Entrevista

Taiasmin Ohnmacht: Uma tentativa de novidade

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Taiasmin Ohnmacht: Uma tentativa de novidade

A autora de Visite o decorado (Figura de Linguagem, 2019) e de Vozes de Retratos íntimos (Taverna, 2021) nos honra pelos próximos dez sábados com sua ficção no novo folhetim Por quem esperamos. Conheci a Taiasmin através das palavras e ano passado tivemos a chance de participar do primeiro encontro do Coletivo de Escritores Negros daqui de Porto Alegre. Nos reunimos presencialmente no último dia 20 de novembro e desde então reuniões mensais nos trazem novas perspectivas e afetos dentro deste mundo louco e restrito que é o da publicação literária. Deixo aqui meu convite para quem quiser conhecer nosso ainda jovem Coletivo no Instagram e um pouco da nossa escritora nas linhas que trocamos por Whats App.

Nathallia Protazio


Parêntese – Quem é Taiasmin Ohnmacht?

Taiasmin – Enquanto escritora, ser uma contadora de histórias me define bem. Além disso, sou uma mulher negra, psicóloga, psicanalista e mãe de dois filhos.

P – Como a escrita entrou na tua vida? 

T – É difícil responder como a escrita entrou na minha vida, porque ela parece sempre ter estado ali, desde quando aprendi a escrever. Mas se a questão é fazer algum recorte, faço dois: o primeiro é que cresci em meio a uma estante cheia de livros, todos de minha mãe, mulher apaixonada pela leitura, e o segundo é que ela é uma grande contadora de histórias também. Para ela não basta ler um livro, é preciso contá-lo. Assim, muito cedo me interessei por contar minhas próprias histórias, mas apenas aos 37 anos me permiti apresentar meus textos em espaços públicos.

P – No teu processo criativo a psicologia se torna uma ferramenta de trabalho? Como se dá esta relação? 

T – Acredito que a escrita e meu interesse por literatura influenciam mais meu trabalho clínico do que o contrário, mas sou uma pessoa apaixonada pelo humano, curiosa por compreender as dores e delícias do que é humano. A psicologia e a psicanálise (são campos diferentes) oferecem método para essa investigação, assim como uma certa concepção de ser humano. Estes métodos e concepções estão envolvidos na construção de tudo o que escrevo.

P – No epílogo do teu livro Vozes de Retratos íntimos a narradora reflete: “Da mesma forma que as ondas do mar sucedem umas às outras, as novas gerações substituem as passadas, nem sempre com histórias tão novas assim.” A literatura é uma tentativa de novidade? 

T – Penso que sim, a literatura se movimenta pela renovação estética da linguagem, e essa tentativa de novidade é a grande ambição do escritor, certamente é a minha. E tentativa é a palavra certa, publicar não é sinônimo de uma criação no sentido forte do termo, mas escrever tendo isso em vista dá prazer e dá trabalho.

Fotos do arquivo pessoal da autora.

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