Porto Alegre: uma biografia musical

Radamés Gnattali, quinta parte – Capítulo XXXII

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Radamés Gnattali, quinta parte – Capítulo XXXII Décadas depois, juntos e enfarpelados, mestre e discípulo.

Antônio Carlos Jobim passou a vida lembrando ao mundo do talento de seu guru, e do quanto sua presença fora essencial em seus anos finais de formação. E olha que Tom estudou, formalmente, com os melhores professores que havia em seu tempo, na capital de seu país. Mas quem mais lhe ensinou nunca foi professor no sentido ortodoxo do termo. 

Mas muito aprenderia, arregalando olhos e ouvidos, a partir do momento em que conseguiu, na Gravadora Continental, um emprego que, na prática, era ser o auxiliar de Radamés. Grudou no mestre, transcrevendo suas ideias, pegando dicas e macetes, num riquíssimo aprendizado.

Radamés não dava aulas. Não teria tempo, se quisesse. Mas tampouco queria: 

Eu acho que ninguém pode ensinar música a ninguém. Eu não sei ensinar, não tenho paciência. Só tive um aluno, de quatro anos – que tinha talento – em Porto Alegre.

Mas quando a gente escuta coisas como as valsas Vaidosa 1 2, de Radamés, fica claro o quanto Jobim aprendeu ali. E não era só musical a ajuda que Radamés lhe prestava: 

Naquele tempo Tom tava numa fossa danada. Ia lá pra casa conversar comigo. Falei com ele: – Esse problema seu, eu já tive também. Você tem que deixar sair as coisas que estão dentro de você. Enquanto não sair, você vai ficar nesse troço.

Diferente do menino prodígio que fora Radamés, as coisas de Jobim só começaram a sair quando ele já tinha 27 anos (idade em que Noel Rosa morreu, por exemplo). E seu marco inaugural tem tudo a ver com esses anos de convivência diária com seu mestre: a Sinfonia do Rio de Janeiro, escrita em parceria com Billy Blanco e lançada em disco em 1954.

O que havia no LP de 10 polegadas – evidentemente da Continental – que registrou a primeira obra importante do ainda desconhecido compositor? No lado A, as canções de Jobim e Blanco, com variados intérpretes acompanhados de uma orquestra arranjada por Tom, regida por Radamés. 

E no lado B? 

Os mesmos temas compostos por Jobim, só que rearranjados por Gnattali e interpretados em versões instrumentais pelo Quinteto Radamés. Quer maior selo de aprovação? 

Consagradíssimo, no auge da popularidade, lançando um disco atrás do outro – tanto de seu repertório erudito quanto popular -, o maestro fazia o que podia para ajudar o pupilo.

O intimidante time de maestros da Rádio Nacional, juntos…

Convenceu-o até a participar do mais atemorizante programa da Rádio Nacional, o Quando os Maestros se Encontram (conhecido na intimidade como Quando os Maestros se Encontram… os Músicos se Fodem). 

Tímido e sem formação de regente, Tom não queria de jeito nenhum. O maestrão então apelou para uma proposta irrecusável: se Jobim escrevesse uma peça para piano e orquestra, ele, Radamés, seria o solista – e Tom o maestro. O que, na prática, significava que, pra qualquer emergência, o amado mestre estaria ali a seu lado, sentado no piano. Segundo contou Tom, quem regeu mesmo foi Radamés. Ele só mexeu os braços, tentando disfarçar o pânico.

Como se não bastasse, talvez para livrar-se dos pedidos de aula, Radamés encaminhou Jobim para quem seria seu último professor: outro dos craques da Nacional, Leo Peracchi, que passou a dar-lhe aulas de… harmonia (justamente o aspecto que seria mais comentado na obra jobiniana).

A partir do finalzinho da década de 1950, com a decadência do rádio ao vivo, Radamés perdeu seu grande veículo de projeção. Apesar dos constantes esforços de Jobim em chamar atenção para seu mestre, durante os anos da Bossa Nova, ele foi ficando esquecido. Suas orquestrações elegantes – porém arrebatadas, totalmente opostas à estética bossanovista – viraram coisa do passado.

Com o Tropicalismo, chega uma nova geração de maestros de vanguarda, também vindos da música erudita – no lugar da trinca Gnattali, Peracchi e Panicalli (um gaúcho e dois paulistas, todos descendentes de italianos) entram em cena Rogério Duprat, Damiano Cozzela e Julio Medaglia (três paulistas – ainda que Duprat tenha nascido no Rio –, dois deles também descendentes de italianos).

Com a ascensão da MPB, a partir de 1965, Radamés ficou esquecido. 

Mas talvez nem tenha se dado conta, já que escrevia mais e mais trilhas para cinema, e também muita música de concerto – geralmente para seu próprio deleite, sem nem saber se iriam mesmo terminar num palco de concerto. 

Para a tela grande foram entre 48 e 52 trilhas sonoras (os números variam conforme a fonte). Em exato meio século de trabalho: de 1933 (com Ganga Bruta, mítico filme do pioneiro Humberto Mauro) a 1983 (Perdoa-me por me Traíres, de Braz Chediak, com canção-tema assinada por Chico Buarque). É dele a música de filmes que fizeram história, como Tico-Tico no Fubá (Adolfo Celi, 1952, cinebiografia de Zequinha de Abreu), Rio 40 Graus (Nelson Pereira dos Santos, 1955, ponta de lança do futuro Cinema Novo), A Falecida (Leon Hirszman, 1964) ou Eles Não Usam Black-Tie (também Leon, 1981). Sem falar nos seus dois maiores empregadores na área: Mazzaropi e o esquecido Eurides Ramos. Para cada um, ele fez muitas trilhas.

Imagina se o povo não ia falar mal dessa dupla…

Já fora da Nacional, que estava em franca decadência desde o golpe de 1964, em 1968 é contratado pela nascente TV Globo. É ali que vai trabalhar como maestro e arranjador durante os 11 anos seguintes. 

E estava de casamento novo também na vida civil: em 1964 ficara viúvo. Três anos depois, aos 61 anos de idade, apaixona-se por uma cantora, atriz e pianista 30 anos mais jovem: Nelly Martins. Tinham se conhecido em 1959, quando ele escrevera os arranjos de um disco em que ela cantava em duo com Tito Madi: Encontro no Sábado

Muita gente estranhou e falou mal do casal. Tanto que os dois quase não seguraram a barra. Mas os amigos de verdade, como Chiquinho do Acordeom, deram total força, e o resultado foi: até que a morte nos separe. Gravam um disco em duo de pianos, em 1968, e casam-se “oficialmente”, depois de 11 anos juntos, em 1978. Nelly acabou mudando de profissão, formou-se médica, e hoje cuida muito bem do legado de seu amado.

É também em 1968 que, depois de três décadas, ele volta pela primeira vez à sua cidade natal para um compromisso profissional: o Festival Radamés Gnattali, realizado pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Porto Alegre no Auditório Araújo Vianna. A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, regida pelo autor, recebe como solista o também gaúcho Edu da Gaita num repertório todo de peças de Radamés. É só a partir daí que ele passa a ser chamado para mostrar sua música em Porto Alegre.

O quinteto, por sua vez, segue firme – Chiquinho do Acordeom, Zé Menezes na guitarra, Perrone na bateria e Vidal no baixo acústico. E grava dois discos e meio fenomenais na década de 1970:

  1. Radamés Gnattali Sexteto (Odeon, 1975) – com o reforço temporário de Laércio de Freitas no segundo piano, esse talvez seja o melhor registro do grupo. Só o Divertimento para Seis Instrumentos valeria o disco. É mais um daqueles momentos em que é impossível dizer se estamos frente à música erudita ou popular. 

O repertório se completa com mais Meu Amigo Tom Jobim, de Radamés, Nova Ilusão, de Zé Menezes, a velhíssima Terna Saudade (Por Um Beijo), de Anacleto de Medeiros e nada menos que quatro temas do seu adorado Pixinguinha: Um a Zero, Urubu Malandro, Sofres Porque Queres e Cochichando. Estamos diante de um dos maiores grupos de câmara de música instrumental do mundo, naquele momento – um paralelo imediato seria o Astor Piazzolla Quinteto.

  1. O lado B do LP Cantata Maria Jesus dos Anjos – (Som Livre, a gravadora de sua empregadora Rede Globo, 1976). Sonatina Coreográfica, em seus vários movimentos, é outro momento daqueles inclassificáveis, que vale por álbuns e álbuns. Composta nos anos 1950, para piano, e aqui arranjada para o grupo, tem momentos como o seu baião, que poderiam ter assinados por Hermeto Paschoal, 20 anos mais tarde. O repertório do lado B se completa com mais duas peças de Radamés: Bate-Papo e Caminho da Saudade

Já a cantata em si, que ocupa o Lado A, é, literalmente, assombrosa: recheada de pontos de umbanda, com Milton Gonçalves de narrador e um farto naipe de percussão erudita e popular reforçando a orquestra e o coro. Tudo para mostrar um lado que pouca gente conhecia do velho branco gaúcho ex-comunista descendente de italianos: o de devoto umbandista. Quem imaginaria ouvir tais versos num disco de Radamés?:

A porta do inferno estremeceu / deu meia-noite fui ver quem é / ouvi uma gargalhada, é sexta-feira / foi pomba-gira a mulher de Lucifer.

O pessoal da Cantata

3. Valzinho, um Doce Veneno (Museu da Imagem e do Som, 1979) – Tributo ao violonista e compositor Valzinho, colega de Rádio Nacional e sempre merecedor de grande respeito por Radamés (pelo que tinha de intuitivo, fazendo uma música muito sofisticada sem ter nenhuma noção de teoria). O disco é todo dividido com a cantora Zezé Gonzaga e alguns dos arranjos são surpreendentemente contemporâneos, com direito até a Zé Menezes experimentando pedais na sua guitarra.

E assim chegamos ao final da década de 1970. 

Fora da música erudita e/ou de sua geração, pouca gente lembrava do velho. Desde os anos 1960, apesar dos concertos com suas obras e das gravações com o quinteto, ele mesmo pouco tocara em público. Podia ser o momento de encerrar a carreira e curtir os gatos e a aposentadoria.

Só que daí, num belo dia de 1979, em pleno renascimento do interesse do público pelo choro, o bandolinista Joel Nascimento bate à sua porta. Queria que Radamés escrevesse uma nova versão da sua então esquecida Suíte Retratos: sem orquestra, apenas com bandolim solista e regional. 

Meio contrariado, aceita. Mas, pra não perder o hábito, avisa:

– Não vai ficar bom.

Escreve tudo em três dias.

Joel reúne então um grupo para tocá-la. Todos teriam de ser músicos de choro, mas com alguma formação erudita. O resultado foi batizado de Camerata Carioca. O time reunia, entre outros, um menino prodígio, Rafael Rabello, no violão de 7 cordas, sua irmã Luciana no cavaquinho e Maurício Carrilho no violão. 

O resultado é o espetáculo Tributo a Jacob do Bandolim. Sucesso absoluto. Dirigido por Hermínio Bello de Carvalho, o show circula pelo Brasil e é registrado em disco (WEA, 1979), creditado a Joel Nascimento, Radamés Gnattali e Camerata Carioca. No repertório, além da suíte – só com a Camerata -, cinco clássicos de Jacob arranjados por Radamés e mais duas peças do maestro em homenagem ao bandolinista. 

Desde então, duas décadas depois de ter sido composta e gravada com pouquíssima repercussão, a Suíte Retratos nunca mais parou de ser interpretada – no arranjo original, na versão para regional ou ainda em duas outras adaptações feitas por Radamés: para dois violões, encomenda do Duo Assad, e para acordeom, violão de 7 cordas e violão-baixo, com Chiquinho, Rafael Rabello e Dininho (ambas registradas em álbuns pelos seus intérpretes originais).

Bem feliz, no meio da gurizadinha….

E aí o velho maestro apaixonou-se por sua nova e jovem turma de músicos. O pessoal, claro, o idolatrava. Um dos mais devotos, o cavaquinista (e hoje também pesquisador) Henrique Cazes, lembra:

Radamés era mais jovem do que a gente, sempre com aquele impagável humor meio ranzinza.

Resposta radamélica a essa eterna acusação: 

Eu não sei disso, não, eu não acho que eu tenho mau humor (…) eu fico meio chateado, às vezes, é com a burrice, sabe?

Era natural que seguissem juntos.

Em 1981, a troupe Camerata-Hermínio-Radamés monta o espetáculo Vivaldi & Pixinguinha, que vira disco no ano seguinte. O repertório, com Radamés no cravo, tem o Concerto Grosso Op. 3, número 11, de Vivaldi, e vários choros de Pixinguinha. Tudo arranjado para a formação. 

Sem Hermínio, ainda há o show com a Camerata, Joel, Radamés e a cantora Zezé Gonzaga, sempre citada pelo velho maestro como a mulher mais afinada que ele conhecia. Cada vez mais encantado com o jovem prodígio Rafael, lhe propõe um duo como os que havia feito com Laurindo de Almeida e Zé Menezes. O resultado está no LP Tributo a Garoto

De um lado, músicas do violonista/multi-instrumentista que morrera jovem, décadas antes, e a partir daí seria lentamente redescoberto como um dos maiores compositores da música brasileira pré-bossa nova. Mas é só ouvir o choro Alma Brasileira, de Radamés, composto em 1930 e gravado pelo próprio Garoto, para que a gente se dê conta de que Radamés foi uma influência importante também para ele. Ouve lá. Sim, é quase Gente Humilde, só que composta 15 anos antes. Radamés deve ter achado engraçado ou se sentido homenageado. Tanto que Gente Humilde está no repertório do disco – devidamente “envenenada”, claro.

Radamés e Rafael: amigos jovens toda a vida de um velho jovem toda a vida

O disco se completa com uma versão para violão e piano do Concertino nº 2 para Violão e Orquestra, que Radamés tinha escrito para Garoto nos anos 1950 – e estreado num concerto regido por um injuriado Eleazar de Carvalho, que foi para a imprensa reclamar que agora tinha de reger até violão… (logo ele, que começara sua carreira tocando tuba em peças super-eruditas como O Teu Cabelo Não Nega).

Em 1983, mais dois discos que são obras-primas. 

Tocar (Polygram), reúne a Camerata no auge do brilho, com Radamés pairando em arranjos e composições. Há uma versão camerística de Remexendo – com o próprio ao piano – e duas das melhores valsas radamélicas: Valsa Triste e Uma Rosa para Pixinguinha (uma curiosidade: quem era o pianista nas gravações originais de Rosa e Carinhoso, por Orlando Silva, em 28 de maio de 1937? Radamés, claro).

No pique, monta com a cantora Elizeth Cardoso, a direção de Túlio Feliciano e a Camerataum espetáculo batizado Uma Rosa para Pixinguinha – que também vira disco.

Com quase 80 anos, não para de excursionar por todo o Brasil, tanto com os velhos companheiros do quinteto – agora com Zeca Assumpção no lugar de Vidal – quanto com os jovens da Camerata. Rafael era dos que mais se divertia: 

Radamés parecia uma criança que saía sem a mãe: se entupia de vatapá à meia-noite e depois tinha de passear pela noite pra fazer a digestão.

Retoma totalmente seu prestígio, que esteve hibernando resguardado apenas por gente Tom Jobim, João Bosco ou Dorival Caymmi.

Aos 77 anos, parecia um guri faceiro ao ganhar o respeitado Prêmio Shell na categoria música erudita – com direito a um concerto em sua homenagem, no Theatro Municipal do Rio, reunindo a Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, o Duo Assad e a Camerata Carioca. Estávamos em 1984, e o velho pianista tinha estabelecido uma meta e tanto: 

Há mais de seis meses estou estudando piano para ver se consigo tocar como tocava quando tinha vinte anos. Tá difícil, mas eu vou chegar lá.

Aí, no auge da animação com essa inesperada retomada de carreira, o destino lhe faz uma maldade.

Tinha fechado 1985 a mil. Tocara no I Free Jazz Festival com Rafael e a Camerata; seu quinteto estava cheio de trabalho; e acabara de ser lançada a biografia Radamés Gnattali, o Eterno Experimentador (de Valdinha Barbosa e Anne Marie Devos).

Lançara dois LPs naquele ano, ambos chamados Radamés Gnattali: um de piano solo, gravado ao vivo pelo selo Libertas na sala Cecília Meirelles, onde ele toca surpreendentes arranjos seus para pérolas alheias como Ponteio (Edu Lobo / Capinam), Chovendo na Roseira ou Corcovado (ambas de Jobim). 

O outro, pela Funarte, era composto de bem sacadas dobradinhas: Meu Amigo Radamés, de Tom Jobim, e Meu Amigo Tom Jobim, dele; Sarau para Radamés, de Paulinho da Viola, e Obrigado, Paulinho, dele; Um Choro para Radamés, de Capiba, e Capibaribe, de Radamés. Completando o LP, Quarteto Popular, para quarteto de cordas, em três movimentos. Uma joia de disco, que tem como convidados especiais Tom, Paulinho da Viola, Chiquinho e Zé Menezes.

Nesse mesmo ano ainda sobrara tempo para escrever os arranjos de um dos dois discos do álbum duplo do velho amigo Dorival Caymmi (o outro é Caymmi voz e violão). Com a Camerata Carioca, arranjos de Radamés e produzido por Jairo Severiano para ser dado como brinde de fim de ano da Odebrecht, Caymmi, som, imagem, magia é mais um discaço. 

Radamés estava feliz: 

Não estou satisfeito com a situação dos músicos no Brasil, mas estou satisfeito comigo mesmo. Eu sou feliz. Casei duas vezes, muito bem casado. Tenho bons amigos, sempre tive. O Luciano (Perrone) me convida para almoçar todo mês. Tenho meu dinheiro para tomar um chopezinho. Quando não tenho, o Tom paga.

Perrone, em 1991, encerrando a conversa com o autor destas linhas: 

Olha, o que você botar de elogio ao Radamés eu assino embaixo. E vai ser pouco.

Os discos que ele fez depois dos 72 anos de idade…

Só que aí, mal começava 1986, uma isquemia cerebral lhe paralisa todo o lado direito. 

Mas não o derruba. 

Obstinadamente reaprende a falar e escrever. Em julho, já estava compondo novamente. Em outubro, graças a horas e horas de estudos diários, já tocava piano razoavelmente bem. O pessoal do quinteto se animava com a volta do seu amado chefe, programada para um concerto que seria feito em comemoração a seus 80 anos.

E aí vem uma segunda isquemia e o liquida.

Morrerá só dia três de fevereiro de 1988, depois de uma longa agonia de mais de um ano em cima de uma cama. Roberto Gnattali, sobrinho, também maestro, discípulo do tio, lembra emocionado dos meses que o velho passou em coma, quase vegetativo: 

Radamés não merecia isso. Morreu quando seu talento estava no auge.

Uma das últimas frases ditas ao sobrinho, pouco antes dele deixar de reconhecer as pessoas:

– Porra, Roberto, agora que tava ficando bom…


Arthur de Faria nasceu no ano que não terminou, é compositor de profissão (15 discos, meia centena de trilhas) e doutorando em literatura brasileira na UFRGS por puro amor desinteressado. Publicou Elis, uma biografia musical (Arquipélago, 2015).

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