Revista Parêntese

Parêntese #105: Justiça e tempo

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Parêntese #105: Justiça e tempo

Rola em Porto Alegre o júri popular relativo ao horror da boate Kiss, de Santa Maria, nove anos atrás. Dá pra chamar de tragédia, mas dá pra chamar de crime. Vá lá que sem dolo, como dizem os operadores do Direito. Mas crime. Duas centenas e meia de mortos, seis centenas de feridos.  

Quanto tempo precisa a justiça para acontecer? Quem mede esse tempo? Quem arca com o ônus desse tempo?

Em escalas e intensidades diferentes, essa mesma equação entre justiça e tempo se faz sentir ou se insinua nas entrelinhas de incontáveis situações. 

Carolina Maria de Jesus viveu extremos de miséria, depois conheceu a fama e a relativa abastança, depois mergulhou num vórtice novo de problemas e morreu. Agora, reabilitada e em processo de leitura muito intenso, ganhou uma exposição em São Paulo, que Paloma Amorim visitou, disso resultando uma carta para Carolina – longe no tempo, perto do coração.

Nossa entrevistada, Zilá Bernd, dedicou sua carreira acadêmica a pedir leitura justa para escritores e escritoras que pouco ou nada circulavam nos planos eruditos da vida literária. Sua trajetória faz pensar em outra medida de tempo, como se vai ver. 

A trajetória de Geraldo Flach, músico e grande figura, está no palco do Arthur de Faria, que repassa momentos talvez inacreditáveis de um cara sensacional, que o tempo torna maior ainda. 

No ensaio de fotos, Fabiana Beltrami usa a criatividade e experimenta vários jeitos de olhar a cidade pelo espelho. “O reflexo se mostra chão, parede, coisa”, ela diz e a gente vai conferir. Já a Grazi Fonseca usa a linha fina para continuar dando vida para sua personagem.

A história de Porto Alegre ganha mais um capítulo, agora com Arnoldo Doberstein contando do finado edifício Malakoff, que por décadas enfeitou o centro da cidade. Cidade que é o palco dos aprendizados, nem sempre simples, que o Leonardo Antunes viveu, e agora conta em novo capítulo do livro Diários de um paulista em Porto Alegre. 

Dóris Soares oferece uma sentida crônica sobre as virtudes do vagar de uma cidade menos alucinante do que a nossa. E José Weiss dá notícia dos 30 anos de Estorvo, o desconcertante romance de Chico Buarque de Holanda.

Deixei para o fim o segundo capítulo do novo folhetim, produzido pela Milena Cabral. Não sei como será sua leitura, mas aviso que a minha foi, como dizer? 

Melhor não dizer nada, por ora. Precisa o tempo de cada um para fazer a justa leitura. 

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