Reportagem

Exposição celebra o centenário de Nelson Jungbluth

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Exposição celebra o centenário de Nelson Jungbluth Porto Alegre - 06/01/2022: Exposição na Pinacoteca Aldo Locatelli. Foto: Giulian Serafim/ PMPA

O ano de 2021 marcou o centenário de Nelson Jungbluth.  Para celebrar a efeméride está aberta a mostra “A Fonte dos Ventos”, na Pinacoteca Aldo Locatelli – Paço Municipal -, uma oportunidade para redescobrir a obra deste artista. Alguém que muito cedo descobriu a que veio, preparado para desenhar e pintar. 

Nascido em Taquara/RS, em novembro de 1921, era filho de um casal que trabalhava com fotografia. Herdeiro de uma tradição de criar imagens, Nelson foi ilustrador publicitário e designer gráfico, em especial na Viação Aérea Rio-Grandense (VARIG), onde trabalhou como diretor de arte por 35 anos. E foi durante este período que ele desenhou a identidade visual da companhia, criando a famosa Rosa dos Ventos que identificava as aeronaves. Ainda produziu, entre muitos outros materiais, um número significativo de ilustrações utilizadas tanto para cartazes de divulgação como calendários e até cardápios para a VARIG.

Um desses trabalhos ficou registrado no cinema. Há uma cena no filme “Bonequinha de Luxo”. em que a atriz Audrey Hepburn está à frente de um cartaz da VARIG. O filme foi dirigido por Blake Edwards, em 1961. 

Jungbluth começou cedo, aos 15 anos, a mostrar seu talento para as artes plásticas. Quando tinha nove, sua família mudou-se para a cidade do Rio Grande. Um tempo depois, já no Rio de Janeiro, o jovem Nelson fazia histórias em quadrinhos, no Suplemento Juvenil e O Guri e ainda fazia desenhos para propaganda, isso em 1939.

Do Rio de Janeiro, Jungbluth mudou-se para Porto Alegre, e em 1946 entrou para a VARIG.  Em uma nova mudança, de volta ao Rio, em 49, seguiu trabalhando em propaganda. De volta à VARIG em 1954, foi quando Nelson criou a famosa Rosa dos Ventos, o logo oficial até o final da companhia. Depois de tanto dedicado às artes, a primeira exposição individual de Jungbluth foi 1974, na Galeria de Artes do IAB. Nelson passou a se dedicar de forma exclusiva à sua arte somente a partir de 1981. 

Artista atleta

À época da VARIG, Nelson produzia sua arte em paralelo, pintando em acrílico ou tinta sobre tela, eucatex e todo tipo de suporte, inclusive em pratos de cerâmica. Entre uma pintura e outra, Nelson Jungbluth jogava basquete, tendo como companheiros de quadra, entre outros, o escritor Moacyr Scliar e o ex-prefeito José Fortunati. De acordo com o neto, Rafael Jungbluth, o avô não abria mão do compromisso de jogar pelo menos três vezes por semana, “até os 83 anos”, detalha. Nelson Jungbluth tinha uma rotina de trabalho diário no seu atelier, “pelas manhãs e tardes”, informa o neto. Praticou seu esporte favorito até quase o fim da vida.

Nelson deixou uma obra que não apenas embalava os voos e a admiração que muita gente tinha pela empresa aérea onde trabalhou. Foi além: é possível encontrar a arte de Jungbluth em locais públicos, visíveis para todos. Em um hipermercado no bairro Higienópolis, são 16 vitrais que contam a história do Rio Grande do Sul. Outra forma de encontrar a arte de Nelson Jungbluth é nos documentos, numa conta de luz, por exemplo: é que ele criou o logotipo da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). 

Seu talento também é visível em painéis que deixou; são os casos da sede da Associação Cristã de Moços (ACM), onde jogava basquete, no teatro do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) e na Bolsa de Mercadorias, todas em Porto Alegre. Ainda pintou painéis com grandes dimensões no Banco do Brasil – Ijuí, Rio Grande do Sul.

Sua obra conquistou espaços além das fronteiras do Brasil. Jungbluth participou das Feiras Internacionais de Paris e Bruxelas, com tapeçarias tecidas em Pedras Rubras, Portugal, a partir de seus cartões. Também criou quatro painéis para o Hotel Loew’s, em Monte Carlo. E quem recebe da Prefeitura Municipal a Medalha de Porto Alegre, saiba que a honraria foi criada por Nelson Jungbluth em 1978. 

Sobre a exposição

“A Fonte de Todos os Ventos” é algo plural, uma ideia-força dos quadros e desenhos do artista. Plural no sentido dos temas abordados, nos quais está quase sempre presente um vento forte. Seus temas são homens, mulheres, cavalos, floras imaginárias, as lides campeiras e outros que vão e vêm, aparecem e reaparecem ao longo de sua jornada criativa, colorida e vibrante. Têm força e movimento e ao mesmo tempo uma leveza nas cores que o artista utiliza. Um destaque desta mostra são os originais da Rosa dos Ventos da VARIG. É uma emoção observar o desenvolvimento e os traços iniciais, o artista no momento da sua criação.


Foto: Mariana Bertolucci/PMPA

Admiração 

O cartunista, e ilustrador e quadrinista Neltair Rebés de Abreu, o Santiago, é um admirador da obra de Jungbluth. “Na minha juventude, quando vi aqueles belos cartazes da VARIG, procurei a assinatura e descobri o cara”, conta. Artista multipremiado, Santiago evoca: “quando soube que era contratado exclusivo da VARIG, morri de inveja ao saber que ele podia viajar para onde quisesse para produzir os cartazes dos países servidos pela empresa”, lembra. Um tempo depois conheceu o artista pessoalmente: “me tratou muito bem”, ressalta. 

Um artista falando sobre sua a obra de outro: “Sua estilização de pessoas e cavalos era maravilhosa, os tipos que criou para identificar os países nos cartazes turísticos da VARIG eram muito ricos como a simplificação das figuras características de cada lugar”

No início dos anos 2000, no Salão de Imprensa de Porto Alegre foi feita uma homenagem a Nelson, como artista gráfico e como quadrinista. Nelson Jungbluth faleceu em Porto Alegre, em maio de 2008. 


A FONTE DE TODOS OS VENTOS – Cem anos de Nelson Jungbluth

  • Até o dia 25 de fevereiro
  • De segundas a sextas-feiras, das 9h às 12h e das 13h30 às 17h.
  • Pinacoteca Aldo Locatelli, Praça Montevidéu, 10 – Paço dos Açorianos
  • Centro Histórico – Porto Alegre.
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