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Recomendações da semana #73

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Recomendações da semana #73

LIVROS

Gaúchos e Paulistas na Construção do Brasil Moderno | Luiz Roberto Pecoits Targa

O livro mostra a origem e o desenvolvimento dos dois projetos políticos antagônicos que se enfrentaram no Brasil durante o século 20, segundo o autor: o dos gaúchos e o dos paulistas – e cujo último embate foi realizado nestas primeiras duas décadas do século 21. De um lado, o projeto dos positivistas gaúchos, voltado para o desenvolvimento do mercado interno, impregnado da responsabilidade social das políticas públicas e pela transparência dos gastos do governo, ensaiando o Estado do bem-estar social – o possível neste país –, e que depois vai se plasmar no estado desenvolvimentista brasileiro, construído por Getúlio Vargas, que se estendeu com transformações até 1990.

De outro lado, o projeto oligárquico das elites paulistas, pleiteando um Estado mínimo exclusivamente em favor das elites, uma economia voltada para as exportações e uma conduta política que voltava as costas à população paulista e à brasileira. Neste início do século 21, essas duas concepções opostas voltaram a enfrentar-se com clareza meridiana.

Gaúchos e Paulistas na Construção do Brasil Moderno (Mottironi Editore, 488 páginas, R$ 59,90) é o primeiro volume da série Estudos Rio-Grandenses. Luiz Roberto Pecoits Targa é mestre em economia pela UFRGS e doutor em economia pela École Doctorale d’Economie Université Pierre Mendès France Grenoble. Desde 1975, Targa é pesquisador da Fundação de Economia e Estatística (FEE).

Os Piores Crimes da Revista New Yorker | organização de Felipe Damorim

"Os Piores Crimes da Revista New Yorker", com organização de Felipe Damorim. Foto: Rua do Sabão/Divulgação
“Os Piores Crimes da Revista New Yorker”,
com organização de Felipe Damorim.
Foto: Rua do Sabão/Divulgação

Fundada pelos jornalistas Harold Ross e Jane Grant em 1925, a New Yorker é uma instituição norte-americana. O objetivo original era criar uma revista de humor, mas mais sofisticada do que as publicações crassas da época. A publicação, porém, logo se destacou pelo espaço que dava para os novos talentos literários, a sensibilidade fina com que analisava as notícias contemporâneas e o rigoroso processo de checagem de dados, que até hoje é reconhecido como um dos melhores da imprensa mundial.

Foi na New Yorker que, em setembro de 1965, Truman Capote iniciou a série de artigos na revista que viriam a se tornar o livro A Sangue Frio. Narrando em detalhes as circunstâncias envolvendo um homicídio quádruplo ocorrido na cidadezinha de Holcomb, no Estado do Kansas – mas aplicando o esmero e a construção de suspense típicas da prosa –, Capote deu início a um novo gênero literário.

Os Piores Crimes da Revista New Yorker (Rua do Sabão, 266 páginas, R$ 59) é uma seleção dos melhores artigos publicados nas últimas décadas tratando de crimes reais, suas consequências e o que eles podem jogar de luz sobre os sistemas legais, a sociedade e a humanidade. Com organização de Felipe Damorim, o livro apresenta um exame sobre o fenômeno dos assassinatos em massa em escolas e das falácias por trás das técnicas de perfil psicológico popularizadas por Hollywood; o dilema de uma artista judia acossada pelo nazismo e por segredos familiares e de um cineasta estadunidense vítima dos próprios demônios; os excessos da justiça que levaram seis inocentes a confessarem um crime que não cometeram e as manobras legais que tentam enfim garantir que um culpado pague pelo que fez; e a história que levou Chris Kyle, o sniper americano popularizado em filmes e livros, a ter um encontro fatídico com um jovem veterano de guerra.

O Último Processo de Kafka | Benjamin Balint

"O Último Processo de Kafka", de Benjamin Balint. Foto: Arquipélago Editorial/Divulgação
“O Último Processo de Kafka”, de Benjamin Balint.
Foto: Arquipélago Editorial/Divulgação

Depois de ser publicado em mais de 10 países, O Último Processo de Kafka chega agora ao Brasil (Arquipélago Editorial, 272 páginas, R$ 64,90). A obra do escritor e jornalista norte-americano-israelense Benjamin Balint, elencada entre os Livros do Ano pela The Economist em 2019 e reconhecida com o Prêmio Sami Rohr em 2020, narra a emblemática disputa judicial pelo legado do escritor Franz Kafka (1883 – 1924), que se desenrolou durante mais de 10 anos na Suprema Corte de Israel. A querela envolveu a Biblioteca Nacional de Israel, o Arquivo Literário alemão de Marbach e Eva Hoffe, uma senhora de Tel Aviv que estava em posse do objeto de disputa: o espólio de Max Brod, melhor amigo e editor de Kafka, que incluía os manuscritos ainda não divulgados do escritor. Em 2016, a corte deu o veredicto favorável a Israel, mas o processo só foi concluído em 2019.

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Antes de falecer aos 40 anos, Kafka deixou a seu amigo mais próximo a orientação de destruir todos os seus textos. Se hoje temos acesso a dezenas de documentos literários daquele que foi um dos maiores escritores de todos os tempos é justamente porque Max Brod desconsiderou o último desejo do autor e dedicou a vida a publicar os romances inéditos do amigo. A história ganhou ainda novas nuances nos anos que se seguiram: em 1968, Max Brod morreu em Tel Aviv, destinando seu espólio à sua secretária Esther Hoffe. Quando faleceu, em 2007, Esther deixou o material para as filhas, Ruth Weisler e Eva Hoffe.

Na narrativa, o autor expõe o contraste entre a multiculturalidade da obra de Franz Kafka – escritor judeu nascido e criado em Praga que escrevia em alemão – e as dicotomias que caracterizaram os argumentos entre Israel e Alemanha na disputa por seu legado literário. Os relatos que revelam o que foi debatido em juízo são alternados com capítulos que trazem da obra do escritor elementos sobre sua amizade com Max Brod e sobre sua relação com temas como o sionismo, a escrita e as mulheres, formando um conjunto narrativo que faz o leitor se perguntar: o que Kafka pensaria sobre tudo isso? E, afinal, a quem pertence Kafka?

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