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Com Raul Pont, Porto Alegre vai ao centro do mundo

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Com Raul Pont, Porto Alegre vai ao centro do mundo 39º PrefeitoNome: Raul PontPartido: Partido dos Trabalhadores (PT)Período que governou: 01/01/1997 a 01/01/2001 Da Ilha do Presídio à Prefeitura. Essa é a trajetória pouco usual de Raul Pont, o último prefeito de Porto Alegre no século 20 e que, quase 30 anos mais cedo, esteve isolado no centro de detenção que existia no meio do Guaíba – como prisioneiro político da ditadura. Pont, o prefeito petista com a eleição mais convicta de todas (ganhando ainda em primeiro turno), trazia um longo histórico de militância: presidiu o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRGS entre 1968 e 1969, em meio ao pior momento da repressão, e na década seguinte também participaria de mobilizações dos sindicatos dos bancários e dos professores, duas profissões que exerceu antes da política partidária. Mas, entre uma militância e outra, houve ainda uma mudança de Porto Alegre para São Paulo e, por lá, uma prisão nas mãos da Operação Bandeirante, a infame Oban de Carlos Alberto Brilhante Ustra. Pont foi um dos prisioneiros políticos mantidos incomunicáveis no DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) paulista em 1971, sendo depois transferido para o Sul. Entre fevereiro e dezembro de 1972, foi mantido na Ilha das Pedras Brancas, nome oficial da Ilha do Presídio, como era mais conhecida. A prisão e as torturas não o demoveram, porém, de seguir atuando na política quando recuperou a liberdade – e, já na transição democrática, Raul Pont faria parte da lista de nomes notáveis que concorreram pelo PT gaúcho aos principais cargos que se abriam para a participação popular. Antes de assumir a Prefeitura, Pont foi candidato ao Senado, em 1982, e à própria Prefeitura, em 1985, sem sucesso. Seria eleito deputado estadual em 1986, como o mais votado da sigla, e quatro anos mais tarde virou deputado federal. Voltaria a Porto Alegre, porém, no início de 1993, como vice-prefeito na chapa de Tarso Genro – em cuja gestão acumulou a função de Secretário-Geral de Governo. Quando o mandato de Tarso se encerrou, o então vice foi o sucessor natural: em 1996, Pont fez quase 54% dos votos em primeiro turno, no maior sucesso eleitoral petista até hoje em Porto Alegre (o próprio Tarso havia feito perto de 46% dos votos em 1992, precisando de segundo turno para confirmar a vitória, enquanto Olívio Dutra havia inaugurado os anos do PT no Paço com 39% do eleitorado, no que foram as últimas eleições de turno único na Capital). Rumo ao Fórum Social Como vinha ocorrendo desde a ascensão de Olívio ao poder, o mandato de Pont seguiu consolidando projetos centrais da gestão petista, como o orçamento participativo e os investimentos em cultura e patrimônio. Após os conflitos que marcaram os primeiros tempos do PT no governo municipal, quando a cidade realizou uma intervenção nas empresas de ônibus, atingiu-se um acordo com os transportadores. Também foi fundada, em 1998, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), buscando melhorar a fiscalização do trânsito na cidade. Publicidade Em seu governo, o Festival de Arte Cidade […]

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39º PrefeitoNome: Raul PontPartido: Partido dos Trabalhadores (PT)Período que governou: 01/01/1997 a 01/01/2001 Da Ilha do Presídio à Prefeitura. Essa é a trajetória pouco usual de Raul Pont, o último prefeito de Porto Alegre no século 20 e que, quase 30 anos mais cedo, esteve isolado no centro de detenção que existia no meio do Guaíba – como prisioneiro político da ditadura. Pont, o prefeito petista com a eleição mais convicta de todas (ganhando ainda em primeiro turno), trazia um longo histórico de militância: presidiu o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRGS entre 1968 e 1969, em meio ao pior momento da repressão, e na década seguinte também participaria de mobilizações dos sindicatos dos bancários e dos professores, duas profissões que exerceu antes da política partidária. Mas, entre uma militância e outra, houve ainda uma mudança de Porto Alegre para São Paulo e, por lá, uma prisão nas mãos da Operação Bandeirante, a infame Oban de Carlos Alberto Brilhante Ustra. Pont foi um dos prisioneiros políticos mantidos incomunicáveis no DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) paulista em 1971, sendo depois transferido para o Sul. Entre fevereiro e dezembro de 1972, foi mantido na Ilha das Pedras Brancas, nome oficial da Ilha do Presídio, como era mais conhecida. A prisão e as torturas não o demoveram, porém, de seguir atuando na política quando recuperou a liberdade – e, já na transição democrática, Raul Pont faria parte da lista de nomes notáveis que concorreram pelo PT gaúcho aos principais cargos que se abriam para a participação popular. Antes de assumir a Prefeitura, Pont foi candidato ao Senado, em 1982, e à própria Prefeitura, em 1985, sem sucesso. Seria eleito deputado estadual em 1986, como o mais votado da sigla, e quatro anos mais tarde virou deputado federal. Voltaria a Porto Alegre, porém, no início de 1993, como vice-prefeito na chapa de Tarso Genro – em cuja gestão acumulou a função de Secretário-Geral de Governo. Quando o mandato de Tarso se encerrou, o então vice foi o sucessor natural: em 1996, Pont fez quase 54% dos votos em primeiro turno, no maior sucesso eleitoral petista até hoje em Porto Alegre (o próprio Tarso havia feito perto de 46% dos votos em 1992, precisando de segundo turno para confirmar a vitória, enquanto Olívio Dutra havia inaugurado os anos do PT no Paço com 39% do eleitorado, no que foram as últimas eleições de turno único na Capital). Rumo ao Fórum Social Como vinha ocorrendo desde a ascensão de Olívio ao poder, o mandato de Pont seguiu consolidando projetos centrais da gestão petista, como o orçamento participativo e os investimentos em cultura e patrimônio. Após os conflitos que marcaram os primeiros tempos do PT no governo municipal, quando a cidade realizou uma intervenção nas empresas de ônibus, atingiu-se um acordo com os transportadores. Também foi fundada, em 1998, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), buscando melhorar a fiscalização do trânsito na cidade. Publicidade Em seu governo, o Festival de Arte Cidade […]

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