Revista Parêntese

Parêntese #125: Massacre revisitado

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Parêntese #125: Massacre revisitado Obra de Eduardo Vieira da Cunha (detalhe)

Toda uma lição de história aprendemos na entrevista com Duílio Martínez, advogado argentino com longa carreira junto aos Direitos Humanos. Como Lúcio Carvalho havia antecipado semana passada, está em fase de conclusão por lá um processo raríssimo – um massacre de centenas de indígenas, ocorrido em 1924, chegou às ditas barras dos tribunais, pelo singelo e poderoso direito à verdade. Foi Eduardo Vieira da Cunha quem nos colocou em contato com Duílio, e o resultado é uma lição do funcionamento de instituições democráticas em nosso vizinho – lição que devemos aprender para, quem sabe, revisitar nossa história recente, quando der. 
    
(A derradeira sessão desse julgamento será transmitida ao vivo, em endereço que se encontra mencionado na entrevista.)
    
Batalha bem outra, tão humana quanto, é aquela que Carlos Scomazzon nos contou ao longo de dez semanas, agora em seu capítulo final. A humanidade profunda, radical, desafiadora que anima as Memórias da Epilepsia por certo merece ser muito mais conhecida. Ao Carlos agradecemos a confiança por nos proporcionar estampar um relato como esse, que, como revista de cultura e humanidades, engrandece a Parêntese, que é nossa, que só faz sentido se for de todos nós.
    
Carlos Alberto Kolecza, jornalista veterano que entrevistamos aqui mesmo um tempo atrás, oferece uma pensata que só as mentes e corações maduros e cansados das derrotas pode escrever. Não o texto em si, que é fluente e editado pelo autor como se fosse uma reportagem – e é, de certa forma. Mas é mais: é uma reflexão de um veterano que viu como pode ser importante o jornalismo para a vida democrática e que se vê agora abismado com certos limites, muitos deles autoimpostos.
    
Para lembrar os 20 anos transcorridos desde a morte do maior ecologista nascido nestas terras, José Lutzenberger, Cristiano Goldschmidt evoca sua relação com ele e com o projeto Gaia. Dá tristeza saber que não contamos mais com aquele alemão ranzinza e coberto de razão – mas seu exemplo está aí. 
    
O cardápio da 125 está rico como sempre. Ana Marson passeia por outro quadrante italiano, enquanto lança o formato digital de seu novo livro: depois de O ano do cu, agora temos Dois anos sem tirar, em alusão à mascara. À venda, no link que vai junto com a crônica da Ana, sempre divertida, sempre com tutano. 
    
O folhetim de Frank Jorge chega ao segundo capítulo – estamos ainda caminhando pelo Bonfim com o protagonista, que recebe um chamado que pode mudar muita coisa.
    
Arnoldo Doberstein chega a 1901, na história de Porto Alegre que vem contando, em pílulas sempre instrutivas e reveladoras. Foi quando aconteceu uma Exposição de tirar o sossego da província. Arthur de Faria está pelos anos 1960, a bossa nova chegando na cidade e encontrando meios de se manifestar.
    
Manoel Madeira oferece um ensaio profundo mas escrito de modo leve sobre algumas tarefas dessa árdua condição do presente. E Nathallia Protazio conta de uma indiscreta visita a uma oficina de escrita.

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