Memória

Lugares da Classe Trabalhadora em Porto Alegre 6: Sede da Federação Operária na rua do Parque

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Lugares da Classe Trabalhadora em Porto Alegre 6: Sede da Federação Operária na rua do Parque Registro do terceiro Congresso Operário Regional de 1925

A rua do Parque foi uma das primeiras vias importantes da zona norte de Porto Alegre; ela foi aberta por Eduardo de Azevedo, proprietário das terras da região, tendo um rápido desenvolvimento a partir dos primeiros anos da República. Em 1896, a rua do Parque já possuía 96 edificações, se tornando um polo de atração para famílias operárias. Um dos principais fatores que tornava essa via importante era a linha de bondes que ligava a região das fábricas e trapiches da Voluntários da Pátria com a zona industrial que se espraiava em direção ao Arrabalde de São João. Por essa razão, à medida que a cidade se expandia em direção ao norte, com uma densa população operária, os sindicatos e outras associações de classe também acompanhavam esse movimento, fazendo da rua do Parque e do seu entorno um dos seus centros durante os anos 1920. 

Um dos principais locais de reunião nesse logradouro foi o Salão Hoffmann, que recebia encontros de socialistas, anarquistas e comunistas; próximo da avenida Voluntários da Pátria se localizava a União dos Marítimos; ao lado da Conselheiro Travassos ficava a União dos Foguistas, e próximo da rua Conde de Porto Alegre estava a sede da Federação Operária do Rio Grande do Sul. A FORGS mudou seu endereço para a rua do Parque, n. 112 (atual 460) em setembro de 1925. O primeiro grande evento ocorrido nesse local foi o Terceiro Congresso Operário Regional, que contou com a presença de 20 associações e 27 delegados. O encontro foi marcado pela influência anarquista, pela defesa da libertação dos presos políticos, pela preocupação de Friedrich Kniestedt em atingir os trabalhadores rurais e pela presença feminina em suas discussões, através de Alzira Werkhauser e Cantalice Silva Grecco. 


O prédio nos dias atuais (Foto: Frederico Bartz)

Depois do Congresso o local se tornou endereço de diversas entidades operárias como a Sozialistischer Arbeiter Verein, o Sindicato Padeiral, o Sindicato dos Marmoristas, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, o Sindicato dos Trabalhadores em Madeira, o Sindicato Metalúrgico e o Sindicato dos Ofícios Vários. Dessa forma, passou por aquele salão um grande número de militantes sindicais, de homens e mulheres que se reuniam periodicamente para defender os interesses das categorias que representavam e do operariado em seu conjunto, tornando aquele endereço significativo para toda a classe trabalhadora porto-alegrense.

No início de 1927, a FORGS e outras sociedades tiveram de deixar esse endereço, mudando-se para a avenida Chicago, e depois para a rua Castro Alves. O prédio passou por reformas, tornando-se sede do Instituto de Contabilidade São João. A rua do Parque continuou sendo importante para o movimento operário, mas a memória da antiga sede da FORGS acabou se perdendo. Os anos passaram e atualmente o prédio se encontra em estado bastante precário, apesar de ainda estar de pé. Esse edifício poderia abrigar um espaço para cultivar a memória operária e sindical de nossa cidade, mas para isso seria necessário a ação dos poderes públicos e o interesse em resgatar uma história cujo descaso teima em apagar. 

Na próxima edição dessa série vamos falar da sede do Sindicato dos Estivadores, na Cidade Baixa, mais um lugar de memória operária na capital gaúcha.

  • Além de acompanhar os textos aqui publicados, visitem e curtam a página de facebook dos Caminhos Operários em Porto Alegre, para saber um pouco mais sobre essa história. 

Frederico Bartz é mestre e doutor em história pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e trabalha como técnico em assuntos educacionais nessa mesma universidade, onde coordena o curso de extensão Caminhos Operários em Porto Alegre.

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