Ensaio

O teste das garotas: parte 3

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O teste das garotas: parte 3

De cara e de graça, caíram no colo das meninas as broncas do racismo e da desigualdade. É só matar no peito – opa, busto – e chutar. Não é só encaixar rostos afros na telinha ou debulhar estatísticas de pobreza. Disfarçadamente, a grande mídia comandou a resistência às cotas na universidade pública. As garotas se safaram do jornalismo da ordem unida para resvalarem no do passo certo do mercado. Só não podem cair no machismo social de saias. 

A sempre prateada Realidade, da Abril, ousou tocar no racismo brasileiro na década de 60. Enfrentou fogo cruzado à esquerda e à direita. Os tempos são outros mas o reacionarismo continua o mesmo nas redações. 

Mais potente que hormônios e neurônios em ebulição, um tique nervoso bloqueia a pensação e a musculatura das redações. Luiz Garcia, editorialista de O Globo ensinava: “Em redação só dá problema o que você publica.” Há um receio de não sei o quê de ferir alguma verdade sagrada suspensa no ar. Em consequência o Brasil amanhece e anoitece sem saber a importância do que está acontecendo, longe ou perto. 

Elas aprenderam logo a bater forte no capitão insano, melhor que nós, mas há muita coisa encardida pela frente. Um raio de luz caiu no estúdio da Globo News no dia 26 de março, da demissão do ministro da Defesa. Foi quando Fernando Gabeira trocou no ar a eufemística expressão ala ideológica do Palácio do Planalto por ala de extrema direita. Em êxtase, Natuza Nery quase caiu de joelhos. O freio de mão da autocensura impedia garotas e garotos de BSB de batizarem a gangue da pobrefobia com o nome certo, Clóvis Rossi vive.

OS NÚMEROS NÃO MENTEM

A montanha de mais de 400 títulos de jornais diários forceja para rodar o vexame de 9 milhões de cópias para uma população de mais de 200 milhões. Por algum motivo o nosso produto não é considerado gênero de primeira necessidade. Não por falta de matéria prima. Conteúdo?

Há mais tempo na linha de frente, as garotas do jornalismo impresso já decifraram uma velha tapeação dos compêndios da faculdade, a de que os jornais se esforçam para aumentar a tiragem. O esforço é apenas o de fechar o nicho cativo de leitores aos concorrentes. O nosso jornalismo de papel é pensado para o deleite do seleto clube do poder e os pretendentes a sócio. Quê redes sociais, que nada! 

Editoriais caretas falam em nome de quem nunca foi lembrado como cidadão e leu uma notícia que lhe interessasse, além do futebol. A função dos jornais hoje é a de projetar a linha editorial dos outros meios, especialmente tevê e rádio. As milhares de rádios do interior se valem das notícias e colunas dos jornalões, de acordo com a orientação de seus donos e sócios, para eleger vereadores, prefeitos ou deputados. Funcionam como agência eleitoral dos partidos conservadores. 

A ESCABROSA CUMPLICIDADE

[Continua...]

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