Entrevista

Equilibrando vários pratos no ar

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Equilibrando vários pratos no ar Regina Zilberman recebe o Prêmio Brasília de Ensaios Literários em 1977.

Referência na área dos estudos literários, na cidade, no estado e no país, Regina Zilberman repassa algo de sua vida nesta entrevista. Foi ela uma das responsáveis por estruturar em alto patamar os estudos de pós-graduação na PUC, onde trabalhou por décadas, e segue orientando e pesquisando agora na UFRGS.

Regina foi uma das mais notáveis diretoras do Instituto Estadual do Livro, IEL, uma instituição que deve estar quase completando meio século e dá orgulho para o estado. Foi nessa época, governo Simon, que comecei a interagir com ela, numa amizade que tem já a idade das coisas provectas.

Além de todo o acúmulo de notáveis experiências, a Regina teve ainda a boa lembrança, na entrevista, de lembrar a figura de uma colega que morreu cedo demais. Lígia Averbuck, a quem devemos muita coisa boa, inclusive na estruturação do mesmo IEL. Vale a pena acompanhar.

Luís Augusto Fischer


Parêntese – De trás pra diante: como está o cenário atual da tua atividade, como professora, orientadora, autora de textos, produtora de livros? Igual a como era no teu começo de carreira? 

Regina Zilberman – Bastante intensa! Tenho procurado equilibrar vários pratinhos no ar: docência em ensino remoto, orientação em nível de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, produção de obras individuais ou em cooperação, pesquisas apoiadas por agências de fomento. 

Quando comecei a dar aulas, lá nos idos dos anos 1970 (ou até antes, pois lecionei no ensino médio antes de completar o curso de Letras), também dava conta de tudo isso, mas com menos intensidade. Talvez até por não me dar conta da extensão dos compromissos. Ou também – e principalmente – porque era mais jovem. Isso faz toda a diferença.

Outras diferenças, mais exteriores essas: as mudanças tecnológicas! Note-se: eu sou do tempo em que xerox era um avanço, pois a gente preparava material para ser multiplicado por mimeógrafo a álcool. Computador (em versão desktop ou notebook), internet, celular, redes sociais, plataformas digitais, etc. – tudo isso veio depois, alterando o modo de produção, seja de textos, de desenvolvimento de pesquisas (a Hemeroteca Digital, disponibilizada pela Biblioteca Nacional, por exemplo, provocou uma revolução no modo como entendemos a cultura brasileira no século XIX), até de docência, haja vista o fato de que poderemos provavelmente nos livrar das aulas remotas um tanto improvisadas e precárias que estamos ministrando, mas a educação à distância veio para ficar.

Então não se trata apenas de a gente continuar ativo, produzindo, lecionando, pesquisando, etc.; mas se fazer tudo isso por intermédio de ferramentas permanentemente renovadas, cujas mudanças cabe acompanhar. A intensidade com que desempenhamos tarefas – todos nós, nos últimos tempos – tem a ver com esse novo panorama, incidindo em esforços adicionais para além das possibilidades dentro das quais fomos formados.

[Continua...]

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