Revista Parêntese

Parêntese #109: Comunidade

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Parêntese #109: Comunidade

Tem a comunidade de origem e tem a comunidade de eleição. A primeira é fatal, a segunda depende de gosto, escolha, oportunidade, batalha. 

Na comunidade escolhida da Parêntese, ocupam lugar central figuras como a recém-finada Elza Soares e o centenário Leonel Brizola. 

(No fundo, uma revista e um projeto editorial como o da Matinal/Roger Lerina/Parêntese só fazem sentido quando procuram dar voz a uma comunidade de eleição.)

Elza teve tempo de ser celebrada a preceito, o que incluiu até um doutorado Honoris Causa – por causa da honra, traduzindo esse latinório que virou anódino – dado pela UFRGS. Mas viveu baixos e reveses a que poucos resistiriam. 

E teve tempo e grandeza para dar um recado essencial para nós todos, em recente canção do nosso camarada Guto Leite – imperdível ouvir Poção e o trecho em que Elza clama para as mulheres: “não se calem”.

Brizola – era um gosto vê-lo falar e afrontar os poderosos, sempre com uma palavra de alento para os de baixo – não conseguiu ser presidente da república, mas governou Porto Alegre, o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro. Sua figura, sua energia, seu carisma impediram que em torno de si se criassem lideranças capazes de sucedê-lo (e não é bem isso que ocorre agora com Lula?). 

Em 1961, como lembrou Juremir Machado ontem, ele liderou uma visionária Rede da Legalidade. Rede – décadas antes de a internet aparecer. Nesse episódio, parecia um bravateiro, um gaúcho falastrão, mas foi um gigante. 

Por isso mesmo, nossa edição se aproxima da imagem de Brizola com três textos, de Caco Coelho, Atena Beauvoir e Christian Kuhn.

Gente assim nos ilumina até com sua ausência.

E se trata de auscultar à nossa volta para perguntar quem mais é da nossa turma. E a Graça Craidy desponta como uma das grandes!

Sua história, sua verve, seu destemor em avançar sobre fronteiras tolas ou nefastas dá gosto, seja em sua trajetória de publicitária, seja como artista plástica e figura pública. Agora mesmo, ficamos sabendo, pelo seu facebook, da encarada que ela deu em uns negacionistas melífluos de Ijuí, sua terra natal. Olha que beleza.

Temos novo cartum da Grazi Fonseca, o capítulo 6 do folhetim da Milena Friedrich Cabral, temos a nova cena da história da cidade no texto do Arnoldo Doberstein (sobre o trem). Temos uma matéria sobre a exposição da obra do Nelson Jungbluth, que tá rolando. E temos uma resenha da Nubia Silveira, que soma forças na campanha da Rede de Cozinhas Comunitárias, na luta para diminuir a fome de gente da nossa comunidade, gente que não nos lê mas que está ao alcance de um gesto nosso.

PS: sem esquecer o grande papel que teve na vida brasileira o poeta Thiago de Mello, falecido há pouco, outra voz de nossa comunidade, que teve o lampejo de escrever, numa hora aziaga, os “Estatutos do homem”. 

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