Prefeito da semana

José Montaury, o Eterno Intendente

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José Montaury, o Eterno Intendente Nome: José Montaury de Aguiar LeitãoPartido: Partido Republicano Rio-GrandensePeríodo que governou: 15/03/1897 até 15/10/1924 Em 28 de setembro de 1896, aconteceu a primeira eleição em Porto Alegre. Começou cheia de restrições: mulheres não votavam, homens só o faziam se fossem maiores de 21 anos, o voto era aberto e com fiscais escolhidos a dedo. O resultado foi que, dos cerca de 64 mil habitantes da cidade na época, menos de 10% tiveram a chance de escolher seu representante. “Escolher”, aliás, talvez nem seja o verbo correto: afinal, o vencedor concorreu sozinho. Isso também explica o baixo comparecimento dos cidadãos: dos 5,7 mil eleitores aptos, só 2.418 foram às urnas ratificar o candidato único. José Montaury de Aguiar Leitão venceu, mas não assumiu imediatamente. Após Cherubin Febeliano da Costa exercer um mandato-tampão de cinco meses em seu lugar, o novo intendente tomou posse em 15 de março de 1897. Como intendente de Porto Alegre, Montaury ficou “apenas” sete mandatos seguidos, completando 27 anos no cargo. “Apenas” pois, provavelmente, seguiria por outros anos mais se a oposição não tivesse pegado em armas para acabar com o continuísmo que vigorava no Estado e na Capital. Ele se tornou, assim, o primeiro “prefeito” da cidade a ser reeleito para o cargo, e também o mandatário mais longevo da história de Porto Alegre: nenhum dos seus antecessores havia ficado muito mais do que três anos no poder (boa parte deles nem completou um ano), e ninguém que veio depois chegaria a dez. Ganhou a alcunha de “eterno intendente”, que dá título ao livro da historiadora Margaret Marchiori Bakos sobre a Capital nessa época. Engenheiro civil pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, o carioca veio a trabalho para o Rio Grande do Sul, atuando como funcionário da Comissão de Terras e Estabelecimento de Imigrantes no estado. Depois da Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, passou a exercer a chefia da Comissão de Terras e Colonização das antigas colônias de Bento Gonçalves, Garibaldi e Alfredo Chaves (atual Veranópolis). Foi chamado por Júlio de Castilhos, presidente do Rio Grande do Sul à época, para concorrer à Intendência de Porto Alegre. Montaury foi o primeiro “prefeito” a governar dentro da primeira Lei Orgânica Municipal, de 1892, promulgada durante o governo de Alfredo Augusto de Azevedo. A lei estabelecia o território do município, divisão em distritos e comissariados, suas rendas, taxas e atribuições. Em 1902, fez ajustes na Lei Orgânica, introduzindo critérios rigorosos para preenchimento de cargos como o de vice-intendente. Indo contra um nepotismo comum na época, a lei estabelecia que o candidato à vaga não podia pertencer à família do intendente até o décimo grau de parentesco. Com a morte de Júlio de Castilhos em 1903, Borges de Medeiros, também do PRR, passa ser a principal voz a indicar o intendente nas eleições municipais seguintes. Margaret Machiori Bakos, em Porto Alegre e seus eternos intendentes, explica um dos possíveis motivos para o tempo prolongado de Montaury no poder: “uma das facetas foi a capacidade […]

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Nome: José Montaury de Aguiar LeitãoPartido: Partido Republicano Rio-GrandensePeríodo que governou: 15/03/1897 até 15/10/1924 Em 28 de setembro de 1896, aconteceu a primeira eleição em Porto Alegre. Começou cheia de restrições: mulheres não votavam, homens só o faziam se fossem maiores de 21 anos, o voto era aberto e com fiscais escolhidos a dedo. O resultado foi que, dos cerca de 64 mil habitantes da cidade na época, menos de 10% tiveram a chance de escolher seu representante. “Escolher”, aliás, talvez nem seja o verbo correto: afinal, o vencedor concorreu sozinho. Isso também explica o baixo comparecimento dos cidadãos: dos 5,7 mil eleitores aptos, só 2.418 foram às urnas ratificar o candidato único. José Montaury de Aguiar Leitão venceu, mas não assumiu imediatamente. Após Cherubin Febeliano da Costa exercer um mandato-tampão de cinco meses em seu lugar, o novo intendente tomou posse em 15 de março de 1897. Como intendente de Porto Alegre, Montaury ficou “apenas” sete mandatos seguidos, completando 27 anos no cargo. “Apenas” pois, provavelmente, seguiria por outros anos mais se a oposição não tivesse pegado em armas para acabar com o continuísmo que vigorava no Estado e na Capital. Ele se tornou, assim, o primeiro “prefeito” da cidade a ser reeleito para o cargo, e também o mandatário mais longevo da história de Porto Alegre: nenhum dos seus antecessores havia ficado muito mais do que três anos no poder (boa parte deles nem completou um ano), e ninguém que veio depois chegaria a dez. Ganhou a alcunha de “eterno intendente”, que dá título ao livro da historiadora Margaret Marchiori Bakos sobre a Capital nessa época. Engenheiro civil pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, o carioca veio a trabalho para o Rio Grande do Sul, atuando como funcionário da Comissão de Terras e Estabelecimento de Imigrantes no estado. Depois da Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, passou a exercer a chefia da Comissão de Terras e Colonização das antigas colônias de Bento Gonçalves, Garibaldi e Alfredo Chaves (atual Veranópolis). Foi chamado por Júlio de Castilhos, presidente do Rio Grande do Sul à época, para concorrer à Intendência de Porto Alegre. Montaury foi o primeiro “prefeito” a governar dentro da primeira Lei Orgânica Municipal, de 1892, promulgada durante o governo de Alfredo Augusto de Azevedo. A lei estabelecia o território do município, divisão em distritos e comissariados, suas rendas, taxas e atribuições. Em 1902, fez ajustes na Lei Orgânica, introduzindo critérios rigorosos para preenchimento de cargos como o de vice-intendente. Indo contra um nepotismo comum na época, a lei estabelecia que o candidato à vaga não podia pertencer à família do intendente até o décimo grau de parentesco. Com a morte de Júlio de Castilhos em 1903, Borges de Medeiros, também do PRR, passa ser a principal voz a indicar o intendente nas eleições municipais seguintes. Margaret Machiori Bakos, em Porto Alegre e seus eternos intendentes, explica um dos possíveis motivos para o tempo prolongado de Montaury no poder: “uma das facetas foi a capacidade […]

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