Entrevista

Celina Alcântara: Uma mulher de axé — Parte II

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Celina Alcântara: Uma mulher de axé — Parte II Celina Alcântara

Seguimos hoje acompanhando a segunda parte da entrevista feita com Celina Alcântara. A Parte I você acessa aqui. A conversa foi realizada por Caroline Falero, que foi aluna da nossa entrevistada.


Parêntese – Como foi pra ti fazer história e ser a primeira mulher negra e a primeira intérprete do Rio Grande do Sul a ser premiada pelo Prêmio Cenym de Teatro Nacional?

Celina Alcântara – Eu confesso que eu fiquei surpresa em relação a esse prêmio, fiquei bastante surpresa, porque eu não sabia, não conseguia entender, não consigo entender até hoje como é que eles acessaram. Imagino que talvez por conta desse circuito nacional eles tenham assistido ao espetáculo, tenham sabido, né, do modo como ele estava reverberando, e talvez tenham ido ver a performance. Eu confesso que sempre fico surpresa com essa questão dos prêmios, e acho que tem um pouco dessa coisa da gente, tem a ver com ser negro e negra, a gente ainda está num lugar que parece que, por mais que faça, a gente é profundamente desmerecido, por mais que a gente faça, parece que não vai acontecer com a gente. Tipo assim, nunca ninguém vai me dar o prêmio nacional. Eu acho que no fundo era isso que permeava, tanto é que fiquei muito surpresa. Mas ao mesmo tempo, quando acontece, o prêmio tem muito essa função do reconhecimento. Então, mesmo ficando surpresa, eu fiquei feliz por terem me indicado, e mais feliz ainda por ter ganho o prêmio. Mas é isso, as pessoas negras, é muito comum falarem isso, essa surpresa, porque não seria possível com você, a gente em geral não pensa essas possibilidades pra gente. Mas tem a ver com essa herança que nos desumaniza, nos subalterniza, e a gente, mesmo quando fez muita coisa, mesmo tendo vivenciado, a gente acaba, enfim, se colocando nesse lugar de quem não é digno de algumas coisas. Então com surpresa, mas ao mesmo tempo com alegria: que bom que aconteceu. Porque abre também possibilidades pra gente olhar pra isso como potência, como possibilidade, como direito, né. E não achar que é uma coisa extraordinária.

P – Falando em ser a primeira, se não me engano, antes da “Mulher Arrastada” tiveram outros momentos e espaços, durante a tua trajetória, em que tu foste a primeira mulher ou pessoa negra, certo?

[Continua...]

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