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é RE-LAM-PO mesmo

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Papagaios Ortodoxos

Juan Carlos Monedero (da Universidad Complutense de Madrid), evocando a experiência do Podemos, o movimento renovador da política espanhola, publicou o Curso urgente de política para gente decente (Editora Contracorrente – 2018). Uma resenha diz que o livro “vai do lírico, com direito à poesia e reflexões, à exemplificação prática”. Monedero “traz questões políticas importantes para quem busca reinventar e revolucionar”. 

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Papagaios Ortodoxos

Juan Carlos Monedero (da Universidad Complutense de Madrid), evocando a experiência do Podemos, o movimento renovador da política espanhola, publicou o Curso urgente de política para gente decente (Editora Contracorrente – 2018). Uma resenha diz que o livro “vai do lírico, com direito à poesia e reflexões, à exemplificação prática”. Monedero “traz questões políticas importantes para quem busca reinventar e revolucionar”. 

Semana passada presenciei um debate no formato clássico dos tempos de pandemia, com a participação do autor. Monedero era um dos que apresentavam com comentários o livro La teoría del Estado después de Poulantzas, de Jorge Orovitz Sanmartino.  

 Com seu estilo clássico, fez um divertido apanhado sobre o assunto. Para contextualizar sua opinião sublinhou os principais episódios do mundo no ano de 1973. E provocou dizendo que certos acadêmicos produziam teorias que eram como um canivete suíço. Além de possuírem as funções clássicas de saca-rolhas, abridor de garrafas, descamador de peixes, tesoura, acrescentam as utilidades de serrote, facão, etc.   

 Comemorando a heterodoxia da publicação sobre Poulantzas, lembrou, com irreverência, que “como dizia o filósofo marxista Ludovico Silva (1937 – 1988), e me desculpem por citar um venezuelano, se os papagaios fossem marxistas, seriam marxistas ortodoxos”. 

(Gustavo de Mello)


CTG era vanguarda

Com o retorno da ordem clânica à política e com a retribalização da Cultura (a etnia ou a identidade coletiva fazem as vezes de tribo), testemunhamos hoje a universalização do paroquialismo: os Centros de Tradições Indígenas, Africanas, Italianas, Israelitas, Evangélicas, LGBTS, Conservadoras etc. O mundo cetegizou-se.

O relativismo e o multiculturalismo constituem o epítome do pensamento europeu. Ou seja, a decadência do ocidente é seu maior triunfo – pena que seja em forma de suicídio.

(Juliano Dupont)


Polissemia Eleitoral

Um amigo me contou que presenciou o seguinte diálogo em um ônibus, há algumas semanas:

    — Oi, Fulana, como tu está, tudo bem?

    — Tudo ótimo! E contigo?

    -— Tudo certo também. 

    — Que bom. O que anda fazendo?

    — Estou trabalhando na Assembleia, com o assessor de um deputado. E tu?

    — Que legal! Eu também vou muito lá. Vou no culto todo sábado de manhã.

(Cristiano Fretta)


E o Amor?

Numa dessas é possível que alguém lembre de 2003 e de um disco que Jards Macalé lançou naquele ano. “Amor, Ordem e Progresso” reivindicava um elemento misteriosamente ausente do slogan pátrio. “Não sou positivista, nem simpatizante” diz o Jards nessa época, “mas quero o amor”. O amor surrupiado da bandeira nacional. Porque de acordo com o ideário da doutrina de Comte, “o amor vem por princípio, a ordem por base e o progresso como fim”. Então, cadê o amor? Temos base e fim sem princípio? Será que o ilustre Raimundo Teixeira Mendes, idealizador da bandeira, tirou o amor por conta própria, achando que ninguém daria falta? Bom, aí de repente alguém pode desembarcar em 1933 e se perguntar se não é inspirado no doutor Raimundo aquele samba do Noel. Na letra de “Positivismo”, feita em parceria com Orestes Barbosa, há essa figura que despreza a lei de Augusto Comte e vai ser feliz longe do poeta. Tudo bem, diz ele, mas fique sabendo que “também faleceu por ter pescoço o autor da guilhotina de Paris”. O amor, a gente sabe, não tem cabeça nem pescoço, se organiza na desordem e progride na alegria, diferente da tristeza que assola esta terra radiante.

(Fabio Pinto)


Paul Valéry, em Tel quel

Não existe um ser capaz de amar um outro pelo que ele é. Pede-se mudanças, porque o que se ama é sempre um fantasma. O que é real não pode ser desejado, porque é real. Adoro você… mas esse nariz… mas essa roupa…

Talvez o cúmulo do amor partilhado consista no furor de transformar um ao outro, de embelezar um ao outro em um ato que se torna comparável ao ato artista, – e, como este, desperta sabe-se lá qual fonte do infinito pessoal.

Medo do ridículo, — Horror do banal, — Ser apontado; não ser percebido. — Dois abismos. 

Nossos discípulos e nossos sucessores nos ensinariam mil vezes mais que nossos mestres se a duração da vida nos permitisse ver seus trabalhos.

Livros.

Quase todos os livros que estimo e absolutamente todos os que me serviram para alguma coisa são livros bastante difíceis de ler.

O pensamento pode deixá-los, ele não pode percorrê-los.

Alguns me serviram apesar de serem difíceis; outros, porque o eram.

(Tradução de Lolita Beretta)

“Tu te tornas eternamente responsável pelas tuas frases”,

São Zé-Perry e Grupo Matinal Jornalismo

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