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As pessoas e a natureza, a cultura e o instinto

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As pessoas e a natureza, a cultura e o instinto Foto: Fósforo/Divulgação

LIVROS

Por que Olhar para os Animais? | John Berger

O ensaio que dá título a essa reunião de textos do inglês John Berger (1926 – 2017) trata do desaparecimento da relação imemorial entre seres humanos e animais. Ainda mantemos espécies de estimação e visitamos zoológicos, mas o “olhar entre o animal e o homem, que possivelmente teve um papel crucial no desenvolvimento da sociedade humana, e com o qual, em todo caso, todo ser humano convivia até um século atrás, extinguiu-se”, afirma o autor.

A interação entre as pessoas e a natureza, a cultura e o instinto, é também o tema dos outros oito textos que compõem Por que Olhar para os Animais? (Fósforo, tradução de Pedro Paulo Pimenta, 104 páginas, R$ 59,90). Berger, crítico de arte e escritor multifacetado, se vale de obras de fotógrafos, ilustradores, clássicos da Antiguidade, entre outras fontes, para desvendar o universo das sutilezas que nos forjam.

Escritos entre 1971 e 2009, os textos abordam o tema das mais variadas maneiras: uma visita ao zoológico revela nossa proximidade desconcertante com os grandes primatas – chimpanzés, orangotangos e gorilas –; a diferença entre as maneiras como se alimentam burgueses e camponeses, “intimamente ligada ao contraste brutal entre abundância e escassez”; ou um poema sobre constelações, vacas, raposas e o desaparecimento inescapável de modos de vida que antes pareciam feitos de eternidade. 


Dia Garimpo | Julieta Barbara

Foto: Fósforo e Luna Parque/Divulgação

Publicado originalmente em 1939, Dia Garimpo (Fósforo e Luna Parque, 112 páginas, R$ 64,90), de Julieta Barbara (1908 – 2005), é um dos poucos livros da fatura modernista brasileira de autoria feminina e ficou esquecido por mais de 80 anos. Essa nova edição da obra recupera uma autora do século 20 que pode ajudar a entender as questões contemporâneas.

Sensível a alguns princípios modernistas, como a pesquisa de motivos, mitos e referências da cultura brasileira, o livro parece depurar a pesquisa estética de seu tempo, trabalhando com uma linguagem coloquial, com registros orais –  evocando personagens e manifestações religiosas variadas e acenando para outras artes, como a música, a dança e as artes visuais. Além de reproduzir o material que constava na primeira publicação – ilustrações da própria Julieta Barbara, uma carta-prefácio do poeta Raul Bopp e um retrato da autora por Flávio de Carvalho –, essa nova edição traz 11 poemas inéditos de Julieta, um posfácio de Mariano Marovatto e texto de orelha da escritora Veronica Stigger.

Nascida em Piracicaba (SP), Julieta Barbara foi também pintora e escreveu crônicas para o jornal carioca A Manhã, em 1941. Seu único livro, Dia Garimpo, foi publicado em 1939 e nunca mais teve outra edição.


Continuem Dizendo Seus Nomes | Simon Stranger 

Foto: Rua do Sabão/Divulgação

Na tradição judaica, uma pessoa morre duas vezes: a primeira quando seu coração para de bater, a segunda quando seu nome é proferido, lido ou lembrado pela última vez. Em um dia de 2014, o autor se agacha com seu filho em frente a uma “pedra de tropeço”, na cidade norueguesa de Trondheim, e ouve a pergunta: “Papai, por que ele morreu?”. É a partir desse questionamento que Simon Stranger estabelece um diálogo com as personagens de um dos períodos mais estarrecedores da história da Noruega, construindo letra por letra – daí o Leksikon do título original – um romance que entremeia as várias gerações que constituíram sua própria família com aqueles agiram por sua dissolução.

A história de Continuem Dizendo Seus Nomes (Rua do Sabão, tradução de Leonardo Pinto Silva, 352 páginas, R$ 55) é centrada na vida de Hirch Komissar, preso pelos nazistas em Trondheim, e na figura de Oliver Henry Rinnan, norueguês que atuou como agente alemão e que traiu e executou centenas de compatriotas a mando do Reich na casa da rua Jonsvannsveien, 46 – que serviu tanto de quartel general da chamada “Gangue de Rinnan” quanto de residência para descendentes da própria família Kommissar pouco tempo depois da guerra. Essa permanência acaba por influir no casamento e na vida de Ellen, esposa de Gerson, filho de Hirch, por não conseguir se livrar dos fantasmas que habitam tanto ela quanto a casa.

Amparado por uma pesquisa apurada, Stranger articula a linha do tempo histórica com uma narrativa apresentada sob o ponto de vista de diferentes narradores, cativando o leitor com a trama que constrói.

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