Revista Parêntese

Parêntese #77: Fala com o poeta

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Parêntese #77: Fala com o poeta

Sujeito chega numa oficina (de automóvel), modelo tradicional. Pergunta se eles fazem um certo serviço. O funcionário, um homem maduro, responde: “Isso tem que falar com o guri”. De fato, há um jovem ali adiante. Mas o cliente pergunta outra coisa, tipo se dá pra pagar com cheque. O mesmo funcionário responde diferente: “Aí isso é com o homem”. O guri era filho do homem, claro. 

Porque é isso: tem coisa que o guri pode responder, mas acima de um certo patamar tem que falar com o homem. 

Essa historinha real me voltou à mente ao repassar, para esta edição, os textos que o prezado leitor vai ler em seguida. Especialmente o relato de memória da Coolírica, uma cooperativa de poetas que veio ao mundo uns 35 anos atrás, ofereceu ao mundo três livros e encerrou as atividades. Ricardo Silvestrin era um dos guris envolvidos e conta, com um sabor de juventude, a linda aventura. 

Guris também estão no centro da sensível meditação da Dalva Maria Soares, que passa por educação dos jovens da periferia, hoje, incluindo a morte inesperada do MC Kevin, mas alcança alturas adultas, como dois ensaios de mulheres de primeira grandeza, como Virginia Woolf e Alice Walker. 

Guri, no sentido mais próprio, protagoniza nosso novo folhetim, “Quem quer ser a mãe do João”, de Pieta Poeta (mais poeta!). O João é encantador, até em seu medo de morrer. Passamos para a poesia, já conjurada antes, no ensaio de Marlova Assef, que dá notícia da força atual desse gênero tão difícil. Sérgio Karam resenha a biografia de João Gilberto Noll por Flávio Ilha, lançamento flamante. Marcos Lacerda bota Caetano Veloso a pensar sobre a astúcia brasileira. 

A entrevista repassa a vida de uma figura agora menos evidente, mas de grande presença há décadas, na vida mental de Porto Alegre e do estado: Paulo Raymundo Gasparotto. Com experiência em todas as empresas relevantes de comunicação da redondeza, dotado de uma visão ampla das coisas da vida e da cultura, Gasparotto praticou com estilo próprio por muito tempo o que se chamava de colunismo social, um subgênero jornalístico que tem mudado muito e que continua em alta.

As fotos da Andréa Barros, que a autora intitulou “Magia feminina, tem no pano de fundo a Lagoa de Bacupari. Já o Arthur de Faria nos apresenta mais um capítulo dos melódicos melodiosos, ainda tendo como centro do assunto o conjunto baldaufiano.

E não esqueça, se possível, da nossa campanha para o ZapMatinal, que anda chamando a atenção de muita gente. Conhece? Então conheça! 

Falando em coisa boa e importante: não perca, por nada, o podcast DESAPAGA POA. Saiu agora o quinto da série, disponível no nosso site. Sob o comando do Vitor Ortiz, a série faz o que promete: traz à tona figuras, histórias, lugares de Porto Alegre que, por motivo qualquer ou por motivos lamentáveis, merecem ser conhecidos. Neste quinto episódio, a história da Esquina do Zaire, que bota no centro da conversa a esquina propriamente dita, o poeta Oliveira Silveira e uma figura que merece muito ser descoberta, o pintor Wilson Tibério.

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