dos madeireiros em terras indígenas. Militares conscientes com postos na selva deveriam denunciar a crescente poluição dos rios, principalmente com elementos como o mercúrio. E todos os militares deveriam ser dinâmicos na defesa da população contra os novos vírus. São muitos anos de gastos da população com os militares, suas famílias e suas regalias. Têm que haver uma retribuição social imensa por todas estas verbas públicas. Além do mais, os colégios e institutos militares têm algumas das cabeças mais privilegiadas em inteligência. Essas cabeças têm o dever de ajudar a criar soluções estratégicas para auxiliar o governo no combate à selvageria empreendida pelos corruptos em territórios fragilizados, até que o país volte sozinho a andar nos trinques da civilidade.

4- Uma nova economia urgente

A economia brasileira atual deveria ter medidas de enfrentamento rápido para atenuar as perdas causadas pela pandemia. Os critérios para utilização de verbas públicas neste momento têm que levar em conta a mobilidade financeira entre as classes e a solução das carências mais básicas, como saúde, alimentação, emprego e educação. O abismo já está profundo demais entre pobres e ricos, e a barbárie já começou. Não adianta balear pessoas ligadas ao crime nas favelas, se não existe para elas possibilidade de conseguir sustento de uma outra forma. A fome só dói na barriga dos outros? As equipes econômicas têm que trabalhar eficientemente resolvendo o agora e projetando o futuro. Sem planejamento consciente, não conseguiremos sair deste buraco. 

5- Filantropia na marra

O que aconteceu de legal neste confinamento foram as redes de apoio através da internet, de coleta de verba para alimentos e medicamentos. Entrega de comida aos moradores de rua, pequenos negócios entre produtores de bens e serviços. Sem querer, o brasileiro foi levado e testado em sua capacidade de exercer compaixão. Ajuda entre vizinhos que nem se conversavam. Apoio em mensagens carinhosas e emojis enviados pela rede para cada pessoa que perdeu familiar ou amigo neste momento. Também mensagens de afeto e força para os solitários que reclamaram de ter chegado ao fundo do poço. Será que esta compaixão vai se manter quando esta pandemia se acalmar?

6- Amizades fortalecidas

As relações de amizade representaram um dos fatores mais importantes nesta peste. Dos familiares, já se espera a tradicional solidariedade consanguínea, mas só é amigo quem deseja. Ficou muito visível quem são teus reais amigos e quais pessoas se importam com tua existência e saúde. Muitos velhos amigos se comunicaram para saber se o companheiro de sua juventude conseguiu se vacinar. Já tomou a segunda dose? Já podemos nos encontrar um dia, quem sabe? Ao mesmo tempo, os aplicativos de encontros e namoros parecem resolver, em alguns casos, a necessidade mais urgente de sexo e companhia, principalmente para os jovens. Mas, para quem tem a idade pesando no lombo, o bem mais precioso ainda é desenhar um mapa de onde estão teus amigos nesses tempos de caminhos pedregosos e momentos insalubres. 

7 – Em suma 

Os brasileiros ainda estão sem ver a luz no final do túnel, com a corrupção, a ignorância e a violência levantando uma densa cortina de fumaça. Quando vão aparecer líderes que se importem com as questões levantadas acima e apresentem ações concretas? Nas próximas eleições presidenciais? Parece bem improvável. Quando vai aparecer o príncipe (ou a princesa) que vai dar o beijo mágico na terra brasilis, fazendo secar as ervas daninhas e permitindo ao País voltar a florescer? Estou esperando e torcendo. 

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