Entrevista

Uma volta até chegar ao Verissimo

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Uma volta até chegar ao Verissimo O escritor gaúcho era a cara da nova geração do humor que emergiu nos anos 80. Foto: Acervo LFV/Divulgação
Luis Fernando Verissimo conta de suas influências no aprendizado do humor, nos EUA e no Brasil, em entrevista para André Boucinhas, que está preparando estudo amplo sobre o humor no Brasil nos anos 80. Por André Boucinhas “Tem algum grupo aqui que eu ainda não ofendi?” Assim o comediante norte-americano Mort Sahl terminava seus shows nos anos 1950, marcando uma brutal diferença em relação aos humoristas de sua época, que, por conta da censura imposta pelo macartismo, evitavam assuntos políticos ou polêmicos. O sucesso de Sahl abriu caminho para uma comédia engajada socialmente, que defendia bandeiras progressistas típicas dos anos 60 e representava uma nova juventude questionadora. No Brasil, é possível notar um movimento semelhante na virada da década de 1950 com o sucesso de humoristas como Dercy Gonçalves, Juca Chaves e Millôr Fernandes, para citar três nomes completamente distintos em quase tudo, a não ser por serem inovadores e críticos do status quo, combatendo o moralismo sexual, o jogo político, a intolerância etc. (Esses três revolucionaram não só o conteúdo da comédia, mas também elementos da forma, cada um na sua área, mas isso fica para outra conversa, pois precisamos chegar ao Luis Fernando Verissimo logo.) Essa ebulição na comédia, como em várias outras áreas, foi abafada com o golpe militar de 1964 e, depois, sufocada com o AI 5. Seja por causa da censura direta ou do medo das retaliações, os dez anos que vão de 1968 até 1978, com a Anistia, não se caracterizaram por grandes ousadias ou transformações culturais, além de um esperado recuo dos artistas em relação a temas políticos. Há exceções na canção popular, por exemplo, e, no que se refere ao humor, o Pasquim, veículo de resistência política e de riquíssimas experimentações cômicas, mas o clima no país estimulava a cautela.  Falta de ousadia não significa falta de novidades. A televisão, que se consolidava, finalmente cortou o cordão umbilical com a rádio e criou programas com linguagem própria, como A família Trapo, Faça humor não faça guerra, A grande família e, o maior fenômeno do período, Os Trapalhões. No entanto, se pensarmos na produção da década de 1970 que mais teve influência no tipo de humor que tomou conta do Brasil a partir da abertura política, quem não pode ficar de fora é Luis Fernando Verissimo. (Chegamos!) De que maneira o Luis Fernando Verissimo se insere e se destaca no panorama dos anos 70 e 80? O sucesso nacional só veio nos anos 90, mas ele já chamava atenção antes, pois Cláudio Paiva e Guel Arraes, quando imaginaram a equipe de roteiristas para a TV Pirata, que eles queriam que representasse a nova geração do humor que emergira nos anos 80, logo pensaram no escritor gaúcho. Porém, explicar o lugar diferenciado do Luis Fernando Verissimo, pelo menos para mim, que venho pesquisando a comédia nos anos 1970 e 1980, não é tão fácil. Foi com isso na cabeça que fiz a entrevista com ele – com isso, e também a minha condição de […]

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