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Recomendações da semana #75

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Recomendações da semana #75 Foto: Cobogó/Divulgação

LIVRO

Não Vão nos Matar Agora | Jota Mombaça

Criadora original e interdisciplinar, a artista potiguar Jota Mombaça vislumbra a importância de existir e performar em meio às feridas abertas do colonialismo em uma combinação de poesia, teoria crítica e artes visuais, que aborda temas como antirracismo, estudos queer e desobediência de gênero. Seu livro Não Vão nos Matar Agora (Cobogó, 144 páginas, R$ 46) parte desse universo subjetivo de experimentação para apresentar um texto permeado por tensões permanentes que buscam repensar o mundo como o conhecemos – propondo alternativas e transformações rumo ao novo.

O lançamento inaugura a coleção Encruzilhada, que, com coordenação de José Fernando Peixoto de Azevedo, doutor em filosofia e professor da ECA/USP, reúne títulos de autores brasileiros e estrangeiros que discutem questões contemporâneas como o antirracismo, os feminismos e o pensamento decolonial.

Em suas reflexões, Jota Mombaça afirma a resistência de corpos — e corpas — em meio às adversidades de um ambiente dominado por padrões opressivos. “Eu poderia fazer dessa história uma excepcional narrativa sobre a luta de uma bicha preta por acesso a esses mundos, mas não estou particularmente interessada em retratar nenhuma trajetória rumo ao mundo da arte como heroica. Em vez disso, este texto almeja constituir uma descrição do mundo da arte como sendo uma ficção naturalizada feita para quebrar subjetividades pretas e indígenas na forma de valor roubado”, escreve. 

Nascida em Natal e hoje vivendo entre Fortaleza, Lisboa e Berlim, Jota Mombaça conta que começou a fugir do Brasil mesmo antes de migrar e, em seus escritos, revela o país como o oposto da famosa e frequentemente exportada promessa utópica de uma terra pós-racial. “Não há saída senão aceitar de uma vez por todas que fomos inscritas numa guerra aberta contra a nossa existência e a única forma de sobreviver a ela é lutar ativamente pela vida”, afirma. 


Psiconautas: Viagens com a ciência psicodélica brasileira | Marcelo Leite

Foto: Fósforo/Divulgação

Por décadas, drogas como o LSD e a psilocibina de cogumelos foram estigmatizadas. Hoje, sabemos que esses símbolos da contracultura têm mostrado eficácia em estudos sobre depressão. O mesmo acontece com o MDMA, usado para tratamento de estresse pós-traumático em testes experimentais. No Brasil, pacientes deprimidos tiveram bons resultados em ensaios com ayahuasca – e os dependentes de crack têm motivos para otimismo graças à ibogaína, droga sintetizada a partir de uma planta do Gabão.

Há muito por descobrir sobre o uso terapêutico dessas substâncias, mas o renascimento psicodélico já é uma das áreas mais promissoras da pesquisa em saúde mental. Não à toa, o jornal The New York Times publicou uma matéria neste mês com o seguinte título: “A revolução psicodélica está chegando. A psiquiatria talvez nunca mais seja a mesma”.

Ao mesclar relatos da própria experiência com essas substâncias ao perfil dos principais pesquisadores da área – estrangeiros e brasileiros – entrevistados diretamente pelo autor, o jornalista Marcelo Leite oferece em Psiconautas: Viagens com a ciência psicodélica brasileira (Fósforo, 264 páginas, R$ 69,90) um panorama completo desse campo de estudo no qual ciência e humanismo caminham juntos. O livro recebeu prefácio do neurocientista Sidarta Ribeiro, que, junto a Luís Fernando TófoliStevens “Bitty” Rehen e Dráulio de Araújo, compõe o grupo dos psiconautas brasileiros que guiaram o colunista de Ciência e Ambiente da Folha de S.Paulo em suas explorações.


Feminismos Dissidentes – Perspectivas Interseccionais | organizado por Lina Arao e Henrique Marques Samyn

Foto: Jandaíra/Divulgação

O feminismo hegemônico tem cor e classe. Mas hoje não é mais possível falar de feminismo sem pensar em interseccionalidades. Apesar de invisibilizadas, são muitas mulheres que se movimentam nos mais diferentes contextos – tão diversos que é impossível abarcá-los em uma única publicação. O livro Feminismos Dissidentes – Perspectivas Interseccionais (Jandaíra, 240 páginas, R$ 59), organizado pelos professores e pesquisadores Lina Arao e Henrique Marques Samyn, se dispõe a começar a aprofundar esse debate.

O volume reúne textos produzidos por representantes de feminismos dissidentes apresentando uma rica gama de abordagens e assuntos: demandas de mulheres negras, amarelas, romani (“ciganas”) e amazônicas; pautas de lésbicas, transexuais e travestis; questões caras a grupos excluídos ou invisibilizados, como mães pobres, mulheres gordas, trabalhadoras sexuais e praticantes de BDSM; questionamentos de pesquisadoras brancas que confrontam o lugar da própria branquitude nos movimentos feministas. O projeto surgiu de um curso oferecido em 2020 no programa de pós-graduação stricto sensu em letras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

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