Folhetim

Entroncamento – Capítulo 1: Rotatória

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Entroncamento – Capítulo 1: Rotatória

Apresentação

Texto de José Falero

Me inveje, leitor, porque tenho o privilégio de poder chamar este ser humano ímpar e extraordinário escritor, o José Artur Castilho, simplesmente de Art. Ainda não tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, mas a nossa amizade digital, iniciada há alguns anos e desenvolvida desde então, é um bom exemplo das felicidades que a tecnologia pode nos proporcionar. Sendo ele natural e morador de um extremo do Brasil enquanto eu sou natural e morador do extremo oposto, é razoável supor que dificilmente teríamos nos esbarrado não fosse o advento das redes sociais — um desencontro que eu não hesitaria em classificar como absolutamente lamentável.

Amante dos animais por natureza e biólogo por formação, devoto de Victor Hugo por excelência e fã de Clarice Lispector por vocação, Art é ademais — como já falei e como o leitor está prestes a descobrir por si mesmo — um extraordinário escritor. Conheci o vigor da sua palavra nas esquinas digitais do Wattpad: uma rede social de escritores onde cada post é um conto, ou um poema, ou um capítulo de romance etc. (sabia que existe isso?). Naquele mar de prosas e versos, seu texto destacava-se não só pela atenção às gentes simples, mas também pelo apuro estético e pela maturidade técnica. Vida longa à literatura do Art!


Capítulo 1: Rotatória

Era 14 de março e não havia nada com que se preocupar. A chuva intensa dos primeiros meses do ano iniciava sua trégua e presenteara a cidade com uma noite sem nuvens, mas ainda adoçada com o frescor daquela água que caía todos os dias.

Dava pra escutar o coaxar dos sapos nas valas da Cabanagem. Ainda resistiam algumas poças de lama na rua estreita e sem saída em que Sandra morava. Sua residência se destacava entre as outras da vila. Os vários vasos de plantas ornavam seu pátio, bem como os pequenos bebedouros, feito para os passarinhos. Os visitantes eram recepcionados com um tapete de crochê aos pés da porta de entrada e alguns quadros religiosos na parede da sala de estar. Aquela pequena casa parecia ter sido pintada em tons de âmbar e amarelo, como os pratos esmaltados e o conjunto de xícaras que trouxera de Bragança, há mais de quarenta anos.

O perfume de Sandra era suave, sem nada que lhe pudesse causar alguma irritação na pele branca e acetinada. Ela não costumava abrir aquele frasco de vidro, mas a ocasião lhe permitia ousar.

— Umbora, mulher! — reclamou sua amiga, já impaciente.

[Continua...]

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Me inveje, leitor, porque tenho o privilégio de poder chamar este ser humano ímpar e extraordinário escritor, o José Artur Castilho, simplesmente de Art. Ainda não tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, mas a nossa amizade digital, iniciada há alguns anos e desenvolvida desde então, é um bom exemplo das felicidades que a tecnologia pode nos proporcionar. Sendo ele natural e morador de um extremo do Brasil enquanto eu sou natural e morador do extremo oposto, é razoável supor que dificilmente teríamos nos esbarrado não fosse o advento das redes sociais — um desencontro que eu não hesitaria em classificar como absolutamente lamentável.

Amante dos animais por natureza e biólogo por formação, devoto de Victor Hugo por excelência e fã de Clarice Lispector por vocação, Art é ademais — como já falei e como o leitor está prestes a descobrir por si mesmo — um extraordinário escritor. Conheci o vigor da sua palavra nas esquinas digitais do Wattpad: uma rede social de escritores onde cada post é um conto, ou um poema, ou um capítulo de romance etc. (sabia que existe isso?). Naquele mar de prosas e versos, seu texto destacava-se não só pela atenção às gentes simples, mas também pelo apuro estético e pela maturidade técnica. Vida longa à literatura do Art!


Capítulo 1: Rotatória

Era 14 de março e não havia nada com que se preocupar. A chuva intensa dos primeiros meses do ano iniciava sua trégua e presenteara a cidade com uma noite sem nuvens, mas ainda adoçada com o frescor daquela água que caía todos os dias.

Dava pra escutar o coaxar dos sapos nas valas da Cabanagem. Ainda resistiam algumas poças de lama na rua estreita e sem saída em que Sandra morava. Sua residência se destacava entre as outras da vila. Os vários vasos de plantas ornavam seu pátio, bem como os pequenos bebedouros, feito para os passarinhos. Os visitantes eram recepcionados com um tapete de crochê aos pés da porta de entrada e alguns quadros religiosos na parede da sala de estar. Aquela pequena casa parecia ter sido pintada em tons de âmbar e amarelo, como os pratos esmaltados e o conjunto de xícaras que trouxera de Bragança, há mais de quarenta anos.

O perfume de Sandra era suave, sem nada que lhe pudesse causar alguma irritação na pele branca e acetinada. Ela não costumava abrir aquele frasco de vidro, mas a ocasião lhe permitia ousar.

— Umbora, mulher! — reclamou sua amiga, já impaciente.

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