Revista Parêntese

Parêntese #121: Vida e arte

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Parêntese #121: Vida e arte Cavalinhos no céu, obra de Zoravia Bettiol

Levar a vida até o estado de arte, conduzir a arte até seus limites para que nela caiba a vida: faz uns 250 anos (a idade da Porto Alegre oficialmente reconhecida como cidade) que o Romantismo inventou essa tarefa, dupla e reversível, de promover o encontro da arte com a vida. 

Antes dele a arte se distanciava da vida, se referia a ela de modo enviesado, sem dar protagonismo direto para vidas comuns, de gente ordinária, cotidiana e tributável. Mas desde 250 anos até agora, no Ocidente, acontece o encontro entre vida e arte, de vez em quando na forma amena de um abraço ou um beijo, de vez em quando na forma de choque tectônico, de uma pororoca, de uma pechada.

Agora mesmo, Porto Alegre pôde ver o Marcelo Adams e a Margarida Peixoto, atores de talento, sob a direção do Luciano Alabarse, na peça “O inverno do nosso descontentamento”, ou “Nosso Ricardo III”. Era a história já contada por William Shakespeare e já não era mais, porque na ficção, no décor do ambiente, no teor estava em cena um tirano ecocida impiedoso muito nosso conhecido. A plateia ficou imantada naquele circuito suado que é o teatro, até o desfecho, medonho como convém. Era a arte e era a vida, fortes, por vezes intragáveis, sempre reconhecíveis.

(Se o prezado leitor a cara leitora não viram, podem sanar essa falha esperando uns dias até que o festival Palco Giratório os ponha de novo em ação. Marcelo, Margarida e Luciano estarão lá.)

Em bem outra pauta, mas também mesclando vida e arte, nossa entrevistada é Zoravia Bettiol. Mais uma parceria com o Renato Rosa, que arrebanhou perguntas de muita gente boa do circuito das artes para fazer falar essa grande mulher, artista visual e militante do bem, figura indispensável para conhecer nosso tempo.

O folhetim da Taiasmin Ohnmacht chega ao seu antepenúltimo capítulo e ao tempo que chamamos presente, numa novela distópica em que comparecem medos e traumas vivos. Como contraponto, o relato da Ana Marson visita ainda uma vez Paris, essa cidade infinita, com o conhecido bom humor debochado. 

Na história de Porto Alegre que vem sendo contada de modo ameno e preciso por Arnoldo Doberstein, chegamos ao capítulo da bicicleta, prática que cem anos atrás virou febre. Arthur de Faria biografa sumariamente um dos mitos da música porto-alegrense, Mutinho.  

A trajetória de Carlos Scomazzon em sua sofrida jornada de vítima da epilepsia ganha novo capítulo, agora contando histórias que parecem ficção, em que solidariedade e desespero se confundem. Na resenha, uma pala da obra de estreia de Maria Petrucci, poeta que, como todo bom artista, reinventa o mundo, para caber na arte.

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