Entrevista

Choro sufocado e intrigas: o romance de Laura Peixoto

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Choro sufocado e intrigas: o romance de Laura Peixoto Laura Peixoto autora de Engole esse choro (Foto: acervo pessoal)

A entrevista de Jandiro Koch nos apresenta Laura Peixoto. A autora conta sobre suas obras e seus personagens literários e ainda nos apresenta o cenário cultural de Lajeado (RS),  onde atua como figura importante nos movimentos culturais.

Laura Peixoto completou seis décadas e um tanto, a maior parte no interior do Rio Grande do Sul, em uma cidade que já foi minúscula e, com o passar dos anos, começou a despontar no cenário econômico: Lajeado. Nesse espaço, o ideário cristão ligado ao sacrifício e o capitalismo são conceitos em abraço de porco espinho.

Fixando residência por escolha e contingência (misturinha nem sempre fácil de separar nas rememorações de si), Laura se tornou avant-garde como agitadora cultural, referência de investidas anti-mainstream – às vezes quixotescas. Projetos culturais, experimentações teatrais e publicações literárias, entre outras, fizeram dela um gigante local. Desses que há em todos os municípios menores, mas que, pela reiteração narcísica dos grandes centros em torno dos seus, acabam restritos a certa geografia.

Em 2020, Laura lançou Engole esse choro (Libélula Editorial), adiantando o pé em relação à historiografia regional, que ainda tem receios para tratar do alcance da ditadura civil-militar brasileira no seu entorno – sem contar os alguns que o fizeram com viés ideológico favorável, deixando de registrar quaisquer contradições. Colocando as memórias silenciadas na roda de chimarrão, numa narrativa em que desfilam tipos locais, a autora tateia – porque sabe das chances de ser jogada na cova dos leões sem Daniel, buraco em que a antropofagia não modernista é prática corriqueira.

Uma escritora melhor compreendida tomando junto a biografia. Nascida em Santa Cruz do Sul, é formada em Jornalismo pela Unisinos (1990), especialista em Filosofia e Educação pela Univates (2008) e em Literatura Brasileira pela UFRGS (2017). Trabalhou por seis anos no Núcleo Cultural da Univates, por ela inaugurado (1999-2004). Organizou várias exposições de artistas plásticos como Alessandro Cenci, Edison Mayer, Gisela Schinke e Maria Tomaselli; três edições do Salão do Humor, voltados para cartuns e caricaturas, na Univates; concursos fotográficos diversos;  oficinas de teatro e um festival de teatro amador (1991), atividades em que estiveram envolvidos nomes como Ismael Caneppele, Júlia Feldens, Marcelo Aquino e Telma Scherer – todos conhecidos pelo grande público anos depois. 

Fez voluntariado ministrando aulas de teatro no CIEP do Bairro Santo Antônio (2004), comunidade pobre de Lajeado; e oficinas de contos voltados para grupos de recuperação de adictos. Publicou Um dia tudo se ajeita (WS Editor, 2005); Intrigas na colônia (Scortecci, 2012); Crescer é morrer devagarzinho (Buqui, 2018); e Engole esse choro (Libélula Editorial, 2020). Tem crônicas e contos espalhados em coletâneas. As colaborações para jornais são incontáveis, destacadas as colunas semanais nos jornais A Hora e Opinião, entre 2009 e 2010. Hoje mantém uma estante de livros usados na calçada da rua de sua casa, guarnecida por livros dela e doações, que mantém a filosofia self-service de retirar, ler e devolver: a “Biblio da Duque”.

A entrevista resultou de um ir e vir por e-mail (e de causos relatados por Whatsapp, alguns aproveitados na seção). 

Parêntese – Um dos primeiros livros teus que li foi o Intrigas na colônia. Lembro-me dos personagens como representantes típicos de várias figuras representativas de locais ditos interioranos. São a tua matéria prima mais recorrente? Vamos começar falando nesses elementos?

Laura Peixoto – As figuras do interior… Somos nós, né?  Com nosso anseio de parecer cosmopolitas e descolados. Atrás de vivências e encontros culturais, com o desejo de participar de tribos, encontrar afinidades literárias, musicais e artísticas. Busca fracassada quando não abandonamos o açude do interior onde a gente afunda o pé no lodo. Minhas narrativas contemplam os que se banham no mesmo açude. São os conhecidos: Diter, que precisou fugir da cidadezinha porque era gay; as retraídas irmãs Fuchs; os Trümmer, que viajaram para o exterior, mas acabaram falidos; as mulheres que tiveram muitos filhos e se viram desamparadas, etc. O Intrigas da colônia revela a solidão e a tensão sexual de alguns personagens. Também a amargura familiar e os mexericos da vida alheia, que acabam servindo de alento para aqueles que não abandonaram o açude, ou seja: “… se não fosse por dona Marcuta, essa colônia nem respirava. Um tédio”. É uma pena que o livro não passou por uma boa correção: vários erros gramaticais e cacófatos.

P – Os personagens mantêm esse contorno no livro recém-lançado – Engole esse choro? Ao menos, como leitor, vi assim. Mudou o gênero textual, embora lembre menos uma novela/romance do que um conjunto de contos amarrados por um fio condutor, mas os figurantes são muito semelhantes. Ou não?

LP – Sim, tem muitos protagonistas de Intrigas na colônia. Só sei falar de personagens que conheço e nos quais me reconheço. Esse conjunto tradicional composto por pai, mãe, três filhos, uma vó e uma empregada – que provavelmente recebe pouco, “mas é quase da família”. Um retrato doméstico e conservador de famílias que vivem com renda e orçamento apertado, com todos fuxicando, dando palpites, confabulando e aumentando as intrigas na cidadezinha, em 1974. Engole esse choro, no entanto, é mais marcado pelo contexto ideológico. Plena ditadura. Nos anos 70, houve muita difamação no interior. Pessoas importantes se achando no direito de botar o dedo na cara do outro. As pessoas fazendo de conta que não tinham por que se preocupar com um governo militar…  E, em uma cidade onde todos se conhecem, não havia perigo de comunista se criar. E se existisse? Um sussurro no ouvido do delegado terminava com o sujeito e a cidade voltava ao sossego do lar entre as famílias de bem. Com certeza a perversidade não é marca exclusiva de interioranos, né? Mas também fico viajando… Talvez Engole esse choro não seja sobre a ditadura. Lembro-me da epígrafe de Deleuze transcrita no livro Benet, de Cristina Cattoi: “O verdadeiro tema de uma obra não é o assunto tratado.”  Qual então seria o assunto? As percepções de uma menina de doze anos e o quanto ela engoliu durante a sua vidinha, que acabou com o seu equilíbrio emocional?

P – Falando em “menina de doze anos”, tu escreveste um livro infantil, não foi? Tens outros além dos já citados? 

LP – Tenho quatro livros: o infantil Um dia tudo se ajeita!; o de contos Intrigas da colônia;  o de crônicas Crescer é morrer devagarzinho; e a novela Engole esse choro. Todos inspirados em fragmentos da vida real.  Esses dias, vi um documentário sobre a Lygia Fagundes Telles. Ela também busca na intimidade familiar e social a inspiração para suas ficções. 

P – Tão próximos e com um cheiro peculiar de interior… Em algum momento os personagens se voltam – intencionalmente – ao macro? Existe essa perspectiva? 

LP – O padre de Engole esse choro, com muita cautela, nas entrelinhas, alerta para os comportamentos no país: “tiempos difíciles”, “las cosas não están para foguetes”… Ele entende os conflitos sociais e tenta chamar a atenção da protagonista infantil, Eleonora. Ela recebeu uma educação punitiva, induzida a se identificar com atividades “femininas”, a ler fotonovelas, a brincar de miss. Já as cartas de Juarez mostram o pensamento do jovem macho, branco, classe média, um cara típico daqueles anos de repressão social: daí as drogas, o sexo, a liberdade para fazer e acontecer. Esses temas são como que universais, amor, ódio, expressões de feminilidade e masculinidade.

P – Uma miscelânea de temáticas. Tem alguma que virou bandeira pessoal tua? Questões ambientais, feministas, a democracia? 

LP – Sabia que a deficiência de iodo no organismo nos deixa imbecilizado? Vou pedir ao endócrino que aumente minha dosagem do Puran [sintético usado para equilibrar os níveis de hormônio da tireoide].  Porque me sinto a própria, tentando manter a cabeça fora do açude… Mal dá para respirar nos dias de hoje.

P – Muitos descrevem um momento interessante da História, parecido com o que tu acabaste de comentar, ou seja, de superficialidade, de negacionismo, uma onda na qual se tem medo de afundar – ou um açude, como tu vens colocando, surpreendentemente fundo. Tu vês funções sociais na tua escrita? 

LP – Conto histórias e espero que despertem a curiosidade, o senso crítico. De Engole esse choro, espero que se perguntem: Como que eu não vi? Como que eu não sabia? Quem sabia e porque nunca contou? Conto essas histórias para responder as minhas próprias questões. Que as cidades desmemoriadas se vejam em Lacônia do Sul [cidade pseudofictícia em que a narrativa se desenrola].

P – Fazer referências à ditadura militar, ou melhor, sobre como o regime civil-militar reverberou no Vale do Taquari, é algo apenas tateado por aqui. Tu trabalhaste com história oral, certo? Pretendes avançar?

LP – Vivo há 60 anos em Lajeado. Guardei várias lembranças, eu diria cicatrizes sentimentais. Essas lembranças não são atestados de veracidade sobre a História. Elas se confundem, se embaralham, é dessa imprecisão que surgiu a minha narrativa literária. Aliás, eu noto certa dialética no texto. Tem muita gente ainda viva, que sabe desse período, gente capacitada para pesquisar e escrever de forma acadêmica, não ficcional. Particularmente, de momento, não tenho pretensões literárias de sequência nesse assunto. 

P – Então vou emendar mais uma questão, que vai incrementar de momento, já que não vai haver um Engole esse choro II. Como tem sido escutar, novamente, pelo interior, a exaltação de regimes autoritários e a demonização do comunismo, socialismo e marxismo?

LP – Um assombro… Parece que a História não ensinou nada. Parece que os professores pularam esse capítulo ou a galera matou muita aula. Brasileiro não tá nem aí para a ditadura. “Ela não foi “branda” como a mídia assegurou?” É por isso que o braziu elegeu essa família de psicopatas e criminosos. “Uma nova forma de governar.” Sem corrupção, né?  Não sei, talvez Lacônia do Sul não seja mesmo uma cidade de interior, mas o país.

Acervo pessoal.

P – Já tentaste sair desse braziu uma vez. O que motivou essa experiência? Como foi? Autoexílio?

LP – Uma tentativa de afundar os pés num lodo diferente (risadas). Foi muito bom. Andar por aí sem conhecer absolutamente ninguém é outro tipo de solidão.  Foi libertador. E inspirador. Paris e Londres. Dormia no chão de um apê com três gurias. Um frio desgraçado. Findos os minguados, voltei.

P – Muitos dos teus personagens são conscientemente ou acidentalmente trabalhados com humor. Há, certamente, um tom de tragicomédia em muitos deles. Sendo inspirados em vivências reais, algum fato pitoresco, que possas lembrar, que tenha marcado a tua biografia?

LP – Quer coisa mais trágica do que um bando de adolescentes dar uma volta na “zona” e encontrar o carro do pai estacionado em frente a uma das casas? Pois é.  A paródia nos meus contos e crônicas revela o banal das situações.  A vida é uma farsa e, no interior, a proximidade é reveladora. Todo mundo sabe de todo mundo. A vaidade, a prepotência, a ganância obsessiva chega às raias do ridículo. E é tão impressionante que só rindo mesmo. Para a literatura, um prato cheio. Não por menos que Shakespeare é o mestre da tragicomédia. 

P – Vou te convidar para sair da literatura e comentar um pouco das tuas outras tantas experimentações culturais. Aliás, como é a sensação agora, tendo lidado diretamente com a cultura por vários anos, vendo a desconsideração pelo mundo artístico?

LP – Desconsideração é um termo elegante para apontar o atual momento brasileiro. O governo Bolsonaro emparedou a cultura numa escuridão que parece não esvaecer tão cedo. E aí veio pandemia para apagar as candeias resistentes. Sabemos que emprego bota comida na mesa, porém a cultura gera energia e paixão e faz com que a gente se levante (e se reinvente) todos os dias. Mas cultura é algo muito socialista, né? Capaz que os governos ditatoriais não vão esmagar a arte e a cultura com o peso de seus coturnos sabendo que são focos de resistência. E ainda temos que pensar em aspectos nefastos atrelados ao que chamávamos de cultura. Agora estamos vivendo a cultura do evangelho, gerida por “organizações culturais” bem lucrativas. 

P – Você é uma das organizadoras do Arte na Praça? Quais as inspirações, quais as respostas do projeto? 

LP – O desejo de jogar à luz do sol a arte que existe em Lajeado foi o mote principal. Aproximar as pessoas do artista e do artesão de forma mais lúdica. Trazer as pessoas para o reencontro social, sair da frente das telas. Deu muito certo, mas depois da 4ª ou 5ª edição os artistas sumiram e só os artesãos continuaram. O SESC abraçou quase desde o início e com isso conseguimos envolver os músicos da região. Ano passado, completamos cinco anos de Arte na Praça, com uma edição por mês. Esse Arte inspirou Estrela, Arroio do Meio e Teutônia. Espero que, passada a pandemia, retorne.

P – E a carreira de jornalista? O teatro?

LP – Experimentei rádio, televisão [RBS TV de Santa Cruz, 1998] e jornal. Fui a primeira comunicadora feminina da FM Tropical, em 1998.  Foram boas experiências. Quando surgiram os blogs, criei o Varal da Laura, onde pendurava postagens sobre arte, meio ambiente e críticas políticas. Durou uns seis anos. Ao encerrar, quase mil acessos diários. Agora, a curiosidade de jornalista virou curiosidade histórica e literária. O teatro foi intenso nos anos 90, quando fiz oficinas com Denize Barella (Teatro Vivo). Montamos um grupo (Baratas do Palco) para participar do Festival de Teatro Amador do RS (FETARGS).  Durante vinte anos me envolvi com diversas peças, grupos diferentes e várias oficinas, inclusive uma com Augusto Boal, em São Paulo.

P – Tens uma vida de agitadora cultural no Vale do Taquari. Não de promoter contratada para dizer o que o empregador pede, figura que se encontra com certa facilidade. Esse olhar perspicaz para as mazelas locais é uma característica pública e notória de Laura Peixoto. Astúcia que incomoda. Mexendo um pouco mais nesse angu, o que falta em termos culturais para o Vale do Taquari, região que se vangloria pelos bons resultados na economia, supostamente capaz de investir nesse âmbito?

LP – Falta conscientização. Falta grana. Falta boa-vontade. Aqui investem em gasolina e cimento, na cultura e no patrimônio, nada. A proteção ao meio-ambiente é um faz-de-conta. E como os grupos sociais se entrelaçam por aí, a corrupção nunca é investigada.

No interior de Estrela/RS, em 1994.

P – Voltando um pouco para a Literatura, como funciona com a editoração? Existe alguma peculiaridade para escritores que vivem no interior? Como foram tuas experiências?

LP – Uma ruim, uma mediana e duas muito boas. Penso que depende do que o autor espera alcançar com a sua literatura. Até onde quer chegar. Hoje priorizo editoras gaúchas. E se puder, uma editora da região. É tão fundamental o “olho no olho” com a editora escolhida. E é importante se perguntar o que diferencia a editora que você escolheu: um prestígio lançar na Feira do Livro de Porto Alegre?  É relevante o apoio no pré-lançamento e na divulgação? Ter o livro nas plataformas online? A editora faz a distribuição? São questões importantes na hora de escolher. Acredito que a autopublicação tem ajudado as médias e pequenas editoras a sobreviverem. O autor independente paga bem para publicar o seu livro. E são muitas as editoras. Ou eram. Gostaria muito de não arcar com os custos editoriais, mas… Depois que soube que Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira também se valeram da autopublicação, desencanei.  

P – Invertendo a direção das perguntas. Acaso fosses elencar boas coisas para convencer um amigo a morar em Lajeado, cidade em que atualmente resides, ou no Vale do Taquari, quais seriam?

LP – A praticidade: para tomar um café com uma amiga, para chamar uma assistência técnica, para caminhar pelas calçadas sem medo de assalto, pelo menos à luz do dia. Para criar uma criança em ambiente ainda sem muita poluição.  Certa vez o Paulo Sant’Ana escreveu que desejava sair de Porto Alegre. Aí escrevi para ele vir para Lajeado, contando das maravilhas de morar no interior. Ele publicou a carta na íntegra em uma coluna que manteve na Zero Hora.  Ainda bem que não veio. 

P – Pessoas mais próximas sabem da tua saída da Alivat (Associação Literária do Vale do Taquari) em 2020. Alguma coisa a contar sobre o desligamento?

LP – Entrei na Academia Literária do Vale do Taquari em julho de 2018.  Durei dois anos. Nesse meio tempo, lançamos o livro Tudo no mundo começou com um sim, coletânea com autoras da região.  Algo nunca sequer pensado. Dei minha contribuição.  A Academia reúne quarenta escritores.  Respeito a grande maioria, mas alguns são fascistas, preconceituosos e racistas. E como sentia muita vergonha de ler as opiniões de acadêmicos nas redes sociais, deixou de fazer sentido minha participação.

P – E as tuas referências intelectuais? 

LP – As minhas referências passaram pela biblioteca da minha vó, em Cruz Alta: Monteiro Lobato, Érico Veríssimo, Balzac. Aos treze anos, li Carolina Maria de Jesus. Fiquei impressionada. Minha vó tinha o livro e eu herdei. Na pós de Literatura da UFRGS, retomei. Passei pela fase Jorge Amado, Machado de Assis, Gabriel Garcia Márquez, Assis Brasil, de quem fui aluna na Oficina de Criação 11.

Atuando em peça teatral. Seminário em Daltro Filho, Imigrante/RS. Acervo pessoal.


Jandiro Adriano Koch, ou Jan, nasceu e vive em Estrela, RS. Graduou-se em História pela UNIVATES e fez especialização em Gênero e Sexualidade. Com quatro livros lançados, dedica-se a estudar e mostrar vivências LGBTQI+, especialmente em sua região, o Vale do Taquari. Na Feira do Livro de 2019, lançou um novo livro, pela Libretos, Babá – Esse depravado negro que amou.

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