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Recomendações da semana #66

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Recomendações da semana #66 "Fotobiografia de João Cabral de Melo Neto" foi organizada por Eucanaã Ferraz. Foto: Verso Brasil/Divulgação

LIVROS

Fotobiografia de João Cabral de Melo Neto | Eucanaã Ferraz (org.)

Reproduzindo mais de 500 imagens, incluindo manuscritos inéditos, a Fotobiografia de João Cabral de Melo Neto (Verso Brasil, 224 páginas, R$ 128) conta a trajetória do poeta, diplomata e editor. Uma vasta pesquisa iconográfica reúne imagens sobre a vida do escritor desde seu nascimento em Recife, em 1920, até o fim da vida no Rio de Janeiro, em 1999. Com organização do poeta Eucanaã Ferraz e coordenação geral da pesquisadora Valéria Lamego, o livro apresenta, além de fotografias familiares, imagens de acervos brasileiros e internacionais, públicos e privados. Também faz parte do volume um vasto registro de todas as obras realizadas por João Cabral e também impressas por ele em Barcelona, na Espanha.

O volume reproduz ainda obras de pintores, escultores e artistas gráficos brasileiros e estrangeiros amigos do poeta – como Joan Miró, Joan Brossa, Fayga Ostrower, Franz Weissmann e Mary Vieira – ou que tiveram influência sobre sua obra, como Piet Mondrian. A publicação compila também cartas, entrevistas e outros documentos.

“Guiaram-nos tanto o senso da objetividade quanto as disposições subjetivas e as inclinações do organizador, conduzido pelo desejo de fidelidade, característico das montagens que se fazem entre a crítica e o retrato, mas igualmente movido pela convicção de que um perfil biográfico composto por fragmentos que viajaram no tempo e no espaço exigiria mais que rigor: invenção, liberdade, risco”, escreveu o organizador Eucanaã no texto de abertura.

Fazenda dos Animais | George Orwell

Antes chamado no Brasil de "A Revolução dos Bichos", "Fazenda dos Animais", de George Orwell ganhou nova edição. Foto: Buzz Editora/Divulgação
Antes chamado no Brasil de “A Revolução dos Bichos”,
“Fazenda dos Animais”, de George Orwell ganhou nova edição.
Foto: Buzz Editora/Divulgação

Antes chamado no Brasil de A Revolução dos Bichos, o clássico Fazenda dos Animais volta em edição de colecionador pela Buzz Editora (304 páginas, R$ 69,90). Escrito como uma fábula, o texto continua sendo uma lição sobre o autoritarismo: utilizando-se de animais para construir uma história aparentemente inocente, George Orwell (1903 – 1950) coloca pautas que eram atuais em 1944, ano em que a obra foi escrita, mas que reverberam até hoje – mostrando-se mais contemporâneas do que gostaríamos de imaginar.

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A narrativa conta a história da Fazenda do Solar, onde um porco, Major, teve um sonho no qual viu todos os animais unidos. Cansados de serem explorados e injustiçados pelos humanos, Major inspira todos os animais e, juntos, eles elaboram um plano para expulsar o senhor Jones e sua esposa da propriedade, dando início a uma nova vida na fazenda, na qual a igualdade e a justiça prevaleceriam.

Seguindo os princípios do Animalismo, filosofia que serviria de doutrina para que pudessem construir um mundo melhor para todos os bichos, o mundo dos sonhos dura pouco: Napoleão, um dos porcos que passou a liderar a fazenda, torna-se um tirano, e acaba deixando a vida dos animais ainda pior do que era quando regida pelos humanos.

Fazenda dos Animais ganhou um projeto gráfico caprichado, capa dura e com textura que remete à pele de porco, além de um fitilho bordado com o nome do autor.

Dona Ivone Lara – Sorriso Negro | Mila Burns

"Dona Ivone Lara – Sorriso Negro", de Mila Burns, faz parte da coleção O Livro do Disco. Foto: Cobogó/Divulgação
“Dona Ivone Lara – Sorriso Negro”, de Mila Burns,
faz parte da coleção O Livro do Disco.
Foto: Cobogó/Divulgação

No novo volume da coleção O Livro do Disco, da editora Cobogó (162 páginas, R$ 46), a jornalista e pesquisadora Mila Burns apresenta o universo de Dona Ivone Lara e de seu disco Sorriso Negro, lançado em 1981. Traçando analogias com o momento político do Brasil, a autora mostra como as canções sobre liberdade, orgulho negro e empoderamento feminino do álbum refletem as mudanças fundamentais que inundavam o país nos anos finais da ditadura militar. Grande cantora e compositora, Dona Ivone Lara (1922 – 2018) foi uma das raras mulheres a ganhar destaque e respeito no mundo do samba.

Sorriso Negro, que completa 40 anos em 2021, tornou-se símbolo do pioneirismo e do talento da compositora e intérprete. Com produção e direção artística do jornalista Sérgio Cabral e arranjos e regências de Rosinha de Valença, o disco conta com participações de grandes nomes como Maria Bethânia e Jorge Ben Jor. O álbum com 12 doze faixas – cinco delas compostas apenas por Dona Ivone Lara – levou a artista a públicos maiores e consolidou seu espaço na música brasileira.

“Dona Ivone Lara desenvolveu uma estratégia própria para superar os desafios de uma mulher negra no Brasil do século 20, que serviu de exemplo para as gerações seguintes. Sua forte presença de palco, suas famosas contramelodias – que por vezes fazem lembrar alguns ritmos da África subsaariana – e sua biografia incorporam, de várias formas, a resiliência das mulheres negras brasileiras diante de desafios múltiplos e intensos”, explica Mila Burns.

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